Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.Já no Sermão da Montanha Jesus falou do tema do divórcio e foi categórico em sua afirmação. Tão categórico que talvez isto tivesse inspirado os inimigos a um novo embate.
Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.
Mateus 5:31 e 32
São quatro os textos que tratam do divórcio nos evangelhos: Mateus 5:31 e 32, como visto acima; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; e Lucas 16:18.
O texto acima afirma, assim como em Deuteronômio 24:1-4 (como visto aqui), que o homem que repudia sua mulher a expõe ao adultério (verifique na ARA). Neste sentido, a tradução da NTLH é muito esclarecedora:
Mas eu lhes digo: todo homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, será culpado de fazer com que ela se torne adúltera, se ela casar de novo.Essa declaração com certeza mexia com o coração de muitas pessoas, assim como mexe até hoje.
Sabendo do posicionamento de Jesus, os fariseus foram até Jesus com um plano em mãos. Este relato está tanto em Mateus 19 quanto em Marcos 10. Estudaremos pormenoramente o texto de Mateus:
Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?Vejam que a pergunta dos fariseus já nos propõe saber qual é o posicionamento deles a respeito do assunto. Eles acreditavam no posicionamento ensinado pela escola de Hillel (veja mais aqui), o qual leva a lenda de poder-se dar a carta até para a esposa que queimasse a comida.
v. 3
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,A resposta de Jesus, remetida a Gênesis, como já estudamos aqui, dá o plano divino para a sexualidade humana. Nesta resposta, Jesus está claramente dizendo aos fariseus e a plateia presente: Não, não é lícito. Não, divorciar-se não é a vontade de Deus. Isto era tão claro e nítido, além de esperado, para os fariseus que os mesmos atacaram com a seguinte pergunta:
E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
v. 4-6
Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?Ali estava, o plano mestre dos fariseus está indo muito bem. Eles jogaram a isca e Jesus fora fisgado. Como a autoridade de Jesus poderia se suster perante a própria palavra de Deus. Agora suas palavras teriam que ser desfeitas ou Ele deveria mostrar oposição a palavra de Deus.
v. 7
Mas, assim como a serpente perante nossos primeiros pais, os fariseus distorceram a verdade expressa na Bíblia. Como estudamos na última postagem (veja aqui), Moisés não mandou nada, ele permitiu, além da carta não está defendendo os interesses do marido, mas sim das mulheres, pois o abuso e descarte delas não tinha limites, sendo necessária alguma espécie de imposição legal. Veja agora a resposta do Mestre:
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.Não fora uma ordem, fora uma permissão divina para uma humanidade totalmente desligada de seus princípios. Fora permitida assim como foi permitida a poligamia. Fora permitida porque o coração do homem estava tão duro que jamais aceitaria o plano divino para si mesmo. Mas Jesus estava agora esclarecendo que o cristão deveria viver pelos princípios resgatados por Ele.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
v. 8 e 9
O verso 9 nos traz novamente que o novo casamento é um ato de adultério. Sim, não é uma nova ordem de Jesus, como já vimos várias vezes, mas ele está mostrando um entendimento muito mais profundo do texto de Deuteronômio do que a dos fariseus e seus estudos sobre a escola de Hillel e Shammai.
Isto realmente fora impressionante! Ao invés de mostrar que sua autoridade vinha dEle mesmo, Ele mostrou que suas palavras, que pareciam novas a uma plateia que nunca tinha se atentado a realidade dos versos da Torá, estavam totalmente de acordo com o texto Bíblico.
A cláusula de exceção, traduzida aqui como "fornicação", e em outras versões como relações sexuais ilícitas, vem da palavra grega porneia, esclarecendo que a última tradução seria a melhor mesmo. A cláusula de exceção não deve ser vista como um motivo real para o divórcio e novo casamento sem adultério, pois pelos nossos estudos, permanece sendo uma união com uma nova pessoa que não a do primeiro casamento, tornando-se uma impureza. Devíamos olhá-la assim como vimos Deuteronômio 24:1-4, ou seja, a parte que sofreu o adultério foi vitimizada e não pode ser condenada a uma solidão eterna.
Há ainda, uma outra coisa que Jesus insistiu para que o homem se atentasse. Os textos de Marcos 10:11 e 12 e Lucas 16:18 devolvem a mulher o status igual para o homem em frente do adultério. Nestes textos o homem é posto em adultério quando se casa com uma nova mulher, quebrando mais um mau costume criado pelo homem: a poligamia.
Oremos para que Deus nos dê força para voltarmos a vivermos a sexualidade humana segundo a vontade de Deus.
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