domingo, 20 de dezembro de 2009

Todos querem a Ciência


Já faz um bom tempo que percebi o quanto que a palavra "ciência" é disputada.

Em todos os meios, em todas as disciplinas, em todos os espaços ela é procurada como argumento infalível para nossos ideais. Afinal, quem não conhece a famosa máxima: "está comprovado cientificamente".

Alguns chegam até a cultuar a ciência como um Deus moderno, o único que subsistirá. Claro que é um Deus frio, até gelido, mas para os que não tem outro Deus, o único que, por mais que ainda não seja, se tornará onisciente.

Olhando para este tipo de visão que, acreditem, não é rara, poderemos vir a pensar que os que creem em alguma entidade sobrenatural poderiam rejeitar por completo esse novo Deus. Mas não é isso que se verifica.

Os cristãos, mesmos os ditos fundamentalistas, tiram a divindade da ciência e a dividem em dois tipos: a verdadeira e a falsa. A verdadeira, a qual consiste especificamente na procura das verdades naturais presentes neste mundo e que levam a descobertas e conclusões que podem ser comprovadas empiricamente. A falsa é a filosófica, que aborda preferencialmente a evolução darwiniana e tenta explicar tanto nosso comportamento atual quanto passado por meio dela. Claro que eles não aplicam o pensamento criacionista como falsa ciência também.

Mesmo ambos os grupos discordando do que seria realmente a ciência, ambos exercem um fascínio inclível por essa palavra, a qual é base da educação formal e informal neste tempo que vivemos.

A única coisa que não podemos esquecer é que a ciência é um produto humano, estudado e revisado por seres humanos, levando-a a ser um objeto que é instrumentalizado de acordo com as ideologias políticas, sociais, econômicas e religiosas que fazem parte deste. Tanto quanto o ser humano, ela é falha, contraditória e inconstante.

Mas claro que não é a toa que todos os grupos procuram se apoiar nela, pois uma idéia que há no conceito de ciência não pode ser negada. O conceito de busca e reflexão sobre a verdade. Só não podemos esquecer que ela não pode estar sozinha nesta busca. Tanto as artes, quanto a filosofia e a religião também são companheiras dela na busca pela Verdade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Contrato particular

Ontem, ao voltar de uma prova no metrô, estava refletindo na possibilidade de uma pessoa estar enganando outra para aumentar seus rendimentos através de uma mentira. Coisa de dizer que vai fazer tal coisa como dinheiro, mas na realidade só quer mais dinheiro.

Pensei na desonestidade disto, mas meus pensamentos não ficaram só aí. Eles chegaram até a adentrar nos pensamentos da outra pessoa e assumir que essa pessoa poderia considerar que estaria simplesmente estar reivindicando um direito seu de uma maneira mais amena.

No momento em que começou a passar por minha mente o fato de eu também poder reivindicar esse direito, fazendo com que disfrutassemos dos mesmos direitos, veio a mim seguinte resposta de Jesus para Pedro: "Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu." João 21:22; acompanhado também da parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16).

Ahn?!? Mas o que tam a ver?

Bem, o contexto do texto de João é incrível. João foi o único discípulo que não abandonou Jesus no momento mais crucial (literalmente) da história da humanidade. Mesmo o intrépido Pedro o negou em voz alta. Neste capítulo, logo após Pedro receber o perdão e estimulo do Mestre, Pedro começa a se questionar: "Se eu que o neguei fui posto para cuidar das ovelhas amadas do meu Mestre, o que será de João, que esteve com Ele nos momentos mais difíceis?" Neste contexto que vem a resposta de Jesus:
Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

Do mesmo modo os trabalhadores da vinha que questionaram seu empregador, pois haviam começado o trabalho mais cedo e receberiam o mesmo salário, receberam uma resposta similar:
Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
Deus tem um contrato especial com cada um. Ele sabe das nossas dificuldades e fraquezas pessoais. Ele sabe que muitas vezes caímos e nos dá força para ser reerguidos. Ele sabe que muitas vezes somos tentados a seguir os maus exemplos de pecados que estão ao nosso redor, mas Ele repete "olhe para mim, não para o pecador! Eu sou seu Mestre! É comigo que você tem que se acertar, não com seu irmão".

Se nosso irmão pecou e foi perdoado, glória a Deus porque lhe concedeu misericórdia. Se nós permanecemos fiéis, glória a Deus pois é Ele que nos sustém.

Cada um de nós temos um contrato particular com Cristo. Nós fizemos promessas particulares e compromissos que muitas outras pessoas não fizeram. Por isso não devemos reinvindicar para nós direitos de outros. Jesus nós prometeu diversas coisas. Devemos confiar nas suas dádivas e deixar que Ele cuide dos compromissos que Ele fez com os nossos outros irmãos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Espírito


O vocábulo "espírito" veio diretamente do vocábulo latino spiritus. Apesar de todo o imaginário moderno a respeito dessa palavra, seu significado inicial é "sopro" e "respiração".

Foi a palavra latina utilizada para traduzir a palavra grega* pneuma e a hebraica* ruaḥ, tendo ambas o significado de vento, sopro.

Dessa forma, o texto de Eclesiastes 12:7 ("E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu".) simplesmente refere-se ao famoso último suspiro, sendo esse o mesmo sopro de vida dado em Gênesis 2:7 e retomado na hora da morte.

O termo espírito não está preso apenas ao sopro de vida, mas é usado de diversas outras maneiras, mas sempre aproveitando o sentido básico da palavra.

Como o vento tem como característica o impulsionar tanto barcos, nuvens e diversas outras coisas,além de ser invisível mas poderoso e notável, os usos dados pela a Bíblia abrangem esses atributos que o mesmo tem.

Desta forma podemos entender melhor alguns textos bíblicos que aparecem traduzidos como espírito. Na maioria das vezes, quando aplicado a seres humanos, o espírito se refere ao que o impulsiona, motiva, inspira a fazer algo. Quando se refere a Deus (como João 4:24), muitas vezes nos faz refletir em Sua natureza, comparando-a à do vento.

Espero que tenha ajudado.
___________________

* Essas são as línguas que se acreditam serem as originárias dos textos bíblicos, sendo a língua hebraica a original do Antigo Testamento, tendo uma tradução helenísta (a septuaguinta), e a grega a originária dos textos neotestamentários. As versões latinas são traduções dos manuscritos dessas duas línguas.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Um Deus ou Deu é um?

Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.
Legião Urbana, Índios.
Como a própria letra acima diz, uma das maiores dificuldades de compreensão da trindade é de como um Deus pode ser três. Isto não é politeísmo?

Muitas tentativas foram feitas para tentar explicar como isso seria possível. Algumas clássicas são as três partes do ovo (casca, clara e gema), a dos três estados da água (líquido, sólido, gasoso) e ultimamente estão tentando mostrar que Deus é um título que só quem tem os atributos corretos pode exercê-lo.

Por mais que pareça complicado, não o é tanto. Qualquer noção de substantivo coletivo poderia explicar como este "um" significa um grupo. Se levarmos os vocábulos que designam o Deus bíblico como termos que se referem a divindade como um todo, isto não se complica tanto.

Tenho um exemplo que poderia ajudar a entender isso, que se encontra em um anime japonês entitulado Naruto. No episódio cinco (veja aqui), aos 19 minutos e 30 segundos vemos a colocação do trio: "Nós três somos um".

Na própria Bíblia há exemplos de duas pessoas serem consideradas uma, como:

"Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne". Gênesis 2:24

Por isso, para os trinitarianos, não há dificuldade em ver a divindade em três pessoas. Por isso a declaração: "Um Deus em três pessoas". Para eles, Deus não é um, mas três, ao mesmo tempo que só há um Deus (uma divindade). Ou seja, A divindade subsiste em três pessoas.

E aí? Melhorou ou piorou?

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Obrigado Senhor, pelos 30 anos de vida.


Estou completando amanhã (09/12/2009) às 13 horas exatos 30 anos de vida.

Claro que acima de todos tenho que dar graças a Deus por tudo que ele tem me dado, inclusive a vida.

Dou graças a Ele, pois de um modo misterioso me selecionou.
Dou graças a Ele, pois se meus pais não se conhecessem eu jamais existiria.

Sou grato também por ter me mantido até aqui. Ter me feito conhecê-lo e vindo a amar passar tempo estudando as Santas Escrituras.

Não estou onde sonhava estar neste momento.
Não conquistei nem o básico de uma vida dita normal.
Não vivi todas as emoções.
Não aprendi tudo que almejava.

Mas Deus me mostrou que há tempo para tudo, afinal, dEle é a eternidade.
Ele prometeu sonhos muito maiores.
Ele transformou meu modo de ver as coisas.
Ele me deu satisfação em fazer sua vontade.

Por causa dEle, também, sou grato:
Pelos amores não correspondido, pois me fez entender o que Ele passa a cada dia com seus filhos;
Pelos amores que não correspondi, pois me ensinaram que minha existência e minhas escolhas fazem diferença na vida de outras pessoa;
Por reconhecer minhas falhas, pois por elas reconheço quão preciso de Deus;
Por aprender a reconhecer que tudo de bom que eu vim a fazer é por que tu o fizeste em mim.

Obrigado, obrigado e obrigado, por tudo que tens feito por mim.

Principalmente...
... por ter me amado.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Ambiguidades como um meio de se contemplar a verdade.

Lembro-me de como fiquei impressionado ao ver minha professora de Psicologia da Educação começou a explicar os processos de aprendizado de uma criança através de hipótese, analise da hipótese e reelaboração da hipótese.

Para quem não entendeu patavinas, é o como as crianças elaboram sua compreensão de mundo. Ela encontra por observação ou por dogma alguma máxima e a aplica na realidade e quando confrontada se inicia um conflito interno para se responder a dificuldade encontrada em sua máxima.

Por exemplo, um aluno é indagado como é que o alimento se transforma em energia. A criança responde que depois de mastigarmos, os pedacinhos que engolimos são distribuidos para o resto do corpo. A professora, para tentar entender exatamente o que a criança quis dizer com aquilo, ela pergunta em forma de afirmação que então se ela cortasse com uma faca (Deus me livre) o braço e olhassemos dentro veriamos os pedacinhos de comida. A criança para e começa a pensar e refletir sobre aquilo, pensando em possibilidades de se entender melhor aquele conceito ou de até descartá-lo.

O conflito é totalmente necessário a educação. Para aprendermos temos que por em debate continuamente o que tomamos como verdade. Isto é o que a ciência propõe e, por mais que impressione, a Bíblia também.

Não é raro se ver ambiguidades no texto Bíblico. Ambiguidades estas que forçam-nos a repensar dogmas e doutrinas aprendidas em nossas casas de oração. A Bíblia tem partes dogmáticas, mas mesmo estas partes entrão em debate (nela mesmo) a todo o tempo.

O convívio com a ambiguidade é totalmente natural ao meio acadêmico, mas mal visto por muitos (não todos) religiosos por acreditarem que o canône sagrado não pode se contradizer.

O próprio Jesus apontava contradições na Bíblia, mas não de forma a diminuí-la, pelo contrário, de forma a levar os leitores e ouvintes a refletir na complexidade dos ensinamentos divinos.

Que possamos ser melhores aprendizes e que tomemos os conflitos e ambiguidades como formas de aprendermos da sabedoria expressa nesse livro maravilhos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Trindade

Um dos temas mais discutidos entre os religiosos é o tema da trindade.

Entre os religiosos, pois a academia não se exime de ver um resquício de politeísmo na fé hebraica, descrito desde Gênesis. Isto é um grande problema para os religiosos que veem as Escrituras como um livro inspirado por Deus, sendo descartada por completo por eles. Excluída está possibilidade, só resta o estudo sola scriptura, que traz um ferrenha batalha no campo da exegética dos dois lados.

Na nota de rodapé da Bíblia de Jerusalém (p. 34, nota "d") encontramos o seguinte comentário do verso 26 do capítulo 1, que mostra Deus falando consigo mesmo no plural:
Não parece ser um plural majestático e não se explica também pelo simples fato que o nome Elohim é um plural quanto a forma, pois ele é usado quase sempre como nome próprio do verdadeiro Deus e acompanhado normalmente de um verbo no singular. Embora seja raro em hebraico, parece que temos aqui um plural deliberativo: quando Deus, como em 11,7, ou não importa qual outra pessoa, fala consigo mesmo, a gramática hebraica parece aconselhar o emprego do plural. O grego (seguido pela Vulgata) do Sl 8,6, retomado em Hb 2,7, compreendeu este texto como uma deliberação de Deus com sua corte celeste (cf. Is 6), com os anjos. E este plural era uma porta aberta para a interpretação dos Padres da igreja, que viram já sugerido aqui o mistério da Trindade.
Vemos aqui um posição muito mais aberta do que a religiosa, dando abertura para diversas interpretações mais dogmáticas. Assim é a Bíblia de Jerusalém, que conta com vários acadêmicos em sua composição (veja mais aqui), mas não podemos esquecer que ela é uma Bíblia católica.

Pelo que vocês viram, isto não defini de forma alguma a questão da trindade, mas utilizo este texto para introduzir o marcador "Trindade". Nele quero mostrar as visões conflitantes a respeito deste tema polêmico que pretende mostrar melhor a natureza de Deus aos que tomam a Bíblia como a palavra inspirada de Deus.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Zeitgeist Refutado


Apesar de ir contra várias instituições e intentar mostrar a verdades "ocultas" nelas, "Zeitgeist" é um filme que ataca frontalmente o cristianismo.

A resposta Cristã as suas afirmações controversas veio neste filme, também divulgado pela internet "Zeitgeist Refutado".

O filme mostra como incoerêntes as provas que o primeiro faz, alegando que o Cristianismo é uma imitação de outros mitos.

Apesar de conter ataques a outras religiões e inoerências argumentativas ""Zeitgeist Refutado" é mais coerente que o primeiro, e mostra como "Zeitgeist" estava mal intencionado. Assista "Zeitgeist Refutado" logo abaixo (apesar das minhas críticas, vale a pena):



Caso não encontre as outras partes, clique aqui.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Homossexualismo definido geneticamente?


A revista Isto É desta semana vem com uma reportagem intitulada "11 perguntas que os cientistas ainda não conseguem responder" (veja aqui). A oitava dessas perguntas é exatamente sobre o título dessa postagem (veja aqui).

Fica claro aqui que não há um real consenso científico a respeito do assunto. Na verdade, o que está acontecendo é que muitas pessoas tentam usar a autoridade atribuida a ciência para diminuir os preconceitos (uma boa intenção, mas que leva a uma falsificação da realidade) que existem contra os homossexuais. Infelizmente uma mentira não ajuda em nada, só mascara a realidade complexa que há na homossexualidade.

Não sei se vocês já tiveram algum amigo gay que lhes disse: "Como pode ser errado, pois Deus me fez assim", usando os argumentos incertos, passados como certos pela maior parte da mídia.

Esse costume está tão arraizado que homens adulteros usam o mesmo argumento dito científico para mostrar que só está seguindo o que ele está geneticamente disposto. Imagine se pedófilos e estrupadores começarem a se apoiar na ciência para justificarem seus erros. Imaginem se ladrões e assassinos fizerem o mesmo. As prisões ficaram mais e mais vázias.

Nossas paixões sexuais não podem ficar presas a falsas afirmações que são chamadas ciência. Deus definiu nossa orientação sexual na criação do mundo e o que passa disto é desvio.

Felizmente, a Bíblia apresenta uma salvação para todos aquele que não encontra força para vencer o pecado. Não é porque nós erramos em nossa vida sexual (ou em qualquer outro aspecto) que a palavra divina nos deixa desamparado.

Davi, que cometeu adultério seguido de mentiras e assassinatos pediu uma simples coisa a Deus:
"Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto". Salmo 51:10
O "Cria" (barah) refere-se a um verbo que só é usado na ação criativa de Deus (veja nota do verso na Bíblia de Jerusalém, p. 916 nota a) que faz surgir algo do nada. Davi então está reconhecendo que só Deus pode fazer um coração diferente, e também diz que o seu atual coração não tem nada de proveitoso, pedindo que Deus o crie do nada.

O verdadeiro desejo de Deus para o pecador é:
"Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?" Ezequiel 33:11.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Arqueólogos Brasileiros na Isto é


Rodrigo da Silva, Cintia Alfieri Gama e Jorge Fabbro são os arqueólogos brasileiros apresentados pela reportagem da revista Isto É desta semana (edição nº 2090, p. 80).

Uma reportagem que me encheu de inveja (como gostaria de ser como eles) pois sonho em poder estudar a Bíblia arqueologicamente.

Que Deus abençoe o trabalho desse grupo, que encontra tanta dificuldade para pesquisar sobre nossos antepassados.

Veja a reportagem aqui.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Parábolas

Segundo o Priberam, parábola é: " Narração alegórica que envolve algum preceito de moral, alguma verdade importante".

Já o Dicionário Bíblico de John D. Davis acrescenta que a mesma pode conter um ensinamento religioso (veja p. 443, é um bom estudo).

Mas... por que trazer este assunto? Para ficar claro que parábola não pode ser vista como um todo sobre a verdade bíblica. Não poderíamos pegar uma única parábola e por ela descrever por inteiro as verdades espirituais.

Vamos a um simples exemplo para mostrar como Jesus conhecia essa limitação que as parábolas tem e como ele a superou.

O texto é o de Lucas 15, que traz, provavelmente, a mais conhecidas parábolas que Jesus já contou.

Lucas 15 começa com a parábola da ovelha perdida pelo pastor que não titubeou para largar as noventa e nove para trazer de volta uma única. Depois vêm a da dracma perdida por uma mulher que procurou por toda a casa incansavelmente até achar a moeda que valia tão pouco para o comércio, mas que recebeu tanta dedicação vinda de sua dona.

Por fim, talvez a mais conhecida e repetida das parábolas: a do filho pródigo.

Se formos levar cada uma das parábolas em sua literalidade a sério com certeza não demonstraríamos o verdadeiro espírito que Jesus queria passar nessa sequência de parábolas.

Vejam: Deus não é de abandonar seus filhos para buscar a outros (Gn 28:15; Is 49:15) ; muito menos desleixado o suficiente para perder um de nós (Hb 2:13); muito menos passivo para esperar o filho se arrepender sem constante apelo Seu (Jr 31:3; Fp 2:13; At 7:51).

Agora vejam como elas juntas se completam. Na primeira, Jesus nos ensina que mesmo por uma única ovelha Deus estaria disposto a vir atrás, pois seu valor é único e inestimável para ele, mesmo sendo um ser sem valor a vista das outras pessoas (parábola da dracma) e que há festa para aquele que se salvou, pois o mesmo estava longe da graça do Pai, contrastando do irmão que já vinha recebendo as bênçãos da presença do pai.

Espero que tenha ficado claro o porquê não devemos levar a parábola de modo literal, pervertendo, assim, os ensinos maravilhosos de nosso Senhor.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Usando a Bíblia contra a própria Bíblia

Uma das maiores autoridades de todos os tempos em diversos povos no mundo é a Bíblia Sagrada. Chego ao atrevimento de dizer que é a maior autoridade escrita de todos os tempos.

Claro que não são todos que a adotam como regra de fé e sabedoria, mas por ter estas funções para um grande número de pessoas, ela é usada para defender argumentos e idéias a respeito de diversos assuntos, inclusive sua veracidade como palavra de Deus ou não.

Ela é usada por ateus para afirmarem a inexistencia de Deus, por ufologos para comprovar a existência de vida alienígena, por pessoas de religiões não judaicas-cristãs para comprovar sua fé e, o mais comum de todos os usos, o por diversos seguimentos religiosos judaicos-cristãos para mostrar erros das outras religiões e confirmarem a sua própria.

O debate sobre os escritos bíblicos realmente não é novo. Em Jó vemos uma discussão sobre interpretações das noções da providência divina, perpassando por diversas noções bíblicas, apesar de não citá-las explicitamente. Mas o maior de todos as discussões e mais icônicas sobre o assunto é de Jesus e o Diabo, na tentação do deserto (Mt 4:1-11; Lc 4:1-13).

O uso das escrituras por Jesus é algo completamente compreensivo no texto, pois a mesma é como uma revelação de seu ser (João 5:39). O realmente impressionante é o uso das escrituras por seu maior adversário.

O uso da Bíblia pelo Diabo tinha a intenção de fazer o mesmo tropeçar na interpretação da mesma, fazendo com que a obdiência a mesma levasse Jesus a se afastar do Pai.

Neste momento poderíamos pensar: "O que fazer então, se a própria Bíblia pode nos levar a condenação?". A resposta vem do próprio salvador. Ele responde com a própria Bíblia.

A interpretação parcial dos textos bíblicos podem nos levar a más interpretações que podem nos levar a destruição, além de podermos levar outros a completa destruição.

A Bíblia deve ser lida com muito cuidado, amor, orientação, contextualização e, principalmente, com o santo e bom Espírito de Deus.

Por favor, não deixe a própria Bíblia ser motivo de sua destruição.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alma


Incrível como a noção de alma bíblica foi completamente perdida em meio as traduções e místuras com outras traduções.

Muitos leitores da Bíblia hoje, sempre quando se deparam com essa palavra, pensam numa entidade que vive dentro do corpo, o que foge completamente da noção dada pela Bíblia.

Os acadêmicos, com seu ceticismo habitual, conseguem ver melhor o que realmente o texto bíblico diz, em contraposição a maioria das religiões.

Na Bíblia de Jerusalém, a seguinte nota explica um pouco sobre os conceitos antigos do termo hebraico nefeš , que é encontrado em várias línguas semíticas e que abrangem o seguintes sentidos:
"O termo hebraico nefesh (cf. Gn 2,7) designa a respiração vital (e por extensão a garganta), que está no princípio da vida e que se retira por ocasião da morte. O termo designa frequentemente o homem, ou o animal, como indivíduo animado (Gn 12,5; 14,21; Ex 1,5; 12,4 etc.), ou nas diferentes funções de sua vida corporal ou afetiva, sempre ligadas entre si (cf. Gn 2,21+). A expressão "minha alma" [o contexto desta nota é Sl 6:5] equivale frequentemete ao pronome reflexivo "eu próprio, mim mesmo" (cf. Sl 3,3; 44,26; 124,7; Gn 12,13; Ex 4,19; I Sm 1,26; 18,1-3 etc.), assim como "minha vida", "minha face", "minha glória". Estes diferentes sentidos de "alma" permanecerção vivos no NT (psychê; cf. Mt 2,20; 10,28; 16, 25-26; I Cor 4,16+; 15,44+)".
Bíblia de Jerusalém, p. 868, nota a).

Precisamos aprender mais sobre o que a própria Bíblia diz sobre ela, para que, no mínimo, não a interpretemos segundo nossos "pré-conceitos".

Serpente Alada de Heródoto

Acabei descobrindo uma citação de Heródoto, um antigo historiador grego (veja aqui), sobre uma serpente alada. Veja a descrição abaixo, ou no site que contém o seu livro História traduzido aqui:
LXXV — Há na Arábia, perto da cidade de Buto, um certo lugar para onde me dirigi, a fim de me informar sobre as serpentes aladas. Vi, logo à minha chegada, uma quantidade prodigiosa de ossos e de espinhas dessas serpentes. Esses ossos — grandes, médios e pequenos — estão espalhados por todos os lados. O local em que se encontram fica situado numa garganta apertada entre duas montanhas, de onde se abre vasta planície que confina com a do Egito. Dizem que as serpentes aladas voam da Arábia para o Egito assim que chega a Primavera, mas que as íbis, indo ao encontro delas no ponto de junção do desfiladeiro com a planície, impedem-nas de passar, matando-as. Os Árabes asseguram que é em reconhecimento desse serviço que os Egípcios têm grande veneração pela íbis, e os próprios Egípcios confirmam isso.

CIX — Se as víboras e as serpentes voadoras da Arábia não morressem senão de morte natural, a existência se tornaria impossível para os homens; mas acontece que, quando o macho e a fêmea se unem no coito, esta, no momento do espasmo, agarra fortemente a garganta do companheiro, estrangulando-o e devorando-o em seguida. Assim perece o macho. A fêmea recebe, por sua vez, a punição: os filhotes, no momento de nascer, roem-lhe o útero para abrir passagem, vingando, dessa maneira, a morte do pai.
As outras serpentes, que não fazem absolutamente mal aos homens, põem ovos, dos quais vemos sair uma multidão de pequenas serpentes. Há, como ninguém ignora, víboras por toda a terra, mas só na Arábia se encontram serpentes aladas, motivo por que seu número é sempre pequeno em relação às outras.


Veja também as seguintes postagens "Cobra com patas" e "Cobra alada".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Bíblia de Jerusalém

Esta postagem abrem o marcador de Bíblias.

Muitas pessoas tem dificuldade de entender as diferentes versões das traduções Bíblicas e por isso gostaria de sempre que possível, postar comentários sobre o que senti de cada tradução que li da Bíblia Sagrada.

A que estou fazendo o ano bíblico atualmente é a Bíblia de Jerusalém. A muito tempo venho ouvindo que esta é a melhor tradução já feita da Bíblia, mas isto já é um tanto difícil de dizer. Que ela é muito respeitosa, sem dúvida.

A Bíblia de Jerusalém é uma tradução crítica da Bíblia Hebraica, incluindo notas que indicam tanto algumas visões de interpretações de rabinos e padres antigos, mas respeitando também os mais atuais estudos da Bíblia Hebraica.

Além de seu aparato crítico em respeito do entendimento dos textos, também há explicações sobre os motivos das traduções, diferenças entre as várias fontes (hebraica, grega, latina, etc) e outras possibilidades de tradução.

Seus comentários são muito bem elaborados e fogem das intenções dogmáticas sobre as traduções bíblicas. Ela é realmente aberto, quer dizer, ele é na maioria das vezes aberta a novas interpretações.

Há contradições em comparação de alguns comentários, mas são raras e, normalmente, seguindo alguma idéia religiosa mais recente do que contextualizada (ninguém é perfeito, né?).

Na minha opinião é uma ótima Bíblia para quem quer se aprofundar nos estudos. Ótima para estudantes de hebraico e estudos acadêmicos da Bíblia. Suas introduções muitas vezes tem um quê literário, com uma profundidade espiritual incrível.

Não aconselho para as pessoas que estão começando a se familiarizar com a Bíblia agora, pois ela é estramamente exaustiva.

Assim que possível, postarei opiniões sobre outras traduções da Bíblia.