terça-feira, 21 de março de 2017

Revolução nos estudos sobre alimentação

... você terá que alimentar-se das plantas do campo.
Gênesis 3:18
Assisti vários documentários sobre alimentação nos últimos dias, todos no Netflix. Desde os anos 90 sou interessado no assunto, por ligar nossa saúde física e mental à alimentação natural.

Dos vários que existem no Netflix, os que assisti foram: Fat, sick and nearly dead, onde Joe Cross mostra sua experiência com um jejum de suco de vegetais que usou durante sessenta dias para se recuperar de uma doença rara sem o auxílio de remédios. Ele também dirigiu o Fat, sick and nearly dead 2, onde mostra a continuação de sua vida e a importância de manter os vegetais como a maior fonte de alimentos para o corpo, e The kids menu, que mostra algumas soluções para envolver e promover a alimentação natural para as crianças.

Foodmatters é o que mais gostei, por achar equilibrado e ter tantos especialistas falando a respeito da necessidade de uma dieta a base de plantas. Já Cowspiracy traz evidências de que o impacto negativo que nós temos na  natureza vem especialmente por causa da criação de gado para o abate, inclusive a poluição do ar.

A alimentação cárnea não é a original do homem criado por Deus, como vemos no texto introdutório. Assim que o homem peca, a alimentação muda. Em Gênesis 2:16 e 17, o homem recebe como alimentação os produtos das árvores, mas após o pecado há uma pequeno acréscimo: as plantas do campo.

A alimentação cárnea é indicada por Deus somente após o dilúvio, nos levando a crer que a falta de vegetais levou essa permissão (Gênesis 9:1-4). Veja que o dilúvio ocorreu por causa do pecado generalizado (Gênesis 6:3). Interessante que após o dilúvio, o tempo de vida das pessoas descritas no texto sagrado vivem bem menos. Bem mesmo. Os antediluvianos como Matusalém, o qual morreu bem próximo do fechamento da arca, chegaram a viver 969 anos (Gênesis 5:21-27).

Mas não se iluda com o texto de Gênesis 9:4, pois não era toda a carne que se podia comer. Só ás limpas eram para consumo humano. Você pode ver que se comesse dos animais que só tinham um casal, a raça se extinguiria para sempre, mas na arca entraram um casal dos animais impuros e sete casais dos limpos (Gênesis 7:2 e 3). Qual você acha que Noé e sua família se alimentaram? Essas restrições ficam mais claras ainda depois do sinai, onde Deus dá uma lista dos animais que se pode e não se pode comer (Levítico 11). Além dessa descrição temos a proibição de comer essas carnes com sangue e as partes da carne.

Arqueologicamente vemos que as pessoas comuns dos povos de todos os tempos comiam pouca carne, pois não tinham como se alimentar sempre dela. O gado é posse. Os modos de conservação não eram bons como os temos hoje também. Os reis, faraós e outras pessoas que poderiam se servir com maior abundancia de carne, acabavam sofrendo de doenças cardiovasculares e de obesidade. Na verdade, só no século XVIII e XIX de nossa era que a carne se torna tão consumida em nossa sociedade, mas nada igual o que existe hoje.

No século XIX, houve uma grande revolução na ciência médica e de cuidado da saúde. Grandes estudos, experimentos e teorias foram feitos e, em meio a esse ambiente, nasceu uma igreja que acaba se envolvendo na área da saúde de forma impressionante, criando sanatórios, produtos alimentares a base de plantas e estilo de vida que melhoram a qualidade de vida e curam doenças através de tratamentos naturais. Essa é a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Segundo os escritos de Ellen G. White, a qual os adventistas acreditam ser uma profeta de Deus, cumprindo em parte o que diz em Joel 2:28, Deus deu uma mensagem para esse povo viver e pregar, segundo sua missão dada na terceira mensagem angélica de Apocalipse 14:9-12.
Aqui está a perseverança dos santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus.
Apocalipse 14:12
Obedecer os mandamentos de Deus envolve as leis de saúde, ou seja, ar regras importantes de se seguir para termos boa saúde. Essa visão fez com que essa igreja se importasse em criar clínicas e hospitais que funcionam até hoje, além de escreverem muita literatura para ensinar a todos como viver mais próximo ao plano original de Deus quanto ao que comer e como viver, mesmo nesse mundo de pecado.

Depois de um estudo com os adventistas de Loma Linda (Califórnia) (veja um pouco nesse link e pesquisando sobre o programa SBT realidade e Loma Linda), o estilo de vida que eles pregam e vivem dá uma melhoria de vida muito grande aos que o adotam.

Esses estudos e pesquisas sobre alimentação mostram que Deus sempre soube o melhor para nós. Alguns cristãos atentos ao texto bíblico já perceberam que é importante rever o excesso de consumo cárneo (principalmente depois da operação "carne fraca") e a importância de cuidar de nosso corpo, por ele ser um templo onde queremos que o Espírito Santo habite da melhor forma possível (1 Coríntios 3:16 e 6:19).
Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma.
3 João 1:2

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Holy Hell

Este é um documentário sobre a experiência de pessoas que viveram numa seita chamada Budhafield, incluindo o diretor Will Allen, o qual viveu nela e com seu líder narcisista por 22 anos.

Documentários como esses nos fazem refletir nos moldes que a religiões tem usado para cultivar e manter seus fiéis. Não é uma questão de Deus, mas uma de liderança espiritual. Também sobre lavagem cerebral e tornarmo-nos pessoas incapazes de pensar sobre alguns aspectos de nossa religião.

Mesmo em meio a tamanhas mentiras, os entrevistados perceberam que o que os mantiveram tanto tempo naquele lugar era os membros, e não especificamente o líder. O ambiente de aceitação e camaradagem faziam que eles não quisessem abandonar o grupo, e continuavam recebendo abusos e escondendo-os.

Todos nos vivemos em famílias, sejam de sangue ou lugares que nos aproximam da sensação de estarmos fazendo parte de algo. Muitos abusos acontecem nesses ambientes e, por não querermos perdê-lo, acabamos sofrendo em silêncio nesse ambiente, sem termos alguém para contar ou desabafar.

Um ambiente saudável envolve a possibilidade de ser ouvido e de ter uma opinião diferente. Aceitação não é concordar com tudo que o outro faz, mas continuar amando. Para isso ficar claro para a outra pessoa é necessário resolver a situação emocional que a discordância acaba trazendo, e isso deve acontecer rapidamente como dito em Efésios 4:26: "Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha" (NVI). E amar, segundo a Bíblia, é não folgar com a injustiça (1 Co 13:6), e a repreensão é um ato do amor, "pois o Senhor disciplina a quem ama"(Hb12:6, NVI).

Sabe, ter o controle sobre a vida das pessoas não é algo que nem Deus faz. Ele dá liberdade, a verdadeira liberdade. Ele expande a mente para as verdades do universo, não fantasia sobre o presente. Os profetas, inclusive, eram homens que desafiavam a religião atual por ordem de Deus, mostrando seus erros para com seus fiéis. Isso mostra que qualquer líder religioso pode acabar se tornando um manipulador, seja por ordem de outros, sem se perceber ou por desejo próprio.


Um livro que trata disso é Manipulação, dominação e controle de Yinka Oyekan. O livro não só fala das formas de manipulação mas de como podemos evitar sermos manipulados, manipuladores ou deixarmos de ser ambos.

Mas como Cristão que crê num Deus que odeia esses instrumentos satânicos, creio que Deus usa seu Espírito Santo para nos guiar nos bons caminhos. Que nos ajuda a decidir e repreende o erro, não nos manipula contra nossa vontade, mas nos conduz para verdadeira sabedoria para revelar uma verdade que só pode ser revelada se a outra pessoa estiver com o mesmo Espírito Santo agindo em seu coração e ajudando-o a entender as verdades espirituais.

Sei que para muitos o que ocorreu com esse grupo é um ataque mortífero a qualquer tipo de fé, mas a verdadeira fé vai continuar ecoando, por mais que haja maus exemplos e erros vindo de falsos mestres e até de verdadeiras pessoas espirituais.

Que Deus nos guie nos seus caminhos sempre. Amém.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Sermão: A história de Zaqueu.

A História de Zaqueu

Hino Inicial:
Hino Final:
INTRODUÇÃO
1. Texto: Lucas 19:1-10.
2. Contexto: .
3. Objetivos: (1) procurar a conversão genuína.
4. Proposição: (1) entender como Jesus atraí as pessoas a Ele; (2) perceber que o trabalho do Espírito Santo é anterior ao encontro com Jesus; (3) notar que os frutos do Espírito ocorrem muitas vezes antes mesmo do encontro com Jesus.

ARGUMENTAÇÃO
I. Zaqueu procurou ver Jesus – v. 4.
1. Foi atraído a Deus.
2. Foi atraído a Cristo.
3. Este é o papel do Espírito Santo.
II. Zaqueu recebeu Jesus com alegria – v. 6.
1. Era considerado pecador por todos.
2. Teve atitude humilde e de adoração.
III. Zaqueu demonstrou frutos de salvação – v. 8.
1. Ele mudou de atitude (não de profissão).
2. Filho de Abraão (tinha fé de Abraão).

CONCLUSÃO

1. Orar por genuína conversão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sermão: A Sabedoria é Vida

A Sabedoria é Vida

Hino Inicial: 302
Hino Final: 263
INTRODUÇÃO
1. Texto: Eclesiastes 9.
2. Contexto: Explicar sobre o livro de Eclesiastes.
3. Objetivos: (1) Entender a mensagem principal do livro; (2) aplicar o cerne do livro à vida.
4. Proposição:.

ARGUMENTAÇÃO
I. Tensão Morte e vida
1. Casa de morte – Eclesiastes 7:2 .
2. Sabedoria dá vida – Eclesiastes 7:12 .
Obs.: A tensão de morte do livro é para dar mais força à vida, ou seja, entender que na morte não há nada traz uma vontade maior de viver.
II. Os deveres
1. Guardar os mandamentos – Eclesiastes 12:13.
2. Fazer tudo da melhor forma – Eclesiastes 9:10.
III. A verdadeira recompensa
1. Comer e beber – Eclesiastes 9:7.
2. Vestes brancas e azeite na cabeça (dignidade e magestade) – Eclesiastes 9:8.
3. Aproveitar a vida com o amor de sua vida – Eclesiastes 9:9.

CONCLUSÃO

1. Procure a Sabedoria, procure a vida e com certeza Jesus a dará com abundância (João 10:10).

Sermão: O Dom do amor

O DOM DO AMOR

Hino inicial: 123
Hino Final: 115
INTRODUÇÃO
1. Texto: 1 Coríntios 13:4-13.
2. Contexto: Do capítulo 12 ao 14 da primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo fala sobre os dons espirituais com a intenção de resolver a desorganização e desunião na igreja de Corinto, causadas pela má compreensão e mal uso dos dons nela. Em meio à argumentação crescente a respeito do funcionamento dos dons espirituais na igreja, ele afirma que os coríntios deveriam procurar zelosamente os melhores dons e, logo em seguida, promete apresentar o caminho mais excelente (12:31), começando, deste modo, as suas declarações sobre o dom do Amor (capítulo 13). Já no capítulo 14 verso 1, ele conclui apelando para que sigamos esse caminho.
3. Objetivos: (1) Explicar a supremacia do Amor perante os outros dons; (2) Levar o ouvinte a procurar conhecer melhor esse dom; (3) Levar o ouvinte a praticar esse Amor.
4. Proposição: Todo o dom dado por Deus contém o dom do Amor, o qual se desenvolve até sua perfeição, sendo o único que jamais passará.

ARGUMENTAÇÃO
I. O DOM DO AMOR É ALTRUÍSTA
1. Suas qualidades beneficiam outros – v. 4, 5 e 7.
2. Suas qualidades negam o egoísmo – v. 4, 5 e 7.
3. Suas qualidades estabelecem a justiça – v. 6.
II. O DOM DO AMOR É ETERNO
1. Há dons passageiros – v. 8.
2. Há dons permanentes – v. 13.
3. Os passageiros serão destruídos quando os permanentes se tornarem perfeitos – v. 8-12.
III. O DOM DO AMOR É SUPREMO
1. O dom do Amor é maior que o dom da Fé – v. 13.
2. O dom do Amor é maior que o dom da Esperança – v. 13.

CONCLUSÃO
1. O amor é altruísta, eterno e supremo. Essas são algumas coisas que aprendemos do Amor hoje. Mas nós estamos longe de entendê-lo por completo.
2. Procure a cada dia aprender mais desse amor, o qual é manifesto plenamente através de Jesus Cristo em toda a história da redenção.

3. E, ao aprender desse Amor, o qual é presente de Deus, ponha-o em prática, pois só assim poderemos ser valorosos diante de Deus.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que vem com a Morte?


Deveras todas estas coisas considerei no meu coração, para declarar tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante ele.Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração enquanto vivem, e depois se vão aos mortos. Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
Eclesiastes 9:1-6
Na madrugada dessa terça-feira o Brasil foi impactado com a notícia da morte de 71 pessoas no acidente aéreo na Colômbia com a delegação do time brasileiro de futebol Chapecoense. Na verdade, não só o Brasil se comoveu, mas o mundo inteiro prestou suas condolências ao saberem dessa fatalidade.

Os clubes brasileiros estão tomando atitudes de solidariedade ao clube e o governo de vários países tentam ajudar nesse momento de dificuldade para os familiares, amigos e a cidade de chapeco, por serem os mais afetados pela tragédia.

Mas o que mais me chamou a atenção é o que ocorreu poucas horas depois da tragédia ser anunciada. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético mineiro e toda a última rodada do Campeonato Brasileiro, atitude totalmente diferente do que aconteceu 22 anos atrás quando um herói nacional morria num acidente de fórmula um: o piloto Ayrton Senna.

No dia 1º de Maio de 1994 morreu o que talvez foi o maior piloto de fórmula 1 que o mundo já conheceu. Foi no prêmio de Imola na Itália que aconteceu, mas ele não foi o único piloto a se acidentar nesse prêmio e, infelizmente, não foi o único a morrer. No treino classificatório já havia morrido o piloto Roland Ratzenberger e vários outros acidentes sérios tinham ocorrido. Todos os pilotos estavam abalados e, inclusive o brasileiro. Ele ainda pediu para não correr, mas, como dizem nos show business "o show tem que continuar". Mas há coisas mais importantes que o intertainment.

Se a atitude dos dirigentes da fórmula 1 fosse igual ao dos do futebol da CBF e da Comebol, provavelmente teríamos por mais tempo nosso píloto mais estimado.

A morte, segundo a Bíblia, é o último inimigo a ser vencido (1 Coríntios 15;26). Mesmo assim a morte trás algo importante: a reflexão do valor da vida. Em meio a morte olhamos para a vida, o que há de bom, e isso traz o que há de melhor em nós.

O jogador Alan Ruschel pediu para que guardasse sua aliança, outros jogadores que chegaram vivos perguntaram sobre a família nos levando a ver que pessoas acostumados a agradar multidões ainda precisam do mesmo fundamento base que todos nós precisamos, a família (Veja Eclesiastes 9:9).

Em meio à morte, nos voltamos mais fortemente a vida, procurando o que ela há de melhor. Procuramos o mais importante na vida e isso nos faz aprender o que realmente é viver, e viver com abundância. Esse é o motivo de Salomão (o mais aceito autor de Eclesiastes) dizer "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração" (Eclesiastes 7:2).

O texto que escolhi não o fiz por querer defender uma doutrina ou para ser dramático, mas para mostrar a real essência do livro de Eclesiastes: como devemos viver a vida. O que realmente importa? Viver em abundância e o livro dá várias dicas disso. Como a música dos titãs diz, devemos "saber viver", e isso no livro de Eclesiastes, é viver com sabedoria. A Sabedoria é melhor que armas de guerra (veja Eclesiastes 9:14-18).

A morte é muito forte, mas sua força pode nos trazer cada vez mais vida. Só depende de nós, pois Deus nos indica esse caminho. A vida, afinal, é muito mais forte, e por isso ela vale muito mais ser apreciada do que a morte. A morte só serve para enaltecer a vida. Lembrar que ela é o primeiro presente de Deus e o único que faz com que aproveitemos os outros.

No filme "Um Sonho de Liberdade", Red indaga Andy sobre como não deveríamos fantasiar com sonhos inúteis, pois os dois tinham sido sentenciados a prisão eterna e jamais sairiam da prisão. Sonhar com uma vida fora era inútil. Andy respondi que só restava duas opções então: ocupar-se com a vida ou com a morte. Andy escolheu a vida, "porque melhor é o cão vivo do que o leão morto" (Eclesiastes 9:4).

A vida é boa, e devemos procurar a sabedoria divina para vivermos ela bem e ensinar outros a vivê-la bem. Aceita esse desafio?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Por que Deus não nos protege de todo o mal?

"...mas livra-nos do mal...." Mateus 6:13
Acredito que ainda éramos adolescentes, quando um dos meus melhores amigos, o qual desde sempre mostrou interesse em discutir e pensar sobre Deus e as questões da fé, abordou-me com o seguinte pensamento, depois de explicá-lo sobre algumas questões sobre Deus permitir o sofrimento humano:

"Eu tenho um filho. Eu o protejo de todos os males, inclusive com minha própria vida. Por quê, então, Deus que é nosso pai não nos protege também?"

Lembro-me que sua expressão de dor era tão verdadeira que não respondi nada. Se respondi, acho que era algo que talvez nem me convenceria. Ele estava sendo sincero. Sua necessidade de Deus era real, assim como a indagação que ele fizera.

Normalmente respondemos essa questão com o livre arbítrio, a eterna liberdade que temos entre escolher o mal e o bem, mas não vejo que é exatamente esse ponto que está em discussão aqui.

Nessa discussão acaba passando ainda pela origem do mal, o porquê dos bons sofrerem, da onipotência e bondade divina se contradizerem e assim vai.

Um livro inteiro da Bíblia nos ajuda a refletir sobre essas questões: o livro de Jó.

Mas antes vamos tentar responder a questão inquietante de meu amigo, o qual não respondi a contento ao mesmo até hoje. Espero que agora possa fazê-lo.

O quanto protegemos nossos filhos? Totalmente? Inclusive sobre perigos de cair, tropeçar, sujar-se, gripar-se, e assim por diante?

Hoje sabemos das desvantagens de cercar demais nossos filhos dos perigos que rondam eles. Isso os torna inseguros, dependentes e não enxergarem problemas para evitar e quando em problemas, terem uma maior dificuldade de lidar com eles. A famosa frase "seu filho precisa ganhar anticorpos" é bastante repetida aos pais hiperprotetores.

Claro que não proteger o filho de nada é outro extremo que deve ser evitado. O sábio é realmente observar os riscos que o filho corre e ponderar sobre se deve ou não passar por ele.

Riscos de cair num barranco, ser atropelado, ficar com alguém suspeito, crianças pequenas sozinhas em casa são obviamente coisas que não devemos permitir nunca. Deste modo, um pai que ama o filho dá certa liberdade para ocorrer algum mal com o filho, sempre controlando para que o dano não seja irreparável, cortando qualquer coisa que estiver em seu poder para prejudicar seu filho permanentemente.

Talvez seja nessa parte do dano permanente que meu amigo quis falar sobre como protegia o filho. Nós, que temos muito pouco controle do que pode acontecer com nossos filhos, ainda assim temos que agir desse modo para o melhor desenvolvimento deles, imagine Deus, que tem poder para reparar qualquer dano físico ou psicológico feito por qualquer inimigo aos Seus filhos preciosos, deveria agir!

Deus tem o controle de tudo, inclusive a morte. É essa a mensagem que ele deixa para Jó no final de seu livro (Jó 38-41).

Veja o enredo de Jó. Jó é um homem integro, temente a Deus e se desvia do mal e por isso é alvo de Satanás ao ver o Supremo Criador elogiando este tão inspirador servo. Veja que Satanás não quer destruir somente os bens, família e saúde de Jó, mas sim a vida (Jó 2:3). Deus permite Jó perder tudo, mas limita a ação de Satanás, protegendo o que ele mais queria tirar, a vida de Jó. Depois de perder tudo, e ser tentado pela mulher a desistir de Deus e morrer (assim como Satanás queria), Jó encontra os amigos e mostra sinais claríssimos de depressão.

Seus amigos tentam consolá-lo e mostrar o caminho, mas acabam acusando a Jó de cometer um terrível pecado, apresentando a ele que só isso explicaria tamanhos males em sua vida. Jó se defende, e no processo acaba falando algumas barbáries sobre Deus. No fim, Deus aparece para Jó e mostra a Jó que ele não é capaz de entender todo o plano divino. Jó não pode nem entender a criação, muito menos entenderia o Criador. Jó reconhece que não conhecia a Deus como agora o conhece. Repare, esse conhecer veio do fato de ele se reconhecer como incapaz de perscrutar todos os motivos divinos para o seu sofrimento. Deus repreende os amigos de Jó e pede para Jó interceder por eles. A sorte de Jó é restaurada. Seus bens são dobrados e mais dez filhos lhe nascem.

Veja: Deus limita o dano, mas permite o mal. Os seus filhos passam por sofrimento, crescem e tem a sorte restaurada. Agora comparem a esses textos:
também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Romanos 5:3-5
Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações;Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
Tiago 1:2-4
Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações,Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso;Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
1 Pedro 1:6-9
Infelizmente não estamos mais no paraíso criado por Deus e seja lá qual for a criatura que nascer nesse planeta mal, ela sofrerá. Sofrer faz parte da vida. Depende de nós se sofreremos por nada ou para crescermos em graça perante Deus e os homens.

sábado, 10 de janeiro de 2015

é isto um homem? de Primo Levi

Este livro é o relato do próprio autor, judeu italiano, a respeito dos horrores que viveu no campo de concentração de Auschwits, e de como o funcionamento do campo desumanizava tanto judeus quanto soldados.

Em meio a rotina dura do campo, Primo Levi relata o efeito que a ajuda simples de um homem tinha em seu ser:
"... Não sei se tem sentido identificar as causas pelas quais a minha vida, só a minha entre milhares de vidas equivalentes, pôde resistir à prova; em todo caso, creio que devo justamente a Lourenço o fato de estar vivo hoje. E não é só por ajuda material, mas por ter-me ele lembrado constantemente (com a sua presença, com esse seu jeito tão simples de ser bom) que ainda existia um mundo justo, fora do nosso; algo, alguém, ainda puro e íntegro, não corrupto nem selvagem, alheio ao ódio e ao medo; algo difícil de definir, uma remota possibilidade de bem pela qual valia a pena conservar-se."
Esse texto lindo é minha parte favorita no livro. Não tem a ver diretamente com religião, pois o próprio autor não consegue conceber Deus depois dos horrores que viveu, mas tem a  ver com um efeito que muitos religiosos causam nos outros.

Pureza, bondade, integridade e honra dão vida. Pedro dizia que não se separaria de Cristo porque encontrava nEle palavras de vida (João 6:68). Acredito que é isso que podemos fazer pelo outro. Ser bons para darmos vida a eles, não importando se cremos ou não em Deus. Mas, claro, não são todos que estão dispostos a isso.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A questão do mal



Roteiro
Muitos conhecem a história de um anjo perfeito que, em meio a um ambiente perfeito, criou um sentimento maligno em seu ser.

Não são poucos que ridicularizam essa ideia dos teólogos. Dizem que seria impossível surgir o mal assim, como se ele fosse um germe que surge do nada num ambiente esterilizado.

Mas, há pouco tempo atrás, aprendi com Agostinho que o mal não é uma coisa, um vírus ou qualquer outra ideia material que possam dar a ele, por mais que seja completamente compreensível pensarmos assim.

O mal nada mais é do que uma atitude de desarmonia para com Deus.

Todo o ser livre criado por Deus tem capacidade de pensar por si mesmo, evoluir, crescer e desenvolver-se de diversas maneiras. Dúvidas comuns sobre como as coisas funcionariam e curiosidade são próprios dessas criaturas.

Claro que isso não significa que foram criados para desarmonia, mas que haveria um desenvolvimento pessoal gradativo. Entretanto, tudo isso explica como isso torna possível a existência do mal, principalmente num universo que não o conhecia.

Duvidar e indagar são coisas normais num universo perfeito. Escolha também.

Mas e se essa escolha causar mal aos outros? Foi exatamente esse tipo de escolha que Lúcifer fez, levando o mal ao conhecimento do universo.

Veja que, segundo os textos bíblicos, Lúcifer progrediu em seu comércio, palavra hebraica que também tem o sentido de fofoca ou calunia, mas isso não fez com que ele fosse expulso. Trazer guerra sim.

O pecado, quando consumado que produz morte, apesar que os mais sábios já viam podiam sentir a morte por trás das palavras do anjo de luz.

O mal existe por que podemos pensar e escolher por nós mesmos. A possibilidade de ficarmos contrários a Deus é a possibilidade de existir o mal.

Não há uma trava para não podermos ser contrários a Deus e seu reino. Só assim o mal poderia nunca vir a existir.

Isso me faz lembrar do filme Laranja Mecânica. A principal discussão era se era correto ou não impedirmos o livre arbítrio de uma pessoa.

E por que Deus ainda não acabou com o mal? Por que ele permite que ainda soframos? Ou pior, por que os bons sofrem? Não poderia ele proteger esses e deixar ao léu os maus?

Deus trata o mal de maneira diferente da que tratamos. Ele não evita que algo aconteça só porque aquilo pode dar errado, mas resolve a questão quando ela aparece.

Ele não deixa de ter um filho, mesmo com a possibilidade de ele se rebelar, mas ama-o por mais que sua vida seja finita. Apesar desse ser um sentimento raro nos seres humanos, ainda vejo algumas pessoas que tem essas características em comum com Deus.

Quem é mau, pode vir a ser bom, segundo a visão bíblica. Deus não dá uma ou duas chances. Ele dá todas. Mas até “todas” é um limite. Tem um momento que as chances acabam.

E por que os bons sofrem? Por que vivem num universo onde há atitudes más.

Onde existe desarmonia, existe sofrimento. Quem é bom sofre até mesmo pela dor do outro. Então, enquanto houver o mal, o bom sofrerá.

Também é necessário passarmos pelo mal para sabermos o que ele é, e nunca mais querermos que ele ressurja.

Por isso, quando o mal for extinto, será de uma vez por todas, sem precisar cauterizar o cérebro ou apagar a mente de ninguém, pois todos terão visto o que ele causa ao universo.

Mesmo quando novas criaturas inteligentes forem criadas, o testemunho dos salvos e dos não caídos darão convicção sobre a sabedoria de viver em harmonia com o universo e seu Deus.
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Quem é a noiva?

Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro;
Apocalipse 21:9

Segundo Paulo em sua analogia, Cristo é o marido e a mulher é a igreja (Efésios 5:22 e 23). Se compararmos com Jeremias 2:32 podemos chegar a conclusão que a noiva é o povo de Deus não é?

Bem, muitos pensam assim e aplicam isso, o que não é de todo errado. Mas há outra referência clara e que, em alguns textos, é a única possibilidade lógica.

Na parábola das dez virgens, por exemplo. Não tem como o povo de Deus ser as dez virgens e a noiva ao mesmo tempo. Vamos ver a resposta que encontramos no seguimento do texto acima:
e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus.
Apocalipse 21:10 e 11
Mas... como pode uma cidade ser a noiva? Leia o texto de Isaías 62:1-5:
Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. As nações verão a tua justiça, e todos os reis, a tua glória; e serás chamada por um nome novo, que a boca do SENHOR designará. Serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, um diadema real na mão do teu Deus. Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará. Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.
Veja que como estes textos misturam simbologias diferentes e magnificas juntas. Veja como a conquista da terra de Jerusalém para Deus tem o mesmo significado da conquista da noiva. Tem esse significado pois a palavra hebraica vem da mesma raiz. A conquista de uma terra se iguala a conquista de uma esposa. E a expressão "diadema real" traz um aspecto de realeza. Oras, não é próprio de um rei conquistar sua rainha pelo dote e sua terra pela força?

Essa simbologia é usada por Jesus em outras duas parábolas onde ele se remete exatamente a isto.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. (Lucas 12:36)
Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar.(Lucas 19:2)
Perceberam que há uma espera dos servos até que se cumpra a missão do seu senhor? Em ambas as parábolas vemos Jesus mostrando como seria enquanto ele estivesse longe e prestes a voltar. Mas o que não notamos é que ele dá dicas do porque estará longe.

Ele vai tomar posse da noiva e da terra e depois voltará. Isso se evidencia em Daniel 7:9, 10,13 e 14. Lá vemos que em meio a um tribunal, o filho do homem vem receber poder, glória e reino neste momento, ou seja, era lhe dado o que ele tinha se despojado para viver conosco e novamente ele se dirige ao Pai para receber de volta. Por isso que ao voltar a terra ele vai voltar "com poder e grande glória" (Mateus 24:30).

Lembra quando acontecia a festa (a ceia) das bodas nos casamentos da época de Jesus? Veja neste link se não. Era logo depois do casamento ser consumado. Do esposo tomar posse da esposa (termo hebraico que remetia tanto a dominar a terra quanto desposar a amada). Agora leia Apocalipse 19:7-9:
Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.
Lembra quando ceiáremos de novo com o Senhor? (Mateus 26:26-29).

 E o que Ele foi fazer mesmo? (João 14:2 e 3).

Como eu amo essas associações que a Bíblia nos proporciona. Literatura de alto nível, além de manual de fé para muitos.
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Veja também: As parábolas de Mateus 25 e A parábola das dez virgens.