sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Alma


Incrível como a noção de alma bíblica foi completamente perdida em meio as traduções.

Muitos leitores da Bíblia hoje, sempre quando se deparam com essa palavra, pensam numa entidade que vive dentro do corpo, o que foge completamente da noção dada pela Bíblia.

Os acadêmicos, com seu ceticismo habitual, conseguem ver melhor o que realmente o texto bíblico diz, em contraposição a maioria das religiões.

Na Bíblia de Jerusalém, a seguinte nota explica um pouco sobre os conceitos antigos do termo hebraico nefeš , que é encontrado em várias línguas semíticas e que abrangem o seguintes sentidos:
"O termo hebraico nefesh (cf. Gn 2,7) designa a respiração vital (e por extensão a garganta), que está no princípio da vida e que se retira por ocasião da morte. O termo designa frequentemente o homem, ou o animal, como indivíduo animado (Gn 12,5; 14,21; Ex 1,5; 12,4 etc.), ou nas diferentes funções de sua vida corporal ou afetiva, sempre ligadas entre si (cf. Gn 2,21+). A expressão "minha alma" [o contexto desta nota é Sl 6:5] equivale frequentemete ao pronome reflexivo "eu próprio, mim mesmo" (cf. Sl 3,3; 44,26; 124,7; Gn 12,13; Ex 4,19; I Sm 1,26; 18,1-3 etc.), assim como "minha vida", "minha face", "minha glória". Estes diferentes sentidos de "alma" permanecerção vivos no NT (psychê; cf. Mt 2,20; 10,28; 16, 25-26; I Cor 4,16+; 15,44+)".
Bíblia de Jerusalém, p. 868, nota a).

Precisamos aprender mais sobre o que a própria Bíblia diz sobre ela, para que, no mínimo, não a interpretemos segundo nossos "pré-conceitos".

Serpente Alada de Heródoto

Acabei descobrindo uma citação de Heródoto, um antigo historiador grego (veja aqui), sobre uma serpente alada. Veja a descrição abaixo, ou no site que contém o seu livro História traduzido aqui:
LXXV — Há na Arábia, perto da cidade de Buto, um certo lugar para onde me dirigi, a fim de me informar sobre as serpentes aladas. Vi, logo à minha chegada, uma quantidade prodigiosa de ossos e de espinhas dessas serpentes. Esses ossos — grandes, médios e pequenos — estão espalhados por todos os lados. O local em que se encontram fica situado numa garganta apertada entre duas montanhas, de onde se abre vasta planície que confina com a do Egito. Dizem que as serpentes aladas voam da Arábia para o Egito assim que chega a Primavera, mas que as íbis, indo ao encontro delas no ponto de junção do desfiladeiro com a planície, impedem-nas de passar, matando-as. Os Árabes asseguram que é em reconhecimento desse serviço que os Egípcios têm grande veneração pela íbis, e os próprios Egípcios confirmam isso.

CIX — Se as víboras e as serpentes voadoras da Arábia não morressem senão de morte natural, a existência se tornaria impossível para os homens; mas acontece que, quando o macho e a fêmea se unem no coito, esta, no momento do espasmo, agarra fortemente a garganta do companheiro, estrangulando-o e devorando-o em seguida. Assim perece o macho. A fêmea recebe, por sua vez, a punição: os filhotes, no momento de nascer, roem-lhe o útero para abrir passagem, vingando, dessa maneira, a morte do pai.
As outras serpentes, que não fazem absolutamente mal aos homens, põem ovos, dos quais vemos sair uma multidão de pequenas serpentes. Há, como ninguém ignora, víboras por toda a terra, mas só na Arábia se encontram serpentes aladas, motivo por que seu número é sempre pequeno em relação às outras.


Veja também as seguintes postagens "Cobra com patas?" e "Cobra alada".

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A Bíblia de Jerusalém

Esta postagem abrem o marcador de Bíblias.

Muitas pessoas tem dificuldade de entender as diferentes versões das traduções Bíblicas e por isso gostaria de sempre que possível, postar comentários sobre o que senti de cada tradução que li da Bíblia Sagrada.

A que estou fazendo o ano bíblico atualmente é a Bíblia de Jerusalém. A muito tempo venho ouvindo que esta é a melhor tradução já feita da Bíblia, mas isto já é um tanto difícil de dizer. Que ela é muito respeitosa, sem dúvida.

A Bíblia de Jerusalém é uma tradução crítica da Bíblia Hebraica, incluindo notas que indicam tanto algumas visões de interpretações de rabinos e padres antigos, mas respeitando também os mais atuais estudos da Bíblia Hebraica.

Além de seu aparato crítico em respeito do entendimento dos textos, também há explicações sobre os motivos das traduções, diferenças entre as várias fontes (hebraica, grega, latina, etc) e outras possibilidades de tradução.

Seus comentários são muito bem elaborados e fogem das intenções dogmáticas sobre as traduções bíblicas. Ela é realmente aberto, quer dizer, ele é na maioria das vezes aberta a novas interpretações.

Há contradições em comparação de alguns comentários, mas são raras e, normalmente, seguindo alguma idéia religiosa mais recente do que contextualizada (ninguém é perfeito, né?).

Na minha opinião é uma ótima Bíblia para quem quer se aprofundar nos estudos. Ótima para estudantes de hebraico e estudos acadêmicos da Bíblia. Suas introduções muitas vezes tem um quê literário, com uma profundidade espiritual incrível.

Não aconselho para as pessoas que estão começando a se familiarizar com a Bíblia agora, pois ela é estramamente exaustiva.

Assim que possível, postarei opiniões sobre outras traduções da Bíblia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cobra alada

Lembro-me de um ocorrido que se dera com um amigo meu. Ele estava na aula de biologia e a professora perguntou como era a serpente descrita pela Bíblia. Ele respondeu: "Ela tinha asas". Não foi preciso mais nada para a classe inteira cair na gargalhada e a professora [dona do saber] explicar que ela tinha membros assim como nos o temos [ou como o jacaré].

O que para essa classe pareceu absurdo, no mundo antigo era totalmente aceitável. Está foto acima foi tirada das filmagens do filme "Seriam os deuses astronautas?" no momento que a câmera passava nas paredes do túmulo dos faraós egípcios. A bíblia também descreve uma cobra alada em Isaías 30:6.

Está é a serpente de Robert Crumb, em seu quadrinho "The book of Genesis illustrated", que compartilha da visão da maioria a respeito da serpente descrita da tentação edênica.


Obs.: Ainda fico devendo o nome mitológico dessa serpente.

Veja também. Cobra com patas? e A serpente alada de Heródoto

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A História de Jó

A história de Jó sempre me facinou. Claro que não só a mim, mas a meu pai, meus amigos e até os que amam a boa literatura.

Para os que não conhecem alguns pormenores de sua história, Jó foi um homem tão integro que Deus chegou a perguntar a Satã se ao caminhar pela terra ele teria visto o Seu servo Jó.

Satanás, usando de uma lógica nada estranha para nós, indica que sua lealdade a Deus é por puro interesse, e clama a Deus que vá contra ele. Deus não o faz, mas permiti que o seu adversário o faça.

Jó perde seus filhos e bens e, como para Satanás não era pouco, o mesmo toca sua saúde. Sua esposa se volta para com ele e depois de sentir-se abandonado pelos seus irmãos, que não dão sinal de vida, ele começa a clamar por causa do seu sofrimento.

Mas seu clamor não é voltado apenas ao Deus todo poderoso (tradução comum, mas não unanime do termo shaddai). Seus amigos, fiéis companheiros que passaram sete dias em silêncio junto com seu malogrado companheiro, estavam ali e ouviram suas lástimas.

Deste ponto que começa a disputa teológica entre Jó e seus três amigos (Elifaz, Baldad e Sofar). Nesta discussão há tanto ofensa como pensamentos dogmáticos a respeito do Divino e como sua justiça é aplicada ao homem. Enquanto os companheiros de Jó defendem um Deus que só permite sofrimento aos maus, Jó reclama de um Deus que pode tudo, mas falta com misericórdia para com Ele. Todos ignoram o fato de Satã (Satanás em algumas traduções) também está envolvido no sofrimento.

Jó clama que Deus faz o que quer, e ninguém pode dissuadí-lo a fazer o que o mesmo definiu, sendo está a visão de um Deus intransigente, que não permite diálogo. Apesar disso, ele quer uma conferência com Deus, para que ele possa saber os motivos do seu sofrimento e o porquê de ter se tornado um adversário de Deus. Jó também clama ao mesmo Deus, sabendo que ele é o único que pode redimí-lo (19:25 e 26). Só nele ele espera para ser justificado (13:15).

Há muitos detalhes incríveis nesse livro que, infelizmente, não poderei pormenorizar.

Os três amigos se calam depois de Jó declarar suas obras para com os homens. Gostaria até conhecer quem não se calaria, mas o próprio livro mostra quem não se calou, indignado com os quatro interlocutores: Eliu.

Depois da demonstração de Eliu, quem entra em cena não é ninguém menos do que o próprio Ser em debate. Deus começa repreendendo exaustivamente Jó por falar do que não entende. Deus mostra a Jó que ele não é capaz de entender nem o que está em frente a seus olhos, imagine toda a trama que ocorre como sofrimento humano. Jó ainda não tem conhecimento que Satanás também é responsável pelo sofrimento, mas compreendeu muito bem a lição de Deus, declarando:

Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia. Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
Jó 42:2-6


Em seguida Deus repreende aos três amigos de Jó por não terem falado o que era reto de Deus e os três tiveram que pedir perdão a Deus com a intercessão de Jó. Interessante que os mesmos poderiam ter intercedido por Jó quando o mesmo estava em dificuldades, mas os mesmos preferiram acusá-lo de pecados que eles mesmos desconheciam.

Por fim, Jó é lembrado por seus irmãos, tendo suas riquezas restabelecidas, e dez novos filhos.

Esse é um apelitivo da incrível história de Jó. Não deixe de ler este livro, pois muitos argumentos a respeito da justiça de Deus são meras repetições do que se encontram no livro mais respeitado pelos não literados na Bíblia Hebraica.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

o Amor grego.

Estas palavras não são de forma alguma de minha autoria. Infelizmente, em meio a bagunça das anotações universitárias, não consegui restabelecer a fonte.

O autor é um Professor doutor que veio de Israel para fazer uma semana de palestras na Universidade de São Paulo. Ele é especializado em filosofia grega e hebraica da antiguidade. A descrição abaixo são minhas impressões de uma de suas palestras.

O amor é uma palavra que pode adquirir vários sentidos para as culturas ocidentais atuais. Tanto no Brasil quanto nos EUA o vocábulo é utilizado das maneiras mais banais possíveis. Pode ser chamado de amor tanto um sentimento forte e imensurável dedicado a uma pessoa quanto o prazer de comer certo alimento, vestir certa roupa ou até o gosto por certo tipo de música.

Mas entre os gregos, as palavras que traduzimos por amor tem três vocábulos distintos: eros, fileo e agape.


Fileo é o amor mais comum. Ele é o sentimento existente numa relação de troca. Isso mesmo, "troca". No fileo o sentimento existe no interesse nos benefícios que o objeto do amor pode lhe dar, tendo consciência das devidas responsabilidades que devem ser cumpridas para com esse objeto. Esse é o amor dos relacionamentos mais comuns. Claros exemplos desse tipo de amor são os casamentos, as amizades e os relacionamentos familiares como um todo (pai, filho, tio, vô, etc). Os relacionamentos entre sócios também são desse tipo de amor. Deste vocábulo que vem a palavra filiação, tão usada para indicar as fiiliaisdas empresas.

Eros é o mais valorizado de todos os sentimentos entre os gregos. O eros é forte, é inconfundível, é incontrolável. Ele é o amor do desejo, da possessão. A idéia principal trazida por esse amor não é a da troca, mas do possuir. Esse amor pode ser motivado pela beleza, inteligência, sabedoria, riqueza, etc. Não há o sentimento de troca por causa do reconhecimento da excelência da outra pessoa em comparação a si mesmo. Mas mesmo assim o quer. É um sentimento egoísta e incontrolável.

Agora, o mais inferiorizado e menos utilizado desses sentimentos é o agape. O agape é um sentimento difícil de descrever, e por isso os gregos não o utilizavam muito. Só o utilizavam quando não conseguiam explicar o motivo de um sentimento. O objeto do agape não tem méritos, não tem o que outros o invejar, não é famoso, bonito, ou possuidor de algo invejável. Não há como obter alguma troca ou ter algum interesse  quando se tem esse amor. É um sentimento incompreensível.

Você deve ter percebido que o agape não é muito comum, não é mesmo? Não podemos culpar os gregos por deixá-lo de lado, ou usá-lo simplesmente para descrever o incompreensível. Mas foi, incrivelmente, está palavra, tão desprezada pelos gregos, a escolhida para representar o sentimento máximo da humanidade.

O Novo Testamento utiliza o agape para descrever o amor de Deus para conosco, mas esta ideia já existia a muito tempo na cultura hebreia (Dt 7:7, 8). Este amor incondicional (sem explicações) é definido como o próprio Deus (I João 4:8). É este o amor de I Corintios 13. É ele o motivador da salvação da humanidade (João 3:16).

Aprendamos mais e mais sobre esse amor, tão iniqualável, para que possamos cada dia sermos mais semelhantes a Cristo.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que é Fé, afinal?

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."
Hebreus 11:1

O paradoxo acima não é acidental. Muitas vezes na literatura encontramos paradoxos que demonstram a complexidade do assunto em questão. O mais conhecido na literatura Portuguesa é o "Amor é um fogo que arde sem se ver" atribuido a Luís Camões.

Fé é certeza (firme fundamento) que algo que ainda não aconteceu, vai acontecer. É a comprovação, o testemunho de tudo que não pode ser tocado ou visto por nós. Ficou claro? Acho que não muito, né?

Para complicar ainda mais, fé não é o mesmo que crer, apesar de ser essencial se crer para ter fé:
"Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o crêem, e estremecem."
Tiago 2:19

Para tentar esclarecer mais, vou lhes exemplificar com uma ilustração:
"No século XIX, na França, havia um malabarista incrível. Ele era tão ousado e tão confiante que amarrou um cabo de aço atravessando uma rua muito movimentada e ficava atravessando o cabo exibindo-se a todos que passavam. Seus números eram extremamente variados. Todos admiravam sua habilidade, até que um dia, o malabarista apareceu com um carrinho de mão e começou a passar de um lado para o outro com o mesmo. O povo vibrava com a facilidade que o homem passava de um lado a outro, sem nem imaginar que este não era o número principal. O malabarista volta-se para eles e pergunta: "Vocês acreditam que eu posso passar com esse carrinho de um lado para o outro com uma pessoa". O povo, conhecendo a habilidade do homem confessou: "Sim, Cremos". Então o homem fez-lhes outra pergunta: "Quem, então, vem aqui em cima para que eu carregue no carrinho de um lado para o outro". Silêncio total."
Essa pequena história ilustra o que é a fé um pouco mais claramente. Não é simplesmente acreditar que algo possa ser feito, mas por acreditar, tomar atitudes pela certeza que aquilo vai acontecer. A outra parte que é essencial a fé é as obras:

"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma."

Tiago 2:17

Mesmo que a fé faça coisas que baseada em promessas que ainda não aconteceram, e se confirme em coisas invisíveis, ela não nasce do nada, ou brota do nada. Toda a fé nasce de uma confiança adquirida de experiências anteriores confirmadas:

"A esperança adiada desfalece o coração, mas o desejo atendido é árvore de vida."

Provérbios 13:12

Disto nasce a fé no motorista de ônibus, no jornal que lemos, no professor que nos ensina, no médico que nos atende, etc.

A fé no Deus bíblico nasce de diversas formas, assim como cresce. Mas a própria Bíblia mostra como se dá o desenvolvimento da mesma:

"De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus."

Romanos 10:17
"Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam."
Romanos 11:6

Espero que agora, quando se falar em fé (seja em qualquer pessoa, deidade ou coisa) esteja bem claro em nossa mente do que se trata.

"Mas o justo viverá da fé; E, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele."
Hebreus 10:38

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fama!


Todos nós recebemos cada dia mais e mais informações a respeito de qual é a maneira certa de se viver a vida.

Nesta era da informação, os discursos religiosos e moralistas se juntam ao cientificismo e se espalha pelo mundo por todas as formas de mídia.

Hoje em dia sabemos em quantas coisas somos falhos. Temos certeza de quanto nossos pais falharam. De como erramos ao tratar de certa forma uma situação. Falhas, erros, e culpas rodeiam nossa vida.

Este vazio provocado pela falta de perfeição de nossas vidas e das diversas frustrações e impotências, dos traumas incuráveis e, talvez principalmente, do sentido de ser só mais um (ou mais nenhum) vagando pelo mundo, acaba nos levando a desejar uma compensação.

Daí vem a "Fama"! O desejo de ser reconhecido. Do de ser destaque. A necessidade de ser alguém, de ser ouvido.

A fama atinge todas as pessoas, em todos os lugares e de todos os meios. Todos querem receber destaque ou de um grupo, de uma cidade, e, muitas vezes, até do mundo.

Afinal, para que ser o melhor cantor, se ninguém ouve? Ser o melhor esportista, se ninguém sabe? Escrever no melhor blog, se ninguém lê? Salvar uma pessoa, se ninguém aplaude?

Mesmo os que conseguem levar a vida de modo mais humilde, sem se importar, dificilmente gostam de perder a pouca fama que um dia experimentam. Afinal, ela é um vício.

A dualidade de nosso ser, de se ter uma vida perfeita (ideal e modesta) para os padrões humanos e ser um ser de destaque na sociedade a que pertence, seja pelas qualidades ou pela loucura [falem mal, ou falem bem, mas falem de mim.], vivem em confronto. A impossibilidade de viver uma fortalece a outra. Talvez até perdoe a outra.

Mas a realidade é ainda mais cruel. Mesmo quando a fama é alcançada, ela não cobre o vázio. Ocupa o ser, mas não o preenche. Como ocupa, o drogado pede uma dose maior de seu vício para preencher o vázio, até atingir o topo do mundo. Quando se chega lá, só se vê que o vázio continua. Talvez seja por isso que muitos acabam partindo para as drogas químicas.

Dou graças a Deus que ele entende esse nosso problema. Por isso que Ele nos quer lembrar da nossa pequeneza, independente de nossa fama pelo mundo. Isto nos faz lutar por outros ideais, inalcançáveis [sem a graça] também, mas, mesmo assim, com certeza de aceitação.

"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda." Provérbios 16:18

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A História e os Vencedores

Na acadêmia de História costuma-se ensinar a máxima que "a História é escrita pelos vencedores".

Ao meu ver, ao menos um livro [segundo meus estudos] que contradiz por inteiro essa frase.

Na Bíblia não é descrito a história de vencedores, ao menos, não em sua maior parte. Nela os párias têm vez.

O povo de Deus não foi escolhido por suas qualidades como povo (Dt 7:7 e 8), mas por ser alvo do amor de Deus.

Na genealogia do salvador do mundo, há assassinos, prostitutas, estrangeiros e os discipulos desse salvador são homens simples como pescadores e reprováveis como protitutas, cobradores de impostos [publicanos] e ladrões.

Há Bíblia ainda descreve não uma história de um povo que sempre esteve no auge, ou que foi soberano, como os impérios babilônico, persa, grego ou romano, mas de um povo que em grande parte do tempo foi escravo.

Nela não é contado a história de um povo vencedor [na concepção histórica do termo], mas de um povo sobrevivente.

Nela, o cuidado com o pobre, a viúva, os estrangeiros e escravos é revolucionário. As injustiças dos dominantes são apontados. A ideologia reinante é discutida. A misericórdia com os erros e pecados e a esperança são enfatizadas.

Que livro incrível. Não só para os que tem fé, mas a todo aquele que vê injustiça no mundo, que luta por igualdade social, que admira os revolucionários pacifistas...

Mesmo o ateu pode admirar sua beleza poética e seu fundo histórico [apesar de não ser considerado um livro histórico].

Em suma, é um livro que vale a pena se gastar tempo.

"There are no strangers, there are no outcast, there are no orphans of god". Música Orphans of God.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A Bíblia é o Alvo

As Santas Escrituras sempre foram a bússola para indicar a vontade de Deus para judeus e cristãos, além de ser respeitada por muitos outros povos e religiões. Mas nem sempre os olhos são voltados para a esse livro com boas intenções.

Um grupo que sempre tentou acabar com a autoridade exercida pela Palavra de Deus foi o dos ateus militantes do ocidente, e é nos últimos ataques deles a Bíblia que gostaria de meditar um pouco. Qual será a verdadeira intenção desses ataques?

Um dos ataques mais frequentemente usados contra o Deus bíblico é o de sua desumanidade. Eles usam conceitos humanistas para desmerecer o tal Deus de amor mencionado na Bíblia. Só que essas acusações não ponderam a respeito da possibilidade de Deus existir, pois se ponderassem obviamente concluiriam que não seriam todos os humanos que concordariam com as ações de Deus, principalmente quando suas ações punem seus erros. Outro fator que demonstra a má-fé dos acusadores é o "copy and past" de ideais humanistas no mundo antigo hebreu. Não há nem um mínimo de esforço para se compreender o momento histórico que se vivia e o contexto real de cada história.

Outras abominações são as interpretações dos textos bíblicos. Outro dia vi num blog ateu zombar de Gênesis 1:30, dizendo que Deus tinha dado dinossauros para servirem de alimento para o homem, sendo que o verso diz sobre o que os animais devem comer e não que eles serviram de alimento ao homem (erro de interpretação que qualquer aluno ginasial mais atento jamais cometeria). Outros usam o salmo 137:9 ["Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras."] para dizer sobre as barbaridades que a Bíblia ensina. Não conseguem sentir como uma promessa de justiça quando Deus vier ao socorro de seu povo, e que seria menos sofrível para os filhos de seus inimigos se morressem de maneira violenta. Depois são os fundamentalistas que são cabeça duras. Nos dois casos são simples casos de interpretação de texto ou simples má-fé.

Também é uma grande incongruência o estudo da Bíblia por ateus, a não ser por motivos acadêmicos ou para procurar sabedoria humana. O outro motivo é a utilização para atacá-la, mas atacá-la não para destruir a Deus, mas sim para magoar o crente. Como eles não crêem em um Deus, seus motivos são meramente cruéis. Até seu humanismo fica enfraquecido com essa atitude.

Perdão! Ainda restam dois motivos para os ateus estudarem a Bíblia: proselitismo em favor do ateísmo por meio da ridicularização da crença inimiga; e uma sincera tentativa de se crer.

Gostaria de deixar claro que há ateus e ateus. Não quero criar rótulos. Só gostaria de deixar claro que a Bíblia tem sido alvo de ataques de ateus e outros descrentes com o objetivo claro de envergonhar o cristão de utilizá-la como regra de fé.

Estudemos diariamente a mesma para que quando loucos vierem utilizá-la erroneamente, assim como Satanás na tentação, nós possamos mostrar seus verdadeiros ensinos, como Cristo o fez.