Dessa vez, infelizmente, tenho que discordar do nosso tão ilustre Leandro Quadros. Explicarei o porquê:
A tradução do sexto mandamento (Êxodo 20:13) é normalmente traduzido por não matarás, que seria incoerente segundo as próprias histórias do antigo testamento.
Se o fora assim, Deus se contradiria ao pedir sacríficios de animais ou até o extermínio de outros povos. Ontem mesmo vi um vídeo (veja aqui) que aplicava as letras garrafais de "NÃO MATARÁS" ao abate de animais para a alimentação.
Na verdade, a palavra utlizada no mandamento não é a mesma da usada para o "matar" mais genérico. Muitos acadêmicos acreditam que a melhor tradução é o "não assassinarás". Abaixo está um trecho de minha iniciação científica a respeito a esse assunto:
Segundo Craigie*, a três tipos de morte que o homem causa propositalmente a outro. A pena capital, quando a execução é praticada por causa de uma jurisdição; o assassinato e, por fim, a morte em batalha.
O verbo para assassinar (ou matar) em Ex 20:13 e Dt 5:17 é raṣaḥ, o qual só é empregado para quando um hebreu mata outro hebreu, diferindo de harag e qatal que são usados neste e em diversos outros contextos. É assim que Craigie conclui que a ordem de “não matar” era de um hebreu para outro e não em qualquer outro caso, como na guerra ou pela legislação estatal.**
Claro que eu não concordo em absoluto com Craigie, pois não creio que a lei tenha sido dada apenas para os hebreus, mas mesmo assim ele esclarece o porquê o "não matar" não é contraditório para o israelita, nem em nenhuma sociedade.
Se uma instituição, como o Estado, o Exército, o goʼel (veja aqui), ou um poder absoluto, como Deus, autoriza a morte, esse não caia na transgressão dessa lei. A vingança pessoal era totalmente proibida, deste modo, quebrando o mandamento.
O goʼel (vingador de sangue) era uma instituição tão estabelecida na antiguidade que o próprio Deus criou cidades de refúgio para defender o assassinato não premeditado, devendo o assassino aguardar na cidade até o julgamento do caso.
Finalizando, acredito que o que a Bíblia proibe seja o assassinato premeditado e não a auto-defesa, a ação de alguma instituição social ou morte de animais.
"Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem". Gênesis 9:5
Obs.: Não permitamos que o esclarecimento desse mandamento dê margem a violência. Fiquemos, por fim, ao pedido de Davi, homem de guerra:
"Livra-me, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento". Salmo 140:1.
* CRAIGIE, Peter C. The Problem of War in the Old Testament. Eugene, OR: Wipf and and Stock Publishers, 2002.
** SILVA, João B. A. da. Guerra Santa: Análise do Divino e do Humano na Busca da Idéia Bíblica da Guerra. (trabalho de iniciação científica pela Universidade de São Paulo). São Paulo, 2008.
Se uma instituição, como o Estado, o Exército, o goʼel (veja aqui), ou um poder absoluto, como Deus, autoriza a morte, esse não caia na transgressão dessa lei. A vingança pessoal era totalmente proibida, deste modo, quebrando o mandamento.
O goʼel (vingador de sangue) era uma instituição tão estabelecida na antiguidade que o próprio Deus criou cidades de refúgio para defender o assassinato não premeditado, devendo o assassino aguardar na cidade até o julgamento do caso.
Finalizando, acredito que o que a Bíblia proibe seja o assassinato premeditado e não a auto-defesa, a ação de alguma instituição social ou morte de animais.
"Certamente requererei o vosso sangue, o sangue das vossas vidas; da mão de todo o animal o requererei; como também da mão do homem, e da mão do irmão de cada um requererei a vida do homem". Gênesis 9:5
Obs.: Não permitamos que o esclarecimento desse mandamento dê margem a violência. Fiquemos, por fim, ao pedido de Davi, homem de guerra:
"Livra-me, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento". Salmo 140:1.
* CRAIGIE, Peter C. The Problem of War in the Old Testament. Eugene, OR: Wipf and and Stock Publishers, 2002.
** SILVA, João B. A. da. Guerra Santa: Análise do Divino e do Humano na Busca da Idéia Bíblica da Guerra. (trabalho de iniciação científica pela Universidade de São Paulo). São Paulo, 2008.


