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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Aniquilacionismo

A primeira vez que ouvi essa palavra se referindo aqueles que creem na inconsciência dos mortos eu fiquei chocado! Afinal, a palavra aniquilar é muito forte. Aniquilar seria "reduzir a nada, destruir completamente; exterminar".

Aniquilação seria uma destruição absoluta e aniquilacionismo uma doutrina baseada na aniquilação, mais especificamente da alma. Esse termo ainda me causa incômodo, apesar de não poder dizer que ele estaria completamente errado. Talvez só não expresse o que sinto em relação do que acontece com os mortos.

Alma mortal

Independente do que consideramos ser "alma", a Bíblia deixa clara que ela morre, ou seja, é mortal (Ezequiel 18:4) e pode ser destruída (Mateus 10:28). Também vemos que essa alma não é consciente na morte (Salmo 146:4; Eclesiastes 9:5, 6 e 10).

Tanto "alma" quanto "espírito" são palavras polissêmicas na Bíblia, ou seja, tem vários sentidos, mas todos são aproximados. Postei estudos sobre esses pontos aqui e aqui respectivamente. Também aqui e aqui para espírito. Para resumir, as interpretações bíblicas para alma vão desde a vida em si até o que se passa na mente das pessoas (grego psiquê  "alma" explica bem isso). Já espírito vai para as forças motivadoras e influenciadoras para a alma humana, afinal tanto o termo hebraico (ruaḥ) quanto grego (pneuma) são traduzidos como vento, sopro. Por isso que é chamado de Espírito Santo a entidade que nos influência para o bem e para a verdade.

Mesmo compreendendo a mortalidade da alma, a sua inconsciência e o significado mais amplo dos textos bíblicos, há um texto que majoritariamente mostram a alma como uma entidade com destruição num momento diferente da do corpo:
Não tenham medo dos que querem matar o corpo; eles não podem tocar na alma. Temam somente a Deus, que pode destruir no inferno tanto a alma como o corpo.
Mateus 10:28, Nova versão Transformadora
Esse texto mostra que a morte do corpo podo ocorrer com a força de homens maus, mas esses não podem matar a alma. O que destrói ambos é o inferno, que claramente está sobre o controle de Deus segundo o texto acima.

Mas então a alma só morrerá no inferno? Ela é algo que só Deus pode destruir? E o aniquilacionismo? Ele só existiria após a morte no inferno? Para responder essas questões gostaria de voltar a ideia que postei nesta postagem.

Acredito que Jesus não afirma com as palavras de Mateus 10:28 a existência de alguma espécie de vida durante o período em que o corpo esteja morto, mas sim que independente do que acontecer com nosso corpo voltaremos a viver.

Guardados em Deus

Na postagem "Onisciência: como funciona a mente de Deus", demonstrei como imagino que tudo está na consciência de Deus, inclusive cada detalhe de nossa existência. Por isso, só Ele é capaz de restituir a vida de seres que já existiram. A única coisa que impediria isso seria a sua própria vontade. Sua palavra diz que ele vai retomar a vida de bons e maus (João 5:28 e 29), sendo que os maus seriam ressuscitados para serem julgados e os bons para viverem eternamente com Cristo (Apocalipse 20:5 e 6). Perceba que entre as duas ressurreições haveria um intervalo de mil anos.

Os maus seriam destruídos novamente de pois de julgados, mas agora seria para sempre, pois Deus não os irá ressuscitar novamente. Essa seria a segunda morte:

Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte.
Apocalipse 20:14
O diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. O vencedor de modo algum sofrerá a segunda morte.
Apocalipse 2:10 e 11
Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante mil anos.
Apocalipse 20:6 
Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte".
Apocalipse 21:8

Algumas pessoas creem que num sofrimento eterno da alma nesse lago de fogo, mas para mim o próprio texto fala que o lago de fogo é a segunda morte. Como assim? Veja, o Apocalipse trabalha vários símbolos, inclusive alguns o próprio livro diz o que é, como vemos em Apocalipse 1:20, que mostra que as estrelas são anjos e os candelabros são igrejas. Nesse texto mostra que o lago de fogo é a segunda morte, não um lugar de sofrimento eterno real, mas um lugar em que a vida seria aniquilada.

Mais uma confirmação sobre isso está no fato que os conceitos abstratos "morte" e "Hades" (algumas traduções colocam "Inferno" no lugar de "Hades"),  também serão enviadas para esse lago de fogo. Não é tema daqui, mas ajuda a entender que Besta e Falso profeta também são conceitos que seriam aniquilados já no início dos mil anos, mas discutiremos isso em outra postagem, ok? Na verdade não sei quando.

Voltando ao aniquilacionismo

Depois de refletirmos nos conceitos acima, vejo que muitos já podem entender um pouco melhor a visão chamada de aniquilacionista.

A aniquilação, ao meu ver, ocorre em toda e qualquer morte física do corpo, afinal não há consciência sem corpo. Mas, como é prometida uma ressurreição, essa aniquilação não é irreversível, pois Deus, por escolha, traz de volta a vida tanto bons como maus novamente. Já na segunda morte, os que passarem por ela serão novamente aniquilados, mas de forma definitiva agora, pois Deus escolheu não mais dar a vida a esses.

Apesar de na prática ser a mesma coisa, alguns aniquilacionistas não veem toda morte como aniquilação, mas apenas a segunda. Questão de definição, não de contradição de conceitos.

Mesmo depois de tudo esclarecido ainda não gosto da palavra, pois é dura. Mas, talvez seja a melhor palavra para o que acontecerá, principalmente se aplicada a segunda morte.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Sermão: A Sabedoria é Vida

A Sabedoria é Vida

Hino Inicial: 302
Hino Final: 263
INTRODUÇÃO
1. Texto: Eclesiastes 9.
2. Contexto: Explicar sobre o livro de Eclesiastes.
3. Objetivos: (1) Entender a mensagem principal do livro; (2) aplicar o cerne do livro à vida.
4. Proposição:.

ARGUMENTAÇÃO
I. Tensão Morte e vida
1. Casa de morte – Eclesiastes 7:2 .
2. Sabedoria dá vida – Eclesiastes 7:12 .
Obs.: A tensão de morte do livro é para dar mais força à vida, ou seja, entender que na morte não há nada traz uma vontade maior de viver.
II. Os deveres
1. Guardar os mandamentos – Eclesiastes 12:13.
2. Fazer tudo da melhor forma – Eclesiastes 9:10.
III. A verdadeira recompensa
1. Comer e beber – Eclesiastes 9:7.
2. Vestes brancas e azeite na cabeça (dignidade e magestade) – Eclesiastes 9:8.
3. Aproveitar a vida com o amor de sua vida – Eclesiastes 9:9.

CONCLUSÃO

1. Procure a Sabedoria, procure a vida e com certeza Jesus a dará com abundância (João 10:10).

Sermão: O Dom do amor

O DOM DO AMOR

Hino inicial: 123
Hino Final: 115
INTRODUÇÃO
1. Texto: 1 Coríntios 13:4-13.
2. Contexto: Do capítulo 12 ao 14 da primeira carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo fala sobre os dons espirituais com a intenção de resolver a desorganização e desunião na igreja de Corinto, causadas pela má compreensão e mal uso dos dons nela. Em meio à argumentação crescente a respeito do funcionamento dos dons espirituais na igreja, ele afirma que os coríntios deveriam procurar zelosamente os melhores dons e, logo em seguida, promete apresentar o caminho mais excelente (12:31), começando, deste modo, as suas declarações sobre o dom do Amor (capítulo 13). Já no capítulo 14 verso 1, ele conclui apelando para que sigamos esse caminho.
3. Objetivos: (1) Explicar a supremacia do Amor perante os outros dons; (2) Levar o ouvinte a procurar conhecer melhor esse dom; (3) Levar o ouvinte a praticar esse Amor.
4. Proposição: Todo o dom dado por Deus contém o dom do Amor, o qual se desenvolve até sua perfeição, sendo o único que jamais passará.

ARGUMENTAÇÃO
I. O DOM DO AMOR É ALTRUÍSTA
1. Suas qualidades beneficiam outros – v. 4, 5 e 7.
2. Suas qualidades negam o egoísmo – v. 4, 5 e 7.
3. Suas qualidades estabelecem a justiça – v. 6.
II. O DOM DO AMOR É ETERNO
1. Há dons passageiros – v. 8.
2. Há dons permanentes – v. 13.
3. Os passageiros serão destruídos quando os permanentes se tornarem perfeitos – v. 8-12.
III. O DOM DO AMOR É SUPREMO
1. O dom do Amor é maior que o dom da Fé – v. 13.
2. O dom do Amor é maior que o dom da Esperança – v. 13.

CONCLUSÃO
1. O amor é altruísta, eterno e supremo. Essas são algumas coisas que aprendemos do Amor hoje. Mas nós estamos longe de entendê-lo por completo.
2. Procure a cada dia aprender mais desse amor, o qual é manifesto plenamente através de Jesus Cristo em toda a história da redenção.

3. E, ao aprender desse Amor, o qual é presente de Deus, ponha-o em prática, pois só assim poderemos ser valorosos diante de Deus.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A questão do mal



Roteiro
Muitos conhecem a história de um anjo perfeito que, em meio a um ambiente perfeito, criou um sentimento maligno em seu ser.

Não são poucos que ridicularizam essa ideia dos teólogos. Dizem que seria impossível surgir o mal assim, como se ele fosse um germe que surge do nada num ambiente esterilizado.

Mas, há pouco tempo atrás, aprendi com Agostinho que o mal não é uma coisa, um vírus ou qualquer outra ideia material que possam dar a ele, por mais que seja completamente compreensível pensarmos assim.

O mal nada mais é do que uma atitude de desarmonia para com Deus.

Todo o ser livre criado por Deus tem capacidade de pensar por si mesmo, evoluir, crescer e desenvolver-se de diversas maneiras. Dúvidas comuns sobre como as coisas funcionariam e curiosidade são próprios dessas criaturas.

Claro que isso não significa que foram criados para desarmonia, mas que haveria um desenvolvimento pessoal gradativo. Entretanto, tudo isso explica como isso torna possível a existência do mal, principalmente num universo que não o conhecia.

Duvidar e indagar são coisas normais num universo perfeito. Escolha também.

Mas e se essa escolha causar mal aos outros? Foi exatamente esse tipo de escolha que Lúcifer fez, levando o mal ao conhecimento do universo.

Veja que, segundo os textos bíblicos, Lúcifer progrediu em seu comércio, palavra hebraica que também tem o sentido de fofoca ou calunia, mas isso não fez com que ele fosse expulso. Trazer guerra sim.

O pecado, quando consumado que produz morte, apesar que os mais sábios já viam podiam sentir a morte por trás das palavras do anjo de luz.

O mal existe por que podemos pensar e escolher por nós mesmos. A possibilidade de ficarmos contrários a Deus é a possibilidade de existir o mal.

Não há uma trava para não podermos ser contrários a Deus e seu reino. Só assim o mal poderia nunca vir a existir.

Isso me faz lembrar do filme Laranja Mecânica. A principal discussão era se era correto ou não impedirmos o livre arbítrio de uma pessoa.

E por que Deus ainda não acabou com o mal? Por que ele permite que ainda soframos? Ou pior, por que os bons sofrem? Não poderia ele proteger esses e deixar ao léu os maus?

Deus trata o mal de maneira diferente da que tratamos. Ele não evita que algo aconteça só porque aquilo pode dar errado, mas resolve a questão quando ela aparece.

Ele não deixa de ter um filho, mesmo com a possibilidade de ele se rebelar, mas ama-o por mais que sua vida seja finita. Apesar desse ser um sentimento raro nos seres humanos, ainda vejo algumas pessoas que tem essas características em comum com Deus.

Quem é mau, pode vir a ser bom, segundo a visão bíblica. Deus não dá uma ou duas chances. Ele dá todas. Mas até “todas” é um limite. Tem um momento que as chances acabam.

E por que os bons sofrem? Por que vivem num universo onde há atitudes más.

Onde existe desarmonia, existe sofrimento. Quem é bom sofre até mesmo pela dor do outro. Então, enquanto houver o mal, o bom sofrerá.

Também é necessário passarmos pelo mal para sabermos o que ele é, e nunca mais querermos que ele ressurja.

Por isso, quando o mal for extinto, será de uma vez por todas, sem precisar cauterizar o cérebro ou apagar a mente de ninguém, pois todos terão visto o que ele causa ao universo.

Mesmo quando novas criaturas inteligentes forem criadas, o testemunho dos salvos e dos não caídos darão convicção sobre a sabedoria de viver em harmonia com o universo e seu Deus.
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Quem é a noiva?

Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro;
Apocalipse 21:9

Segundo Paulo em sua analogia, Cristo é o marido e a mulher é a igreja (Efésios 5:22 e 23). Se compararmos com Jeremias 2:32 podemos chegar a conclusão que a noiva é o povo de Deus não é?

Bem, muitos pensam assim e aplicam isso, o que não é de todo errado. Mas há outra referência clara e que, em alguns textos, é a única possibilidade lógica.

Na parábola das dez virgens, por exemplo. Não tem como o povo de Deus ser as dez virgens e a noiva ao mesmo tempo. Vamos ver a resposta que encontramos no seguimento do texto acima:
e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus.
Apocalipse 21:10 e 11
Mas... como pode uma cidade ser a noiva? Leia o texto de Isaías 62:1-5:
Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. As nações verão a tua justiça, e todos os reis, a tua glória; e serás chamada por um nome novo, que a boca do SENHOR designará. Serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, um diadema real na mão do teu Deus. Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará. Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.
Veja que como estes textos misturam simbologias diferentes e magnificas juntas. Veja como a conquista da terra de Jerusalém para Deus tem o mesmo significado da conquista da noiva. Tem esse significado pois a palavra hebraica vem da mesma raiz. A conquista de uma terra se iguala a conquista de uma esposa. E a expressão "diadema real" traz um aspecto de realeza. Oras, não é próprio de um rei conquistar sua rainha pelo dote e sua terra pela força?

Essa simbologia é usada por Jesus em outras duas parábolas onde ele se remete exatamente a isto.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. (Lucas 12:36)
Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar.(Lucas 19:2)
Perceberam que há uma espera dos servos até que se cumpra a missão do seu senhor? Em ambas as parábolas vemos Jesus mostrando como seria enquanto ele estivesse longe e prestes a voltar. Mas o que não notamos é que ele dá dicas do porque estará longe.

Ele vai tomar posse da noiva e da terra e depois voltará. Isso se evidencia em Daniel 7:9, 10,13 e 14. Lá vemos que em meio a um tribunal, o filho do homem vem receber poder, glória e reino neste momento, ou seja, era lhe dado o que ele tinha se despojado para viver conosco e novamente ele se dirige ao Pai para receber de volta. Por isso que ao voltar a terra ele vai voltar "com poder e grande glória" (Mateus 24:30).

Lembra quando acontecia a festa (a ceia) das bodas nos casamentos da época de Jesus? Veja neste link se não. Era logo depois do casamento ser consumado. Do esposo tomar posse da esposa (termo hebraico que remetia tanto a dominar a terra quanto desposar a amada). Agora leia Apocalipse 19:7-9:
Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.
Lembra quando ceiáremos de novo com o Senhor? (Mateus 26:26-29).

 E o que Ele foi fazer mesmo? (João 14:2 e 3).

Como eu amo essas associações que a Bíblia nos proporciona. Literatura de alto nível, além de manual de fé para muitos.
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Veja também: As parábolas de Mateus 25 e A parábola das dez virgens.

segunda-feira, 7 de março de 2011

A escravidão e a Bíblia

Uma vez eu citei numa rede social (o orkut, mais especificamente) que a escravidão na Bíblia era uma das mais brandas e revolucionárias de toda a antiguidade. Um membro ateu, que estava lá para mexer com os ânimos da comunidade cristã, zombou indagando como isso seria possível.

Bem, até a Wikipédia, site que não é de todo confiável como informação, confirma isto (veja aqui). O sistema escravista era predominante no mundo conhecido, mas os tipos de escravidão variavam muito. Desde presos de guerra a vendas por pagamento de dívidas aconteciam.

Jesus mesmo dá evidências disto. Na parábola do credor incompassivo, vemos um senhor que iria vender o homem que lhe devia e toda a sua família e objetos para receber a dívida (Mateus 18:25, veja também Levítico 25:39) A escravidão era, claramente, um meio de garantia dos que pediam empréstimos pagarem suas dívidas.

Mesmo este tipo de escravidão não agradava a Deus. Apesar da compra de escravos não ser proibida (Levítico 25:44-46) Em Êxodo 21:16 mostra claramente que fazer um escravo pela força não era aceito, tanto que era punido com a morte. Veja na versão da Nova Tradução da Linguagem de hoje:
Quem levar à força uma pessoa para vendê-la ou para ficar com ela como escrava será morto.
Infelizmente, isso não significa que os israelitas não fizeram isto. Além disso, Deus colocou muitas outras leis que protegiam os escravos de seus senhores (veja Êxodo 21 e Levítico 25). Se um senhor pegasse uma escrava como mulher e depois quisesse pegar outra mulher para si, caso ele não conseguisse manter o mesmo padrão de vida para ela a lei libertaria a esposa escrava. Mais uma vez Deus mostra tolerância para com os costumes humanos, mas sempre apontando para onde ele quer que seus filhos cheguem.


O tratamento que a Bíblia dá aos seus escravos é tão diverso da escravidão que costumamos ver nos livros escolares que muitos tradutores não gostam da palavra "escravo", usando no lugar dessa a palavra "servo".


Mesmo Deus permitindo, e NÃO incentivando, não significa que ele desumanizou estes homens e mulheres que viviam sobre a posse de outra pessoa. Levítico deixa claro que são escravos por dedicarem sua força laborial ao seu dono. Outras incumbências e abusos tinham seu nível de punição na lei. Além disso, veja o que Paulo nos mostra a respeito da igualdade entre os seres humanos:
Desse modo não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus.
Gálatas 3:28
 Um dia todo o mal irá cessar, e Deus não permitirá mais nenhuma injustiça.

Nos firmemos nele até lá.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

5-Os apóstolos e o dia de descanso

O Novo Testamento confirma a continuidade da prática do descanso do 7º dia da criação depois da morte de Cristo. Logo após a morte de Jesus, vemos as mulheres que cuidavam de seu corpo cessarem os cuidados com o corpo por causa do dia santo (Marcos 15:42; Lucas 23:54-56; ) voltando para continuar logo após o término do sábado, ou seja, no início da noite seguinte (Mateus 28:1; Marcos 16:1; Lucas 24:1).

 Jesus também confirmou a continuação da guarda do sábado após sua morte ao pedir para que os discípulos orassem para que não se desse nesse dia os eventos que ele descrevera (Mateus 24:20). Engraçado que os discípulos que amavam Jesus guardaram o sábado depois de sua morte, mas os que planejaram sua morte confabulavam novas mediadas contra Ele no seu dia santo (Mateus 27:62-66).

Atos dos Apóstolos também descreve a prática dos discípulos a respeito do sábado também. Sua reunião com os irmãos aos sábados continuava (Atos 13:14, 42-44; 16:13), seguindo o exemplo de Jesus (Lucas4:16).

O apóstolo Paulo trabalhava todos os dias, inclusive o domingo, e apenas aos sábados parava para ir às sinagogas e pregar o evangelho (Atos 17:2 e 18:3 e 4). E neste mesmo dia se reunia com eles gregos (Atos 18:4) também, ou seja, pessoas de outras nações.

O dia de descanso continuou sendo o 7º dia da criação, deixado por Deus para nosso deleite, ganho ao adoramos e honramos seu santo nome nesse santo dia.
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Último estudo: 4-Jesus e o dia de descanso.
Próximo estudo: 6-...ninguém vos julgue pelo[s]... sábados...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

4-Jesus e o dia de descanso

O sábado, como já dito em outras postagens desta série, foi um dia abençoado e santificado por ter sido o dia no qual Deus descansou (Gênesis 2:1-3). Por isso ele ordenou que o homem o lembrasse e o santificasse também (Êxodo 20:8-11).

Para esclarecer um pouco mais o que não poderia se fazer no dia de sábado, Deus deixou alguns princípios para guardá-lo, como: não fazer a própria vontade, mas a de Deus (Êxodo 20:9 e Isaías 58:13); preparar-se no dia anterior [sexta-feira] para não realizar obra no sábado, incluindo a preparação de alimentos (Êxodo 16:22-30; 35:3; Marcos 15:42; Lucas 23:54). São princípios simples, mas a seguinte ordem de Deus fizeram com que os líderes judaicos se preocupassem exacerbadamente com o como guardar o sábado:
Portanto guardareis o sábado, porque santo é para vós; aquele que o profanar certamente morrerá; porque qualquer que nele fizer alguma obra, aquela alma será eliminada do meio do seu povo.
Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do descanso, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer algum trabalho, certamente morrerá.

Êxodo 31:14 e 15
Talvez os líderes judaicos da época ouviram estas palavras divinas da mesma forma que o leitor deste blog ouviu, levando-o como um decreto de morte imediata. Mas não se esqueçam que Deus também tinha dito que no dia que comessem do fruto eles morreriam (Gênesis 2:17), mas eles não morreram imediatamente. Se não fosse o sangue de Cristo eles teriam sido extirpados da vida eterna, mas com Cristo eles receberam de volta a vida eterna. Desta mesma forma devemos ver este texto, pois os sabem que devem lembrar e santificar o sábado e não o fazem deliberadamente serão extirpados da vida eterna, sobrando só a morte.

Voltando aos judeus, por medo de pisarem no mandamento do Senhor eles criaram diversos regulamentos para que o homem de Deus não quebrasse esse santo mandamento, tornando o sábado o maior fardo da fé judaica.

Jesus amava o sábado (Lucas 4:16 e 31; 13:10; Marcos 1:21; 6:2), mas não gostava da maneira que o dia santo era guardado (João 7:22-24). Por isso ele fazia questão de quebrar paradigmas gerados a respeito da guarda do mesmo. Vejamos eles:

1) O sábado não é mais importante que a misericórdia: Deixar de pensar nas necessidades de um irmão no dia de sábado é quebrar o desejo de Deus para nós (Mateus 12:1-8; Marcos 2:23-28; Lucas 6:1-5);

2) Todos os dias são dias de cura e salvação, incluindo o sábado (Mateus 12:9-13; Marcos 3:1-5; Lucas 6:6-11; 13:10-17; 14:1-6; João 5; 9:14-16; João 7:21-24);

3) O sábado foi feito para ser uma bênção para o homem, e não o homem foi feito para servir ao sábado (Marcos 2:27);

4) Jesus é dono [Senhor] do sábado, por isso ele sabe maneira correta de guardá-lo (Mateus 12:8; Marcos 2:28; Lucas 6:5).

Jesus tentava demonstrar claramente para eles que o principal problema deles não residia na guarda do sábado, mas no estado do coração, pois o mesmo não via a hipocrisia deles.

Uma certa vez (João 5), Jesus pediu para um paralítico que curara que levasse seu leito. Muitas pessoas acreditam que essa ordem de Jesus estava desabonando a guarda do sábado. Pense! O paralítico estava num lugar público, com uma grande multidão. Jesus o cura e pede para levar sua cama (leito). Muitos imaginam uma cama enorme, mas na verdade era uma esteira (veja desenho acima), inclusive, mesmo dentro das casas as pessoas dormiam com esse tipo de material. Isso é o bastante para desabonar o sábado?

No mesmo capítulo Jesus é acusado de trabalhar no sábado. Sua resposta também desabona o sábado, segundo alguns críticos:
E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.
João 5:17
Esse texto vai de acordo com a semântica verdadeira da palavra hebraica sábado, ou seja, cessar o que se está fazendo. Este texto de forma alguma contradiz o de Gênesis 2:1-3, pois lá o descansar significa cessar, assim como nas demais partes da Bíblia, que são mau interpretadas até hoje.

Ao dizer que o pai trabalha sempre, Jesus estava demonstrando que a manutenção da vida não cessa com o descanso divino. Assim como o pai a mantêm Jesus também a mantêm. Mas não achamos nenhum texto que Jesus está levando uma tora de madeira no sábado, ou recebendo de algum emprego que ele acabara de realizar. Todas as obras eram para o bem, para a vida. Deste modo ele nunca deixou de trabalhar, especialmente no sábado, dia em que Deus deseja que tenhamos deleite (Isaías 58:13 e 14).

Veja que Jesus não vai contra os princípios estabelecidos por Deus para o sábado em nenhum momento, apenas confirmando a verdadeira forma e espírito que devemos lembrar e abençoar este santo dia.
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Estudo anterior: 3-Domingo é o dia do Senhor?
Próximo estudo: 5-Os apóstolos e o dia de descanso.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

2-O sábado é só para os judeus?

O pensamento de que o sábado é apenas para os judeus não é apenas dos não sabatistas, mas de muitos estudiosos judeus. Esses estudiosos acham que as leis universais pelas quais os gentios são julgados eram as da segunda tábua dos mandamentos, ou seja, a partir do 5º mandamento. Adorar outros deuses, desonrar, ter vários deuses e não guardar o sábado não fazem os povos pagãos caírem na maldição divina. Alguns outros acham que apenas a lista de abominações de Levítico 17 e 18, que estão resumidas nas proibições de Atos 15:29.

Vejam que a discussão não só fica na questão do sábado, mas em seus mandamentos também. Veja que a lei é universal (Eclesiastes 12:13; Tiago 2:8-13; I João 3:24; Apocalipse 12:17; 14:12). Mas é o sábado. Teria alguma coisa falando que ele é apenas para os judeus?

Alguns dizem que sim, através da interpretação deste texto:
Porque te lembrarás que foste servo na terra do Egito, e que o SENHOR teu Deus te tirou dali com mão forte e braço estendido; por isso o SENHOR teu Deus te ordenou que guardasses o dia de sábado.
Deuteronômio 5:15
Este verso vem logo após da repetição do mandamento do sábado, num texto onde a voz de Moisés repete a lei de Êxodo 20:1-17. Esse contexto é muito importante, pois aqui Moisés fala com o povo liberto do Egito, ou seja, ele deixou o mandamento mais vivo para eles. Eles deviam guardar o sábado porque foram salvos por Deus, portanto deveriam obedecê-lO.

Outros já vêem no texto que ordena os "filhos de Israel" a guardá-lo (Êxodo 31:16) que apenas estes deveriam, mas isso não significa que os que entrarem nesta fé não o devam. E segundo Paulo, nós (não judeus) fomos enxertados a Israel (Romanos 11) e os 144.000 que não passaram pela morte são das tribos de Israel (Apocalipse 7:4), ou seja, os cristãos são Israel.

Mas como saber que Deus mandara antes de Moisés que guardassem o sábado? Bem, não há essa ordem antes de Moisés explicitada na Bíblia, mas uma coisa é clara, o sábado já existia antes, a verdade, o sábado só é um dia mais novo que Adão e Eva (Gênesis 1:26-31; 2:1-3). Veja o que esse texto de Neemias relata sobre o sábado ao repetir a história da libertação de Israel do Egito:
E o teu santo sábado lhes fizeste conhecer; e preceitos, estatutos e lei lhes mandaste pelo ministério de Moisés, teu servo.
Neemias 9:14
Veja que o sábado ficou conhecido dos Israelitas, mas o mesmo já existia, afinal, é ele o único sentido para que exista semana, e ainda de 7 dias. Agora atente-se ao mandamento:
Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas [para que teu servo e tua serva descansem como tu].
Êxodo 20:10 e Deuteronômio 5:14.
Mas Isaías deixam ainda mais claro que o sábado não é só do judeu:
Assim diz o SENHOR: Guardai o juízo, e fazei justiça, porque a minha salvação está prestes a vir, e a minha justiça, para se manifestar.
Bem-aventurado o homem que fizer isto, e o filho do homem que lançar mão disto; que se guarda de profanar o sábado, e guarda a sua mão de fazer algum mal.
E não fale o filho do estrangeiro, que se houver unido ao SENHOR, dizendo: Certamente o SENHOR me separará do seu povo; nem tampouco diga o eunuco: Eis que sou uma árvore seca.
Porque assim diz o SENHOR a respeito dos eunucos, que guardam os meus sábados, e escolhem aquilo em que eu me agrado, e abraçam a minha aliança:
Também lhes darei na minha casa e dentro dos meus muros um lugar e um nome, melhor do que o de filhos e filhas; um nome eterno darei a cada um deles, que nunca se apagará.
E aos filhos dos estrangeiros, que se unirem ao SENHOR, para o servirem, e para amarem o nome do SENHOR, e para serem seus servos, todos os que guardarem o sábado, não o profanando, e os que abraçarem a minha aliança,
Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na minha casa de oração; os seus holocaustos e os seus sacrifícios serão aceitos no meu altar; porque a minha casa será chamada casa de oração para todos os povos.
Assim diz o Senhor DEUS, que congrega os dispersos de Israel: Ainda ajuntarei outros aos que já se lhe ajuntaram.

Isaías 56:1-8
Ficou claro agora que o sábado não é só para o judeu, israelita, árabe, mas sim para todo aquele que se une a Deus, não é?

O descanso (no sentido de cessar os serviços corriqueiros para se dedicar a Deus e sua obra, especialmente a de adoração) será uma prática eterna segundo o texto a seguir:
E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o SENHOR.
Isaías 66:23
Que Deus abençoe a todos nós.
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Estudo anterior: 1-Dias de descanso.
Próximo estudo: 3-Domingo é o dia do Senhor?

1-Dias de descanso

Ao primeiro dia haverá santa convocação; nenhum trabalho servil fareis.
Sete dias oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; ao oitavo dia tereis santa convocação, e oferecereis ofertas queimadas ao SENHOR; dia de proibição é, nenhum trabalho servil fareis.
Estas são as solenidades do SENHOR, que apregoareis para santas convocações, para oferecer ao SENHOR oferta queimada, holocausto e oferta de alimentos, sacrifício e libações, cada qual em seu dia próprio;
Além dos sábados do SENHOR, e além dos vossos dons, e além de todos os vossos votos, e além de todas as vossas ofertas voluntárias, que dareis ao SENHOR.
Porém aos quinze dias do mês sétimo, quando tiverdes recolhido do fruto da terra, celebrareis a festa do SENHOR por sete dias; no primeiro dia haverá descanso, e no oitavo dia haverá descanso.

Levítico 23:35-39
Levítico 23 fala das santas convocações de Deus, onde, alguns destes dias, eram separados para descanso. Eram feriados nacionais para dedicação a Deus e reflexão nos métodos de salvação que Deus queria apresentar ao povo. Eles caiam em qualquer dia da semana, pois seguiam o calendário judaico.

Mas estes dias de descanso eram diferentes do "sábado do SENHOR". Eram considerados não sábados de Deus, mas do povo. Atente-se ao seguintes verso:
É um sábado de descanso para vós, e afligireis as vossas almas...
Levítico 16:31
O contexto fala do dia da expiação, o famoso Yom Kipur, guardado pelos judeus até hoje, que pode cair em qualquer dia da semana. Note a semelhança com o verso seguinte:
Sábado de descanso vos será; então afligireis as vossas almas; aos nove do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado.
Levítico 23:32
Veja que o ser humano tinha um sábado que era considerado dele (veja outra alusão em Levítico 26:35). Eram esses feriados. Até a terra tinha sábados considerados para ela. Na verdade o sábado da terra era de um ano, dependendo sempre do ano que começava o plantio (Levítico 25:4, 26:34).

A palavra sábado vem do radical hebraico shabbat (šbt), que significa mais literalmente parar de trabalhar, cessar o que se está fazendo. Não seria diretamente descanso, pois não seria necessário estar cansado para se realizá-lo.

Assim, os dias de descanso são diferenciados na Bíblia através do uso desses possessivos. O sétimo dia, dia do descanso de Deus, é nomeado pelo próprio Deus como "meu sábado" (Êxodo 31: 13; Levítico19:30; Ezequiel 20:12 e 20) ou mais especificamente sábado do SENHOR (Êxodo 16:23 e 25; 20:10; Levítico 23:3, Deuteronômio 5:14), ganhando esses nomes por causa da clara referência ao "descanso" de Deus na criação do mundo (Gênesis 2:1-3).

Veja que no mínimo há três sábados distintos, sendo que o que claramente o 4º mandamento ordena a observância é a do chamado "sábado do SENHOR", sendo esse o do sétimo dia da semana.
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Introdução: O 7º dia e o sábado.
Próximo estudo: 2-O sábado é só para os judeus?

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vinho na Bíblia

Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos?
Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.
Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá.
Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades.
E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro.
E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez.

Provérbios 23:29-35
 Mais um assunto polêmico. Mas achei um bom estudo na internet para esclarecer melhor isto. Parecia ter sentido ao menos. É um artigo chamado "Um Estudo sobre o vinho na Bíblia" do pastor Nilton Bernini. Leia o artigo aqui.

Também há um artigo do pastor Demóstenes Neves da Silva intitulado "O vinho na Bíblia" aonde você pode encontrar um estudo sobre as palavras do Antigo Testamento usadas em diversas ocasiões. Veja este arquivo aqui.

Não me aprofundei muito nestes estudos, mas estes dois sites, principalmente o primeiro, parecem-me bem coerentes. Muitos cristãos e outros religiosos se embriagam e desgastam suas famílias e sociedades há milênios. O pior que nem sei se sou contra a ilegalização desta droga, pois isto só traria mais contrabando e lutas secretas, assim como já aconteceram muitas no último século quando portos americanos proibiam o uso do produto.

Ainda não consigo ver uma solução melhor para evitar estes males a não ser a abstenção destes produtos, pois o uso moderado não será moderado quando passarmos por uma amargura grande.

Se você não tem força para parar, ou pior, não quer parar, ore a Deus e discuta o problema com Ele. Acredite a cada dia que sua vida pode melhorar.

Deus te abençoe.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Anjos

Há muitas angelologias por aí, não é verdade? Vemos frequentemente diversas versões de anjos, sendo estes homens, mulheres e crianças com aspecto sereno, triste, radiante e até sedutor. Mas o que a Bíblia fala sobre os anjos?

Na Bíblia Hebraica a noção de anjo é um tanto confusa. A palavra hebraica para anjo é malach (ou mal’ak) que significa mensageiro, emissário, enviado. O Grego ággelos e o latino angelus tem o mesmo significado.

O uso desse significado que parece ficar um tanto confuso. Em diversos textos que essa palavra foi usada para seres sobrenaturais ela não teve um uso único. Algumas vezes foi usada se referindo ao próprio Deus, como vemos no caso das teofanias, e outras vezes para seres muito mais enigmáticos. Ao se acrescentar os textos do novo testamento ao estudo desses seres temos uma melhor ideia do que eles são, segundo a Bíblia. Vejamos alguns textos para entender o pouco que a Bíblia revela a respeito desses seres incríveis.


Os anjos são: seres criados por Deus (Salmo 148:2-5); não se reproduzem, ou seja, não fazem sexo (Mateus 22:30); são corpóreos (I Coríntios 15:44); são em maior número que nós (Apocalipse 5:11); tem capacidade de pecar (II Pedro 2:4), ou seja, são detentores de livre arbítrio como nós. Essa capacidade de pecar ou ser fiel faz com que eles se subdividam em duas grandes classes:
E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos; Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus. E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
Apocalipse 12:7-9
Miguel é um personagem muito discutido no meio acadêmico. Seu nome vem do hebraico Michael (Mika’el) significando "quem é como Deus". Desta forma, só Jesus preencheria este requisito. Veja que Satanás, o diabo, é o Dragão e tem seus anjos (Mateus 25:41) e Jesus, os seus (Mateus 16:25). Em Judas 9, Miguel é identificado como arcanjo (chefe/principal dos anjos) sendo um ótimo titulo para Jesus também. Em I Tessalonicenses 4:16, Jesus é apresentado como tendo voz de arcanjo. Como esse são os únicos textos que falam de arcanjo, e pela palavra "arqui" como sufixo, possivelmente Jesus seja o único arcanjo que já existiu.


Mas a obra destes anjos são completamente diferentes. Vejamos primeiramente o que fazem os anjos bons: protejem, cuidam (Salmos 34:7; 91:11); servem de guarda (Gênesis 3:24); observam-nos (Eclesiastes 5:6; Mateus 18:10); são mensageiros (Lucas 1:19); testemunham (Daniel 7:10; Mateus 18:10); recolhem os justos no retorno de Jesus (Mateus 24:31). Em suma, os anjos bons são servos de Deus:
Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus, os quais ele envia para ajudar os que vão receber a salvação.
Hebreus 1:14 (Nova Tradução da Linguagem de Hoje)
Já os anjos maus: transformam-se e se disfarçam (II Coríntios 11:14 e 15); lutam contra nós com intenção de roubar, destruir e matar (Efésios 6:11 e 12; João 10:10); e enganam (I Timóteo 4:1). No fim do milênio eles reunirão todos os seus seguidores para tomar a Nova Jerusalém (Apocalipse 20:1-9).

Outras curiosidades: Apesar de haver um grande número de figuras de anjos com feições femininas, a Bíblia não registra nenhuma aparição de anjo com aspectos femininos. Os querubins são descritos como anjos que ficam próximos do altar divino e como guardas do trono celeste na Bíblia. Nenhum anjo, fora os querubins, é descrito com asas. Muitas aparições de anjos foram comunicadas inicialmente apenas como aparições de homens. Os anjos existiam antes mesmo de qualquer ser humano morrer, ou seja, não são espíritos de mortos (Gênesis 3:24).
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Veja também "A queda de Satanás e seus anjos (Apocalipse 12)".

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ressurreição

Infelizmente há muita má compreensão a respeito da doutrina que nos traz a maior esperança que temos: a ressureição. Claro que as distorções são  muitas vezes causadas por um desejo de conforto em relação a pontos de vista pré-concebidos e uma esperança a muito aguardada. Mas acredito que a esperança bíblica é mais saudável para nossos corações.

A ressurreição é confundida por muitos com a reencarnação ou até mesmo com uma vida num corpo fantasmagórico. Mas vamos a exegese bíblica para entendermos melhor o que ela diz sobre o assunto. Sua polêmica não é atual, mas remete aos tempos de Jesus. Os saduceus, por exemplo, não criam na doutrina da ressurreição. Jesus teve que mostrá-los que ela era confirmada nas escrituras (veja mais aqui). Muitos ouvintes de Paulo não quiseram mais ouví-lo quando ele começou a falar na ressurreição de Cristo. Na igreja de Coríntios tinha uma grupo que não acreditava na ressurreição (1 Coríntios 15). Ou seja, a incredulidade e distorções dadas a essa doutrina não são de hoje, mas milenares.

A palavra ressureição vem do latim ressurectio que é o ato de ressurgir, voltar à vida, reanimar-se. Está foi a palavra latina escolhida para traduzir o grego anástasis e égersis, que significa levantar, erguer, surgir, sair de um local ou situação para outro (Dicionário da Bíblia de John D. Davis). Já está é a palavra usada para o termo hebraico heaiah (ou hechaiah), voltar a viver ou voltar dos mortos. (2 Reis 8:1 e 5, Isaías 26:19, Oséias 6:2). Também temos o verbo hebraico heqi ou heqits (Isaías 26:14; Daniel 12:2, Oséias 6:2), acordar, levantar-se.

Se o estudo semântico da palavra ainda não deixou claro sua significação, o estudo do contexto bíblico o fará.

Tanto Eliseu quanto Elias foram utilizados para Deus reviver a vida de crianças mortas (1 Reis 17:17-24 e 2 Reis 4:8-37; 5:1-5). Num caso um morto tocou nos ossos de Eliseu e voltou a viver instantaneamente (2 Reis 13:21). Já os textos de Isaías 26:14 e 19, Daniel 12:2 e Oséias 6:2 mostram claramente que há uma esperança de os mortos ressurgirem.

No Novo Testamento esta esperança fica ainda mais clara. Graças a Jesus, ela ficou ainda mais esclarecida. Em sua discussão com os fariseus e saduceus (veja aqui), Ele confirma que os justos viverão. Paulo também diz que sem a ressurreição nossa esperança é vã (1 Coríntios 15:11-20).

Fora a confirmação doutrinária, o próprio Cristo e outros apóstolos realizaram ressurreições. Há mais que cem citações sobre ressurreição no Novo Testamento. E das várias ressurreições, duas eu gostaria de me ater em especial: de Lázaro e de Jesus.

Lázaro não só claramente morreu (João 11:14) como ficou morto e enterrado em seu sepulcro por 4 dias, indo além da crença de que só se podia ressuscitar uma pessoa até em 3 dias. O poder manifesto em Jesus neste momento foi tão impressionante que tocou todos os presentes e os que ouviram falar do ocorrido de tal forma ou decidiram coroá-lo rei ou matá-lo (João 11:45-48).

Já a ressurreição de Jesus deixa ainda mais claro o que é ressuscitar. O ressurreto em um corpo físico que pode ser tocado e alimentado (Lucas 24:39-43; João 20:27). E como ele foi ressurreto, nós também o seremos, pois em sua ressurreição nós nos tornamos merecedores da nossa (1 Coríntios 6:14, 15:23).

E isso não acaba aqui. Haverá duas ressurreições (João 5:28 e 29; Atos 24:15). Os justos ressuscitarão no retorno de Cristo (1 Coríntios 15:23; 1 Tessalonicenses 4:16; Apocalipse 20:6). Já os ímpios só reviveram depois de Satanás ficar aprisionado por mil anos, sendo este o mesmo período que os santos viverão com seus corpos imortais no Céu (Apocalipse 20:1-5; I Coríntios 15:42).

Em suma: ressuscitar é voltar a viver. E viver literalmente, respirando, com corpo físico e se alimentando. Que nossas mentes possam se desanuviar das doutrinas errôneas existentes por aí.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O cristão pode comer de tudo?

Na Bíblia Hebraica, Deus deixou para seu povo um regime dietético próprio para eles seguirem. Atualmente, os cristãos acreditam que este regime durou só até Jesus. Eles utilizam textos como esse para justificarem sua alimentação liberal:
E ele disse-lhes: Assim também vós estais sem entendimento? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar,
Porque não entra no seu coração, mas no ventre, e é lançado fora, ficando puras todas as comidas?
E dizia: O que sai do homem isso contamina o homem.

Marcos 7:18-20
O texto do verso 19 na Nova Tradução da Linguagem de Hoje (NTLH), Almeida Revista e Atualizada (ARA) e Nova Versão Internacional acrescentam algo similar a "Com isso Jesus quis dizer que todos os tipos de alimento podem ser comidos" [NTLH]. Já a Bíblia de Jerusalém traz em sua nota h) da página 1769:
h) Lit.: "purificando todos os alimentos"; parte de frase obscura (talvez glosa) e interpretada de diferentes maneiras.
Mesmo se não for glosa, o erro de interpretação desse texto está no fato de considerar tudo alimento. Será que entraria nisso as drogas, os venenos? Animais que claramente fazem mal a saúde? Plantas indigestas para nosso organismo?

Mas não gostaria de responder a interpretação que o cristão pode comer de tudo agora simplesmente com linhas argumentativas, mas diretamente com a exegese bíblica sobre o assunto.

Desde a criação Deus deixou claro o que seria de alimento tanto para o ser humano quanto para o animal:
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, servos-á para mantimento.
E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.

Gênesis 1:29 e 30
Depois do pecado, Deus abrangiu o que seria alimento para a erva do campo como um castigo da desobediência (Gênesis 3:18 e 19). Depois da primeira destruição da Terra no dilúvio, Deus permitiu ao homem comer dos animais da terra (Gênesis 9:3 e 4) mas note que antes de permitir isto, ele já tinha declarado quais animais eram limpos e imundos (Gênesis 7:2 e 3).

Em Levítico 11 ele deixa clara as regras para saber qual animal iria ser alimento ou não:
Fala aos filhos de Israel, dizendo: Estes são os animais, que comereis dentre todos os animais que há sobre a terra.
Levítico 11:2
 O que quero que você veja nos textos acima, que Deus não considera tudo como alimento. Veja que ele deixa claro o que é alimento e o que não é. Pensando nisto, fica fácil entender que não devemos aumentar a lista de permissão, sem ele mesmo não o ter feito.

As carnes proibidas não são alimento. Drogas não são alimento. Muito menos veneno, ou capim, ou qualquer outra coisa que não seja digerível por nosso organismo. No texto de Marcos, Jesus deixa claro que é para se preocupar menos com a questão do lavar ou não as mãos ao ingerir os alimentos (veja que são alimentos, e não qualquer coisa) e se importar mais com o reino de Deus.

Outro texto utilizado nessa discussão é o da visão de Pedro sobre os animais impuros, os quais, na visão, são purificados por Deus e se é ordenado que se coma (Atos 10). Pedro ficou tão abismado com a visão (ou seja, não deveria ficar se Jesus já os havia purificado em Marcos 7:19, não é?) que fora necessário repetir-se 3 vezes a visão, tendo sempre o mesmo resultado em seu ser. Mas ao chegar na casa de Cornélio ele descobriu a mensagem de Deus. O verso 28 do mesmo capítulo mostra claramente que não se está falando de alimentos, mas sim de homens que Deus não considerava imundo, como os judeus os consideravam.

Outro texto mal interpretado sobre o assunto é o de I Coríntios 14, onde muitos cristãos atuais acusam os vegetarianos de serem fracos. Na verdade, Paulo estava tentando desfazer brigas que eram causadas possivelmente pela discussão de Daniel 1, onde se declara que Daniel e seus amigos se absteram das iguarias babilônicas e comeram legumes, se tornando mais saudáveis dos que não fizeram tal regime. Paulo queria que eles simplesmente não brigassem por isso, valorizando uns aos outros por estarem fazendo seja o que for para honra e glória de Deus.

Infelizmente, esta permissividade pregada em nossos púlpitos acaba levando-nos a ter uma vida não tão saudável quanto Deus gostaria. Sei que depois de nos acostumarmos com um regime é difícil gostarmos dos alimentos deixados por Deus. Mas sei que ao nos esforçarmos para seguirmos as orientações divinas, Deus transformará gradativamente nosso paladar para as coisas que realmente fazem bem.

Isto é tanto verdade que até os animais teram seus hábitos alimentares restaurados em semelhança a criação, voltando ao seu alimento original (Isaías 11:6 e 7).

Línguas estranhas

O dom de línguas foi o primeiro Dom manifesto na descida do Espírito Santo prometida por Jesus (Atos 2). Os gentios que estavam na casa do centurião Cornélio receberam o dom também, sem nem terem sido batizados ainda (Atos 10:44-48). Ao impor a mão sobre 12 homens judeus em Éfeso, Paulo auxiliou-os a receber de Deus o dom de línguas e profecia.

Esses textos isolados são usados para mostrar que o poder do Espírito Santo é manifesto pelo dom de línguas, e os que não o recebem não receberam o que muitos chamam de "o batismo do Espírito Santo". Mas o próprio texto que introduz o dom de línguas também mostra o que ele é efetivamente:
E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente reunidos no mesmo lugar;
E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.
E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.
E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.
E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.
E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua.
E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando?
Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?

Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia,
E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos,
11 Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.
12 E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer?
13 E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.

Atos 2:1-13
Acho que fica esclarecido com estes destaques no texto que o dom de línguas é falar em línguas não conhecidas pelas pessoas que os estão falando. Paulo também confirma isto em I Coríntios 14:10-11. É como se eu, que não tenho a mínima noção de como se falar chinês ou mandarim começasse a falar normalmente essa língua, sem nunca ter me instruído a respeito. Este é o dom de língua e, sim, ele é de concepção sobrenatural.

Como este dom ganhou esta conotação de ser uma prova de ter o Espírito Santo, além de assombrar grandemente os espectadores (Veja logo acima Atos 2:12 e 13), muitas pessoas procuram mimetizar este dom. Este problema não é só atual, mas também existia na época de Paulo.

I Coríntios 12 à 14 é uma resposta a Paulo exatamente a este problema na igreja de Corinto. Paulo inicialmente tentou mostrar que o Espírito Santo não tem só um dom, e que ele não dá o mesmo dom a todos (capítulo 12). Comparou como um corpo que precisa de todas as suas partes para funcionar em sua plenitude.

Já no capítulo 13 ele mostrou o dom soberano do Espírito: o amor. Já no 14, ele chega ao seus fins mostrando o problema da igreja de corinto: a utilização feita pelo dom de línguas. Ele deu toda esta volta para mostrá-los que este dom estava sendo mal compreendido.

No capítulo 13 ele cita a língua dos anjos, para mostrar que ela não tem valor nenhum se a pessoa que a utiliza não tiver amor. É uma hipérbole para mostrar que o dom de línguas, sejam elas terrestres ou celestiais, não tem nenhum sentido se não forem movidos pelo amor. E o que Paulo vem trazendo no 14? O dom de línguas é para edificação própria, e não da igreja (verso 4).

Isso até poderia não ter grande importância, pois crescer é bom, não é? Este capítulo veio logo após o capítulo do amor mais sublime, aquele amor que só pensa no outro, e não em si (I Coríntios 13:4-7). No fim Paulo dispara:
Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.
Todavia eu antes quero falar na igreja cinco palavras na minha própria inteligência, para que possa também instruir os outros, do que dez mil palavras em língua desconhecida.
[...]
E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete.
Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.

I Coríntios 14: 18, 19, 27, 28

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por que Jesus teve que morrer na cruz?

Se me perguntassem sobre o que a Bíblia trata eu responderia que ela trata de reconciliação e perdão. Estas são as chaves do amor incondicional de Deus. São por estes ensinos que os cristãos são inspirados e até cobrados ao redor de todo o mundo.

Aprendemos que o perdão é deixar para traz as ofensas que foram cometidas contra nós, tendo como próprio exemplo nosso Deus que lança nas profundezas do mar os nossos pecados (Miquéias 7:19).

Sabemos também que o processo interior da conversão é reconhecer seu pecado, arrepender-se e mudar de vida (Jeremias 3:13; Oséias 5:15; Atos 3:19; 8:22; II Coríntios 7:11). Se este é o necessário, por que foi necessária a cruz? Por que Jesus teria que ter passado pela morte? Deus não poderia ter mudado a lei? Salvado a raça caída sem usar seu amado filho? Não poderia ter sido tudo mais fácil?

Com certeza estas perguntas são instigantes, aparentando serem até mesmo blasfemas. Mas acredito que elas sejam necessárias para entendermos melhor o porquê da cruz.

O relativismo moral não é algo criado depois da teoria da relatividade de Einstein, como alguns podem chegar a pensar. Ele já existia a muito tempo. O exemplo mais claro que me vem a mente é o de Pilatos com sua famosa pergunta "que é a verdade?" (João 18:38).

Até hoje lembro-me das dificuldades que tive para explicar os problemas causados por um certo tipo de comportamento para um adolescente, tentando mostrar pacientemente a ele todas as dores e dificuldades que seu comportamento causaria. Sua resposta para mim foi um simples "e daí?". Um erro que era tão claro para mim não era visto como erro para ele. Simplesmente não o incomodava machucar outras pessoas. Talvez ele pensasse que simplesmente fazia parte da vida, e não valia a pena nenhum esforço para mudar esta situação.

E a lei existe exatamente para isto. Para proteger-nos da dor, pois ela nos diz o que é errado e o que é certo. Mas nem todos compreenderão ou se importaram com essa proteção. Isto não faz com que a lei seja má, mas faz com que os que não se importam com ela continuem a se machucar e machucar a outros.

Mas todos nós erramos (Romanos 3:9-20). Beleza, nós reconhecemos isto e paramos de errar, certo? Quem dera fosse tão simples. Nossos processos mentais sempre vão em busca de desculpas para voltarmos a cometermos erros, principalmente os que mais gostamos. Fora que em pouco tempo esqueceríamos por completo a importância daquela lei que nos mantinha fazendo o que é certo, pois não visualizaríamos a importância dessa lei.

E para nós é importante visualizar, pois é a contemplação que nos transforma (Números 21:8; João 3:14; II Coríntios 3:18), pois não lemos os corações. Ver pessoas que cometeram os mesmos pecados terem condenações diferentes mostraria a todos que seja lá qual for o critério adotado para salvar uns e condenar outros a lei não importa, pois a condenação não chegou a eles apesar deles terem quebrado-a por inteiro.

Se a lei perder seu significado, obedecê-la também perderá. Se as pessoas não enxergarem as grotescas consequências do pecado ela nem perceberá que ele existe e está nos destruindo. Deus tinha que deixar clara as consequências da quebra de suas ordens. Por isso veio Jesus:
Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado.
João 15:22
Foi em Jesus que o pecado ficou claro. Ele morreu porque a lei é importante. Mostrou isso obedecendo-a (Mateus 5:17) e morrendo para mostrar que ela não é relativa. O pecado exige morte do pecador (Romanos 6:23; Hebreus 9:22). O perdão só pode ser concedido através da substituição, pois se não houver pagamento, a lei não importa. Poderíamos transgredí-la e continuar dizendo "não pega nada".

Este é o valor da lei: a morte do filho de Deus. Desta forma Jesus exalta a lei, mostrando sua real importância. E ele fez isso por nós. Ficou estendido na cruz para que todos vissem que o pecado existe e causa dor. Com a cruz, o relativismo morre.

O perdão e a reconciliação foram alcançados e chegam até nós gratuitamente, mas isto não foi barato para quem pagou a fiança (Deus).

Mas... ele tinha que sofrer tanto?

Bem, Jesus se entregou a morte (João 10:17 e 18), e Satanás aproveitou este momento para impugir o máximo de dor ao filho de Deus. Deus sabia disso, e mesmo assim não recuou.

Bendito seja o nome de Deus.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pedro foi o primeiro papa?

Pedro é, sem dúvida, o discípulo que mais chama a atenção dos leitores dos evangelhos canônicos. Suas ações emotivas e impetuosas causaram tanto elogios quanto críticas dos lábios de nosso doce Mestre.

Mas para a maior igreja cristã do planeta Pedro foi muito mais que um líder cristão. Ele foi o maior líder cristão. O pontífice. O substituto do filho de Deus, conhecido mais pelo título supremo da hierarquia católica como papa.

Apesar de atualmente a igreja católica não depender da Bíblia para estabelecer seus dogmas, a crença num pontífice da igreja, abaixo apenas de Cristo, é inspirada em um verso bíblico. Isso, mesmo, um verso bíblico.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Mateus 16:18
 Sim, sim. É desse verso que saiu o imaginário de São Pedro no portão do Céu aceitando ou recusando as pessoas de lá. Mas deixando isto de lado, é fácil de entender o porquê dos católicos dizem que Pedro foi o primeiro papa.

Veja que Pedro significa rocha/pedra em Grego, uma forma do aramaico cefas (João 1:42). Mas, será que Pedro seria a pedra fundamental da igreja cristã? Vejamos o que o restante da Bíblia tem a nos dizer:
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.
Efésios 2:20
Esse texto não só põe Jesus Cristo como a pedra principal mas iguala a função dos demais apóstolos e profetas como pedras de fundamento. Veja que o próprio Pedro declara que Cristo é a pedra viva e principal de esquina (I Pedro 2:6), mas mostra que não é somente ele que é considerado como pedra, mas todo o corpo de crentes são pedras vivas (v. 5) do edifício que é a igreja de Deus.

Até a declaração das ligações/uniões que fossem feitas na Terra seriam reconhecidas no Céu não são exclusivas para este discípulo (veja Mateus 18:18). Além de não ser exclusiva, não é uma declaração de autoridade, mas de responsabilidade. Se fizermos algo que desligue alguém da comunhão cristã, isto terá consequências eternas.

Apesar da clara liderança demonstrada por esse discípulo, Deus não dá nenhuma responsabilidade exclusiva para ele que não o passe para seus outros discípulos, incluindo os cristãos de hoje. A pedra principal é só uma, e os apóstolos e profetas, ou seja, a Bíblia, são nossos fundamentos para uma vida em Cristo. Este fundamento, juntamente com as demais pedras, que são os servos de Deus espalhados pelo mundo, formam a igreja de Deus aqui na Terra.

E se ainda resta alguma dúvida, medite nesta última declaração de Pedro que posto aqui, a qual foi feita num discurso inspirado que converteu cerca de 3.000 pessoas:
Ele [Jesus] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.
E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

Atos 4:11 e 12

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A morte de crianças

Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.
I Samuel 15:3
 A morte de crianças sempre comove o coração humano. A própria Bíblia deixa claro isto ao mostrar que as crianças israelitas masculinas eram lançadas no rio para que sua população não crescesse mais (Êxodo 1:22). Ninguém se esquece do assassinato das crianças no nascimento de Jesus, ordenado por Herodes, para que o recém-nascido rei dos judeus fosse eliminado ainda bebê (Mateus 2:16).

Quantas mães não ficam com o coração apertado quando ouvem a declaração de Salomão "Dividi em duas partes o menino vivo; e dai metade a uma, e metade a outra"? Com certeza muitas. Quantos pais não ficam revoltados com a tolice de Jefté (Juízes 11:30-31 e 34-35) ao oferecer um sacrifício que Deus não exigia, sendo obrigado por sua consciência a sacrificar a própria filha? Quantas pessoas ainda não compreendem como Abraão pode entregar seu filho ao sacrifício (veja mais em Isaque)?

Apesar desses textos serem dolorosos e usados por muitos descrentes para desmerecerem a Palavra de Deus, todos são bem explicados ao se contextualizá-los.

Casos mais difíceis de se explicar são os extermínios divinos, aonde tanto adultos como crianças eram exterminados. Casos clássicos sobre isso são o do dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra. Mas por que crianças inocentes eram destruídas juntamente com seus pais ímpios?

A Bíblia declara claramente que o justo não cairá na mesma condenação que o ímpio (Gênesis 18:23-33; Êxodo 23:7; Deuteronômio 24:16), todos morreram pelo seu próprio pecado. Mas teria uma criança de colo algum pecado? Infelizmente sim. Salmos 51:5, Davi declara que "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe". Também vemos em Romanos 3:10 e 11 que "não há um justo, nem um sequer".

Nós nascemos pecadores. Nascer não nos torna dignos da eternidade. Mas Deus é conhecido como Deus da misericórdia, então, por que Ele não agiu misericordiosamente com essas crianças? A misericórdia é aplicada referente ao arrependimento. Mas que arrependimento uma criança pode ter? Claro que ela não tem a mesma noção de arrependimento que os adultos, mas ela pode aprender e aceitar o amor de Deus através do amor dos pais e desde o ventre.

Isto mesmo, o amor dos pais já ensina as crianças desde pequenas sobre o amor de Deus para conosco. Infelizmente, quando não há quem pregue este amor, ou seja, os pais só ensinam o mal, não há como a criança aprender sobre o amor de Deus, que é o maior mandamento que temos a obdecer:
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?
Romanos 10:14
Desta forma, o destino dos filhos está vinculado com o dos pais assim como o da Terra estava vinculado com o do homem. É um vínculo genético e de ensinamento. Se os dois falharem, claramente a salvação estará longe da criança.

Para que Deus enviasse um castigo tão grande que tivesse que destruir o mundo, cidades e nações inteiras, incluindo crianças de colo e ainda em gestação, era porque a iniquidade no local atingira tais níveis que não haveria salvação nem para essas crianças.
E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
Gênesis 6:5
A verdade é que este julgamento só pertence a Deus, e eu creio em sua justiça. Tais aplicações só pertencem a Ele, o qual sabe o fim desde o início. Repito, só a Ele. Veja o texto abaixo:
Tu, pois, levanta-te, e vai para tua casa; entrando os teus pés na cidade, o menino morrerá.
E todo o Israel o pranteará, e o sepultará; porque de Jeroboão só este entrará em sepultura, porquanto se achou nele coisa boa para com o SENHOR Deus de Israel em casa de Jeroboão.

I Reis 14:12 e 13
Veja que uma criança, e apenas uma, não todas, Deus encontrou algo de bom. Ela teve um tratamento diferenciado por isso. Outra lição importante que aprendemos desse texto é que Deus não trata a morte como nós tratamos. Até em meio a morte a respeito e os tipos de morte contam. Motivos para se morrer também. Mas isto é assunto para outra postagem.

Por agora fiquemos com a pergunta: será que encontraremos o filho de Jeroboão, um rei infiel de Israel, quando Jesus vier nos buscar?