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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Onisciência: como funciona a mente de Deus?

Prepotência, arrogância, soberba e presunção são alguns substantivos que provavelmente vieram a mente do internauta ao ler o título dessa postagem.

Claro que o que proponho aqui são apenas reflexões baseadas na Bíblia e no conceito de onisciência que abstraímos dela, afinal, se a mente humana já é um universo magnífico o qual a ciência tem dificuldade em conhecer, imagina a mente divina.


Onisciência

Senhor, tu me sondas e me conheces.
Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.
Sabes muito bem quando trabalho e quando descanso; todos os meus caminhos te são bem conhecidos.
Antes mesmo que a palavra me chegue à língua, tu já a conheces inteiramente, Senhor.[...]
Tu criaste o íntimo do meu ser e me teceste no ventre de minha mãe.
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas! Disso tenho plena certeza.
Meus ossos não estavam escondidos de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra.
Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.
Como são preciosos para mim os teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!
Se eu os contasse seriam mais do que os grãos de areia. Se terminasse de contá-los, eu ainda estaria contigo.
Salmos 139:1-4, 13-18
Deus sabe tudo. Se isso te causa algum desconforto, olha que piora. Deus não só sabe tudo, mas sempre soube. Isso é o que vemos neste salmo, o qual também transmite a onipresença divina.

Muitos ao olhar para esse texto veem uma predestinação do que acontecerá na vida de cada um, destruindo a liberdade de escolha de cada um, chamada também de livre-arbítrio. Há outros textos que também trazem aparente ideia de Deus determinar a salvação e perdição, como Romanos 8:29 e 30 e Efésios 1:3-6.

Esses textos se chocam com outros que mostram a escolha humana, como 1 Timóteo 2:3-4, 2 Pedro 3:9, pois mostram o divino de salvação universal, além de Deuteronômio 30:19, Josué 24:14 e 15, Isaías 1:18-20, Apocalipse 3:20 e muitos outros textos que demonstram convites e escolhas que o ser humano deve tomar.

Sabe, eu acredito que Deus permitiu essas aparentes contradições por um motivo: ocuparmo-nos com sua palavra. Não podemos nos acomodar de estudar, pensar, refletir nela, para que possamos aprender mais dEle.

Não acredito que Deus tenha criado a cada um sem o poder de decidir entre fazer o bem e o mal. Claro que depois do pecado perdemos essa capacidade, mas foi nos concedida novamente com a promessa da morte de Cristo e a ação do Espírito Santo sobre nós. Mas isso não explica o que o saber tudo de Deus significa, não é mesmo?

Ter certeza que algo acontecerá não faz com que eu tenha escolhido que seria desse jeito. Claro que grandes decisões como salvar a humanidade ou destruí-la e começar do zero são decisões divinas, mas Ele escolheu um caminho diferente. Ele viu onde iria dar esse e escolheu ele. Qual é esse caminho. Um caminho onde a salvação é condicionada a nossa escolha. Claro que ele sabe quem vai ou não vai se salvar antecipadamente, mas não porque ele ignorou nossas escolhas, mas por saber qual seria.

Um exemplo para ilustrar essa parte seria a de uma câmera que filmasse o futuro. Ela pode ver o que acontecerá, mas não mudará nada, no caso, por não ter poder para isso. Deus tem poder para alterar, mas não é isso que Ele faz, ao menos não O faz em relação a nossa escolha exclusiva de aceitarmos ou não essa salvação.

Mais uma coisa a respeito do "ver o futuro". Como Deus veria o futuro se ele ainda não aconteceu? Deus vê pois sua capacidade mental é tão extraordinária que a sequência de cada fato e escolha que dará é organizada de tal forma em sua mente que Ele tem convicção do que acontecerá, inclusive em cada detalhe, capacidade impossível para qualquer outro ser.

Segundo o livro de Daniel e demais profecias bíblicas cumpridas, temos convicção que Deus age na história, inclusive, até suas ações ele já previa muito anteriormente, ou, em outras palavras, Ele já via o que faria antes mesmo de o fazer, o que nos leva para o próximo subtítulo.

A mente de Deus
Nós, porém, não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito procedente de Deus, para que entendamos as coisas que Deus nos tem dado gratuitamente.
Delas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para os que são espirituais.
Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente.
Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido; pois
"quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo? " Nós, porém, temos a mente de Cristo.
1 Coríntios 2:12-16
Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos!"Quem conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? "
"Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? "
Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.
Romanos 11:33-36
Quem afinal, pode sondar a Deus? Quem pode compreendê-lo por completo? Ninguém, correto. Mas lhe conhecemos, não por completo, através de Cristo. Não que Cristo não o represente perfeitamente, mas por não sermos capazes por sermos finitos. Poderia o finito caber o infinito?

O próprio Salomão declarou que a pessoa de Deus não caberia nem em tudo, ou... como poderia dizer? "... nem os céus e até os céus dos céus não te podem conter" (1 Reis 8:27)? Acho que isso. Não dá para entender por completo o ser divino, afinal, Ele habita em luz inacessível (1 Timóteo 6:16).

Afinal, dá para se concluir o que se passa na mente de Deus? Sim. Tudo se passa lá. Tudo mesmo. Inclusive o que jamais veio a existência, incluindo o que nunca virá.

Todas as ciências, todo o conhecimento, tudo o que já não existe, tudo o que ainda existirá, está lá, na mente de Deus. De certa forma, este pensamento lembra muito o mundo das ideias de Platão, mas não o é.

Assim como nós inventamos, sonhamos, criamos coisas, Deus o faz, mas a diferença é que mesmo que ele jamais execute uma ideia, ou feito, eles estão na mente dele, os compreendendo de uma maneira que jamais nós o compreenderemos.

Só Deus tem essa capacidade e esse poder, inclusive de tudo que é chamado de mal estar na mente dele e não vir a existência por intermédio dele. Afinal, conhecer algo não é ser algo, pois entendermos mais sobre um serial killer não nos torna um, apesar de no nosso caso isso poder nos influenciar.

Concluo com uma última ideia, a qual trabalharei em outra postagem, que é: Deus é o único que conhece cada ser humano, incluindo suas células, memórias, sonhos, desejos, inclusive essas coisas nos que já  deixaram de existir. Deste modo, Ele é o único que pode trazer-nos novamente a vida, e do nada. Deus tem a capacidade de fazer com que voltemos a vida exatamente do modo que éramos antes de morrermos, sem nenhuma diferença, inclusive nos fios de cabelo, afinal, ele sabe exatamente quantos são (Mateus 10:30).

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que vem com a Morte?


Deveras todas estas coisas considerei no meu coração, para declarar tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante ele.Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração enquanto vivem, e depois se vão aos mortos. Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
Eclesiastes 9:1-6
Na madrugada dessa terça-feira o Brasil foi impactado com a notícia da morte de 71 pessoas no acidente aéreo na Colômbia com a delegação do time brasileiro de futebol Chapecoense. Na verdade, não só o Brasil se comoveu, mas o mundo inteiro prestou suas condolências ao saberem dessa fatalidade.

Os clubes brasileiros estão tomando atitudes de solidariedade ao clube e o governo de vários países tentam ajudar nesse momento de dificuldade para os familiares, amigos e a cidade de chapeco, por serem os mais afetados pela tragédia.

Mas o que mais me chamou a atenção é o que ocorreu poucas horas depois da tragédia ser anunciada. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético mineiro e toda a última rodada do Campeonato Brasileiro, atitude totalmente diferente do que aconteceu 22 anos atrás quando um herói nacional morria num acidente de fórmula um: o piloto Ayrton Senna.

No dia 1º de Maio de 1994 morreu o que talvez foi o maior piloto de fórmula 1 que o mundo já conheceu. Foi no prêmio de Imola na Itália que aconteceu, mas ele não foi o único piloto a se acidentar nesse prêmio e, infelizmente, não foi o único a morrer. No treino classificatório já havia morrido o piloto Roland Ratzenberger e vários outros acidentes sérios tinham ocorrido. Todos os pilotos estavam abalados e, inclusive o brasileiro. Ele ainda pediu para não correr, mas, como dizem nos show business "o show tem que continuar". Mas há coisas mais importantes que o intertainment.

Se a atitude dos dirigentes da fórmula 1 fosse igual ao dos do futebol da CBF e da Comebol, provavelmente teríamos por mais tempo nosso píloto mais estimado.

A morte, segundo a Bíblia, é o último inimigo a ser vencido (1 Coríntios 15;26). Mesmo assim a morte trás algo importante: a reflexão do valor da vida. Em meio a morte olhamos para a vida, o que há de bom, e isso traz o que há de melhor em nós.

O jogador Alan Ruschel pediu para que guardasse sua aliança, outros jogadores que chegaram vivos perguntaram sobre a família nos levando a ver que pessoas acostumados a agradar multidões ainda precisam do mesmo fundamento base que todos nós precisamos, a família (Veja Eclesiastes 9:9).

Em meio à morte, nos voltamos mais fortemente a vida, procurando o que ela há de melhor. Procuramos o mais importante na vida e isso nos faz aprender o que realmente é viver, e viver com abundância. Esse é o motivo de Salomão (o mais aceito autor de Eclesiastes) dizer "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração" (Eclesiastes 7:2).

O texto que escolhi não o fiz por querer defender uma doutrina ou para ser dramático, mas para mostrar a real essência do livro de Eclesiastes: como devemos viver a vida. O que realmente importa? Viver em abundância e o livro dá várias dicas disso. Como a música dos titãs diz, devemos "saber viver", e isso no livro de Eclesiastes, é viver com sabedoria. A Sabedoria é melhor que armas de guerra (veja Eclesiastes 9:14-18).

A morte é muito forte, mas sua força pode nos trazer cada vez mais vida. Só depende de nós, pois Deus nos indica esse caminho. A vida, afinal, é muito mais forte, e por isso ela vale muito mais ser apreciada do que a morte. A morte só serve para enaltecer a vida. Lembrar que ela é o primeiro presente de Deus e o único que faz com que aproveitemos os outros.

No filme "Um Sonho de Liberdade", Red indaga Andy sobre como não deveríamos fantasiar com sonhos inúteis, pois os dois tinham sido sentenciados a prisão eterna e jamais sairiam da prisão. Sonhar com uma vida fora era inútil. Andy respondi que só restava duas opções então: ocupar-se com a vida ou com a morte. Andy escolheu a vida, "porque melhor é o cão vivo do que o leão morto" (Eclesiastes 9:4).

A vida é boa, e devemos procurar a sabedoria divina para vivermos ela bem e ensinar outros a vivê-la bem. Aceita esse desafio?

sábado, 10 de janeiro de 2015

é isto um homem? de Primo Levi

Este livro é o relato do próprio autor, judeu italiano, a respeito dos horrores que viveu no campo de concentração de Auschwits, e de como o funcionamento do campo desumanizava tanto judeus quanto soldados.

Em meio a rotina dura do campo, Primo Levi relata o efeito que a ajuda simples de um homem tinha em seu ser:
"... Não sei se tem sentido identificar as causas pelas quais a minha vida, só a minha entre milhares de vidas equivalentes, pôde resistir à prova; em todo caso, creio que devo justamente a Lourenço o fato de estar vivo hoje. E não é só por ajuda material, mas por ter-me ele lembrado constantemente (com a sua presença, com esse seu jeito tão simples de ser bom) que ainda existia um mundo justo, fora do nosso; algo, alguém, ainda puro e íntegro, não corrupto nem selvagem, alheio ao ódio e ao medo; algo difícil de definir, uma remota possibilidade de bem pela qual valia a pena conservar-se."
Esse texto lindo é minha parte favorita no livro. Não tem a ver diretamente com religião, pois o próprio autor não consegue conceber Deus depois dos horrores que viveu, mas tem a  ver com um efeito que muitos religiosos causam nos outros.

Pureza, bondade, integridade e honra dão vida. Pedro dizia que não se separaria de Cristo porque encontrava nEle palavras de vida (João 6:68). Acredito que é isso que podemos fazer pelo outro. Ser bons para darmos vida a eles, não importando se cremos ou não em Deus. Mas, claro, não são todos que estão dispostos a isso.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Nossos deuses são super-heróis

Calma! Calma! Não entre em pânico.

Sei que a capa causa um espanto nos cristãos por satirizar a santa ceia de Leonardo da Vinci, mas a obra é bem coerente no que ela se dispõe. Não a destrua só pelo olhar inicial.

Por muito tempo escondi meu lado geek (nerd), mas para ser verdadeiro tenho que assumi-lo. Apesar de nerd, não sou dos melhores também [vergonha].

O texto conta a história das hqs, claro, focando-se mais sua origem norte-americana. O diferencial de outros livros históricos sobre o tema é que ele mostra como esses quadrinhos estão cobertos de ideias religiosas de todos os tipos.

Mas o que mais me chamou a atenção neste livro foi como a psique humana tem necessidade de heróis. Alguns preferem heróis que se identifiquem com nós, passem pelas mesmas dificuldades e crises existenciais. Outros preferem salvadores poderosos e incorruptíveis como deuses que dão exemplo de moral ou no mínimo tem poder para resolver nossos problemas.

A solidão de jovens que não sentem nas religiões o que é necessário para encarar a vida e conseguem um pouco mais de consolo nessas figuras tão diversas também fica clara no texto.

A necessidade de sermos heróis também é citada. Refletir nisso me fez pensar no maior diferencial que o judaísmo do antigo testamento tem em comparação ao cristianismo judeu do primeiro século: o ideal proselitista.

Esse ideal de missão diferenciou os dois momentos de maneira incrível, dando uma possibilidade de contribuir com Deus na salvação de outros simplesmente ao mostrar a esses o que Deus fez por eles ao entregar seu filho a morte para que o universo fosse re-harmonizado  com Ele.

Em suma: precisamos de um herói. Todos nós, nem que para isso, nós mesmos sejamos esse herói.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Entendendo Salvação e obras da lei

Criei [que orgunlho =) ] uma pequena parábola para exemplificar melhor como se harmonizam a salvação dada por Jesus Cristo e as obras da lei.

Tudo começa com um cruzeiro (ou navio bem grande). As pessoas que embarcaram nesse cruzeiro estavam livres para se divertirem da maneira que bem quisessem tendo que respeitar uma única lei no navio todo. Não poderia pular para fora do cruzeiro. Isso mesmo, não se poderia sair do navio quando o mesmo se encontrasse em alto mar. Só isso era necessário para que tudo ficasse bem nessa maravilhosa viagem. Fora esclarecido isto a todos os passageiros, não tendo dúvidas a respeito de como cumprir a regra.

Mas um dos viajantes, ludibriado pelo Sol batendo nas lindas águas do mar decidiu "quebrar" a lei, pulando do cruzeiro no alto mar. O mergulho foi tão bom que ele sobreviveu. Mas depois de curtir um pouco da emoção de estar em alto mar ele se deu conta de que não conseguiria subir sozinho e se ele permanecesse lá ele morreria. Quem dera se ele tivesse guardado o mandamento que tinham lhe mandado! Mas agora guardá-lo não poderia salvá-lo, pois de que adianta não pular do barco se você nem está dentro dele. Guardar a lei não colocaria ele em segurança, na verdade, primeiro ele tinha que estar no cruzeiro para poder voltar a guardar a lei.

Agora o aventureiro começou a gritar por ajuda e outro milagre aconteceu. Alguém ouviu e avisou o resgate do navio que resgatou o homem. Agora que ele estava de volta no barco ele pode guardar a lei, pois se ele voltar a quebrar aquela única lei, ele voltará a colocá-lo em perigo e todos que quiserem ajudá-lo.

Jesus morreu a morte que nós tínhamos que morrer: a morte eterna. Mas ele não fez isso para que vivêssemos machucando a nós mesmos e as pessoas ao nosso redor. Depois de salvos, nossa união com Cristo nos transforma para não querermos mais desobedecer nosso Pai celestial.

Está pequena parábola conta-nos tanto a necessidade de um salvador quanto a importância da obediência a lei divina. Foi inspirada no Salmo 40:1-3.
Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor.Tirou-me dum lago horrível, dum charco de lodo, pós os meus pés sobre uma rocha, firmou os meus passos.E pós um novo cântico na minha boca, um hino ao nosso Deus; muitos o verão, e temerão, e confiarão no SENHOR.
Fiquem com Deus.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Alto estima ou autoestima?

Atualmente muito se tem falado da auto valoração do ser. Repetir para si mesmo que "você pode", "você consegue", "eu confio em você" é uma maneira de alcançar sucesso e se ver com melhores olhos.

Mas muitas vezes a pessoa se recusa a repetir isto pelo simples fato de não ser verdade, de não acreditar naquilo. Alguns casos extremos as pessoas até pulam de lugares altos por acharem que "podem" realmente voar. Repetir algo que não tenha uma estrutura esterna é apenas recitar um mantra sem significado algum.

Na verdade, não há nada melhor para uma pessoa se sentir auto valorizada do que quando outros demonstram amor por ela. Quantas pessoas não mudaram de atitude para com si mesmas quando foram valorizadas e amadas? Principalmente quando este amor era claramente incondicional, ou seja, sem exigências? Com certeza muitas.

Quando digo sem exigência me refiro ao fato de uma pessoa ser amada sem ter feito nada para merecer isto. Mesmo que ela tenha magoado ou maltratado a pessoa que lhe devota amor, isto não destruiu o amor demonstrado pela outra pessoa.

Este é um amor difícil de se encontrar entre os humanos, mas mesmo assim ainda o encontramos. Na Bíblia temos o caso de Jó que mesmo que erroneamente acreditando que Deus o mataria continuava a professar dedicação a Ele (Jó 13:15).

Mas nenhum amor pode se aproximar do amor demonstrado por Deus a nós:
Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
Romanos 5:8
Deus pretende fazer com que através desse amor nós despertemos para a verdadeira valoração que temos, ou seja, o valor de sermos chamados "filhos de Deus" (João 1:12; 3:16); de sermos alvos de seu amor e cuidados.

Segundo o mandamento divino, o amor ao próximo só pode ser atingido ao amarmos a nós mesmos (Marcos 12:31), pois o bem querer a nós mesmos serve de referência para querer bem aos outros. Foi só por essa falta de referência que Jesus deu o novo mandamento, que em essência é igual à citação, ou seja, amar como Ele amou (João 13:34).

Que possamos estudar a Bíblia para aprendermos de Deus e seu amor por nós, pois seu amor demonstra tanto o nosso valor para Ele quanto para o universo.

E não se esqueça de acreditar mais na aLto estima (a estima que Deus tem por você) do que na aUtoestima ensinada nos dias de hoje, a que muitas vezes tenta construir uma boa estima por meio de mentiras e meias verdades.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Vinho na Bíblia

Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos?
Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.
Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá.
Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades.
E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro.
E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez.

Provérbios 23:29-35
 Mais um assunto polêmico. Mas achei um bom estudo na internet para esclarecer melhor isto. Parecia ter sentido ao menos. É um artigo chamado "Um Estudo sobre o vinho na Bíblia" do pastor Nilton Bernini. Leia o artigo aqui.

Também há um artigo do pastor Demóstenes Neves da Silva intitulado "O vinho na Bíblia" aonde você pode encontrar um estudo sobre as palavras do Antigo Testamento usadas em diversas ocasiões. Veja este arquivo aqui.

Não me aprofundei muito nestes estudos, mas estes dois sites, principalmente o primeiro, parecem-me bem coerentes. Muitos cristãos e outros religiosos se embriagam e desgastam suas famílias e sociedades há milênios. O pior que nem sei se sou contra a ilegalização desta droga, pois isto só traria mais contrabando e lutas secretas, assim como já aconteceram muitas no último século quando portos americanos proibiam o uso do produto.

Ainda não consigo ver uma solução melhor para evitar estes males a não ser a abstenção destes produtos, pois o uso moderado não será moderado quando passarmos por uma amargura grande.

Se você não tem força para parar, ou pior, não quer parar, ore a Deus e discuta o problema com Ele. Acredite a cada dia que sua vida pode melhorar.

Deus te abençoe.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por que Jesus teve que morrer na cruz?

Se me perguntassem sobre o que a Bíblia trata eu responderia que ela trata de reconciliação e perdão. Estas são as chaves do amor incondicional de Deus. São por estes ensinos que os cristãos são inspirados e até cobrados ao redor de todo o mundo.

Aprendemos que o perdão é deixar para traz as ofensas que foram cometidas contra nós, tendo como próprio exemplo nosso Deus que lança nas profundezas do mar os nossos pecados (Miquéias 7:19).

Sabemos também que o processo interior da conversão é reconhecer seu pecado, arrepender-se e mudar de vida (Jeremias 3:13; Oséias 5:15; Atos 3:19; 8:22; II Coríntios 7:11). Se este é o necessário, por que foi necessária a cruz? Por que Jesus teria que ter passado pela morte? Deus não poderia ter mudado a lei? Salvado a raça caída sem usar seu amado filho? Não poderia ter sido tudo mais fácil?

Com certeza estas perguntas são instigantes, aparentando serem até mesmo blasfemas. Mas acredito que elas sejam necessárias para entendermos melhor o porquê da cruz.

O relativismo moral não é algo criado depois da teoria da relatividade de Einstein, como alguns podem chegar a pensar. Ele já existia a muito tempo. O exemplo mais claro que me vem a mente é o de Pilatos com sua famosa pergunta "que é a verdade?" (João 18:38).

Até hoje lembro-me das dificuldades que tive para explicar os problemas causados por um certo tipo de comportamento para um adolescente, tentando mostrar pacientemente a ele todas as dores e dificuldades que seu comportamento causaria. Sua resposta para mim foi um simples "e daí?". Um erro que era tão claro para mim não era visto como erro para ele. Simplesmente não o incomodava machucar outras pessoas. Talvez ele pensasse que simplesmente fazia parte da vida, e não valia a pena nenhum esforço para mudar esta situação.

E a lei existe exatamente para isto. Para proteger-nos da dor, pois ela nos diz o que é errado e o que é certo. Mas nem todos compreenderão ou se importaram com essa proteção. Isto não faz com que a lei seja má, mas faz com que os que não se importam com ela continuem a se machucar e machucar a outros.

Mas todos nós erramos (Romanos 3:9-20). Beleza, nós reconhecemos isto e paramos de errar, certo? Quem dera fosse tão simples. Nossos processos mentais sempre vão em busca de desculpas para voltarmos a cometermos erros, principalmente os que mais gostamos. Fora que em pouco tempo esqueceríamos por completo a importância daquela lei que nos mantinha fazendo o que é certo, pois não visualizaríamos a importância dessa lei.

E para nós é importante visualizar, pois é a contemplação que nos transforma (Números 21:8; João 3:14; II Coríntios 3:18), pois não lemos os corações. Ver pessoas que cometeram os mesmos pecados terem condenações diferentes mostraria a todos que seja lá qual for o critério adotado para salvar uns e condenar outros a lei não importa, pois a condenação não chegou a eles apesar deles terem quebrado-a por inteiro.

Se a lei perder seu significado, obedecê-la também perderá. Se as pessoas não enxergarem as grotescas consequências do pecado ela nem perceberá que ele existe e está nos destruindo. Deus tinha que deixar clara as consequências da quebra de suas ordens. Por isso veio Jesus:
Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado.
João 15:22
Foi em Jesus que o pecado ficou claro. Ele morreu porque a lei é importante. Mostrou isso obedecendo-a (Mateus 5:17) e morrendo para mostrar que ela não é relativa. O pecado exige morte do pecador (Romanos 6:23; Hebreus 9:22). O perdão só pode ser concedido através da substituição, pois se não houver pagamento, a lei não importa. Poderíamos transgredí-la e continuar dizendo "não pega nada".

Este é o valor da lei: a morte do filho de Deus. Desta forma Jesus exalta a lei, mostrando sua real importância. E ele fez isso por nós. Ficou estendido na cruz para que todos vissem que o pecado existe e causa dor. Com a cruz, o relativismo morre.

O perdão e a reconciliação foram alcançados e chegam até nós gratuitamente, mas isto não foi barato para quem pagou a fiança (Deus).

Mas... ele tinha que sofrer tanto?

Bem, Jesus se entregou a morte (João 10:17 e 18), e Satanás aproveitou este momento para impugir o máximo de dor ao filho de Deus. Deus sabia disso, e mesmo assim não recuou.

Bendito seja o nome de Deus.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os animais vão para o Céu?

Eita, questão difícil, não é mesmo? Há muita discussão entre os teólogos sobre o que acontece com os animais depois que eles morrem, mas esta questão, em particular, é fácil de responder:
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Eclesiastes 3:19 e 20
A Bíblia é clara em declarar que o que acontece com o homem também acontecerá com os animais, e vice-versa (veja mais em alma, espírito e espírito do homem e espírito de Deus). Mas só saber que os animais vão para o pó assim como o homem não satisfaz nossas inquietações.

As perguntas que ainda restam seriam: Haverá animais no Céu? Os nossos mascotes participarão da ressurreição? Teria algum tipo de redenção para os animais? Essas são perguntas que perturbam os amantes dos animais.

A Bíblia não declara em nenhum momento que os animais estarão na atual morada de Deus, mas claramente demonstra que os mesmos estarão na Terra restaurada e Novo Céu, mas com o comportamento completamente melhorado (Leia Isaías 11:6-9).

Apesar de termos a certeza de termos animais na Nova Terra e Novo Céu (isto porque a Terra será renovada e agora será o trono de Deus, ou seja, Nova Terra e Novo Céu são o mesmo lugar) não sabemos se serão os mesmos animais que nos fizeram companhia um dia. Mas uma certeza temos, Deus ama cada ser de sua criação muito mais do que nós os amamos.

Lembrem-se dos animais da arca, os quais Deus guardou da destruição eminente. A obediente jumenta de Balaão, a qual recebeu de Deus o dom de falar para que se defendesse de seu amo. Lembrem-se também das palavras de Jesus, ao falar que o Pai do Céu alimenta as aves (Mateus 6:26). Deus ama todas as suas criaturas, inclusive a Terra:
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
Apocalipse 11:18
A terra foi amaldiçoada por causa do pecado humano (Gênesis 3:17). Ela tem sofrido, juntamente com os animais, os efeitos da maldade humana. Se a mesma irá ser renovada, é bem possível que os animais que sofreram inocentemente também voltem a viver. Melhor ainda, se a Terra irá ser exaltada como Novo Céu, e nós, tristes pecadores, reinaremos juntos com Cristo, os animais que deram sua vida por causa da maldade humana também podem ser renovados e melhorados, não é mesmo?

Acredito que isso seja possível. Acredito que a Bíblia não fala mais claramente sobre isto pois seu maior objetivo é nossa salvação. Talvez Jesus fale para nós quando tratamos desse assunto assim como ele falou com Pedro a respeito de João:
Por que te importa o que farei com estes animais? Segue-me tu. Não confias em mim? Não são eles minhas criaturas? Será que você daria melhor destino a eles do que Eu posso dar? Segue-me tu.
João 21:22 [parafraseado para a situação]

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

A parábola do juiz iníquo e da viúva persistente

E contou-lhes também uma parábola sobre o dever de orar sempre, e nunca desfalecer,
Dizendo: Havia numa cidade um certo juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava o homem.
Havia também, naquela mesma cidade, uma certa viúva, que ia ter com ele, dizendo: Faze-me justiça contra o meu adversário.
E por algum tempo não quis atendê-la; mas depois disse consigo: Ainda que não temo a Deus, nem respeito os homens,
Todavia, como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça, para que enfim não volte, e me importune muito.
E disse o Senhor: Ouvi o que diz o injusto juiz.
E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?
Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?
Lucas 18:1-8
Gostaria que vocês notassem, logo de início, as primeiras palavras da parábola. Exatamente! Elas já trazem a lição para ser aprendida. Mas por que Lucas decidiu mostrar a lição da parábola antes mesmo de contá-la? Eu acredito por causa do perigo que há de interpretarmos ela de outra forma.

Perigo? Sim, veja a tendência que eu tinha ao ler essa parábola, tendência que talvez você ou alguma outra pessoa possa sentir também. Acompanhem raciocínio abaixo:

Se o juiz iníquo atendeu o pedido da mulher por lhe importunar, então, com Deus, que é justo e sabe todas as coisas, não precisamos ficar amolando-o a todo momento para nos responder, não é mesmo?
Caso você tenha visto lógica no pensamento acima, saiba que você está certo. Existe lógica. Mas não é isso que Jesus quer ensinar. Veja que o que ele quer ensinar é que devemos orar sempre, sem nunca esmorecer, desistir, desfalecer, etc.

É claro que Deus não gosta de repetições (Mateus 6:7), mas ele almeja que você sempre abra seu coração a Ele (Salmos 62:8) e que ore sem cessar (I Tessalonicenses 5:17). As repetições que ele não quer ouvir são as palavras sem significado que nós proferimos, por mais belas que elas pareçam.

A verdadeira lição que Jesus queria nos ensinar é de que nós devemos insistir na oração sempre, por mais que pareça que Deus se atrase em responder ou não se importa, o que não é verdade. Ele faz tudo no tempo certo, no momento mais propício para o bem maior. A lógica correta da parábola então seria:

Se eu insisto em clamar a um juiz mau, que me maltrata, desdenha de meu caso e me faz sempre me sentir mal em sua presença, então como não terei prazer em clamar a um juiz bom, que sempre me ouve, e me ama, me faz bem, traz-me paz e consolo, além de insistir para que eu o procure?

Sempre orar, sem nunca esmorecer. Abra sempre seu coração a Deus e diga todas as suas alegrias e frustrações a Ele. Você não pode cansar Seus ouvidos.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

[Dn 9] Conclusões

O estudo que vocês acompanharam foi da profecia mais espetacular de todos os tempos. Sua precisão é incrível, fácil de entender e historicamente comprovada. Mas há grandiosas lições que não podem passar em branco em Daniel 9.

Daniel fora um homem diferente. Apesar de ver seu povo perder a autonomia em sua terra natal, ser levado cativo e feito servo do homem mais poderoso daquele lugar, ele não ficou contra Deus. Pelo contrário, se apegou ainda mais a Ele.

Poderia ter se lastimado por si próprio, mas estava preocupado com seu povo. Poderia ter se colocado como inocente perante Deus, mas assumiu sua culpa e a de todo o povo. Fora humilde, tanto para com o rei quanto para com Deus. Sua oração é um exemplo de amor para com Deus e com o próximo.

A resposta do anjo também não pode ser ignorada. O anjo revelou algo que talvez Daniel pudesse ter desconfiado em algum momento de sofrimento: que Deus o ama, e muito. Deus enviou Gabriel para mostrar que sua oração seria atendida, e que seu povo continuaria sendo único para com ele por mais cinco séculos.

Mas, e depois disto? Deus mostrou que viria muitos sofrimentos para o povo de Daniel, mas também mostrou que no fim deste tempo viria o prometido messias, o qual daria cabo dos pecados.

Infelizmente, muitos de nós pensam que esta profecia está mostrando que os judeus teriam seu tempo para se acertar com Deus e depois teriam sua eleição expirada. Muitos vêem como se Deus estivesse rejeitando os judeus, mas Paulo mostra uma visão diferente sobre o que aconteceu depois da cruz:
Digo, pois: Porventura rejeitou Deus o seu povo? De modo nenhum; porque também eu sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
Deus não rejeitou o seu povo, que antes conheceu. Ou não sabeis o que a Escritura diz de Elias, como fala a Deus contra Israel, dizendo:
Senhor, mataram os teus profetas, e derribaram os teus altares; e só eu fiquei, e buscam a minha alma?
Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal.
Assim, pois, também agora neste tempo ficou um remanescente, segundo a eleição da graça.
Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça. Se, porém, é pelas obras, já não é mais graça; de outra maneira a obra já não é obra.
Pois quê? O que Israel buscava não o alcançou; mas os eleitos o alcançaram, e os outros foram endurecidos. [...]
E se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da oliveira,
Não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares, não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti.
Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado.
Está bem; pela sua incredulidade foram quebrados, e tu estás em pé pela fé. Então não te ensoberbeças, mas teme.
Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, teme que não te poupe a ti também.
Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado.
E também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar.
Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!
Romanos 11:1-7, 17-24
Paulo deixa claro que nenhum judeu fora rejeitado, mas os desobedientes foram rejeitados. Mas Deus sempre deixou um resto. Um povo que manteve seu nome. Deste resto, nós, gentios, que cremos em Cristo fomos enxertados. Ou seja, a eleição de Israel ainda continua, só que agora todo o mundo pode fazer parte dela.

Deus não diminuiu o status dos judeus, mas sim elevou os demais a seu status. Deus acrescentou a seu povo "todo aquele que crê" (João 3:16).

Uma coisa tem que ficar clara para todos, os patriarcas marcaram a história do mundo para sempre. Sua vida nos toca até hoje e sua tradição veio a ser preservada e chegou até nós pelo resto de Deus, sendo o nome mais notório deste resto nas escrituras o dos judeus, principalmente no Novo Testamento.

Resumo e links:

A profecia mais impressionante de todos os tempos

A oração de Daniel

Gabriel

A Profecia: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5 e Parte 6.

Você pode ver tudo também no marcador Daniel 9.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

God on Trial [O julgamento de Deus]

God on Trial é um filme da BBC que dá vida a uma lenda sobre um julgamento feito por prisioneiros judeus em Auschwitz.

Ótimo filme, com argumentos incríveis e conclusão espantosa. Deus é posto no banco dos réus pelos prisioneiros acusado de ter abandonado a aliança com seu povo. No fim, ele é condenado culpado. Veja mais aqui (em inglês) e aqui caso queira ver traduzido.

A angústia do momento é real. Os argumentos são pesados. A visão da Bíblia dura e seca. A esperança e bondade dos remanescentes clara. A vontade de se agarrar a Deus, mesmo não o compreendendo é firme. O ódio voltado para um Deus que se cala é fervente. Há muitas provocações para com Deus para ver se Ele se manifesta. No fim todos os condenados a câmara de gás oram.

Apesar de não me acrescentar nada de novo, este filme é muito bom, apesar de pesado. Nele é debatido diversos argumentos tanto em defesa quanto em ataque a Deus. Mas o que me veio a escrever esta postagem, além de deixar o conselho do filme (é um filme feito para TV), foi comentar sobre a importância da Doutrina correta para o nosso ser.

Quantos de nós não nos importamos com a verdade a respeito do universo que a Bíblia tenta nos apresentar. Quantos não pensam sobre as complexidades da vida antes de que elas venham. Quantos desconhecemos a morte, a dor, as injustiças até que elas nos batam na cara. Vemos um mundo mágico e irreal, até que o verdadeiro mundo nos encare.

Não refletimos sobre a vida, as justiças. Só repetimos discursos, frases feitas e desconexas que trazem um conforto temporário mas não uma verdadeira esperança.

Apossar-se da verdadeira doutrina bíblica é aprofundar-se nela como um todo. Não em um ou dois versos, mas vê-la em toda sua complexidade, ou entre sua aparentes contradições.

Por exemplo, a questão do papel de Deus para no universo estava confusa entre os prisioneiros. A morte era tão temida como fim da existência que os argumentos contra Deus eram baseados no fato de crianças morrerem. Crianças sempre morrem. Seja meus, seus, ou de nossos inimigos. Seja por doença, falta de zelo ou maldade.

O argumento mais forte e definitivo contra Deus fora a respeito de sua crueldade. Crueldade nos castigos e mortes que Ele provocara. Definiram Deus como poderoso, mas mal. Elevaram nosso patamar e rebaixaram Deus como um Deus mal e cruel.

Claro que não pretendo rebater todos os argumentos do filme neste post. Acredito que só paulatinamente uma pessoa pode conseguir ter satisfeitas as perguntas mais duras tiradas daquelas almas sofridas. Aqui gostaria só de mostrar quão importante é para nosso viver a sã doutrina, pois essa nos dá esperança. Nos dá firmeza e leva amparo.

Gostaria de concluir refletindo sobre o final. Mesmo os mais rebeldes no julgamento oraram no caminho da câmara. Muitos se enstristeceram com o resultado do julgamento. Todos ficaram sem argumentos para defenderem a Deus. Mas via-se em seus rostos que não lhes agradara a condenação. Que mesmo não entendendo Deus, eles ainda precisavam dEle.

Nós somos assim. E é o Espírito Santo que continua apelando aos nossos corações, mesmo que a mente não consiga defender a Deus. Afinal, O Espírito Santo é muito mais poderoso que qualquer raciocínio humano.

Em suma: apelo a cada um que persista no estudo da Bíblia e indague a Deus a respeito de cada dúvida, cada questão que você tiver, e siga as palavras que o bom Espírito lhe por no coração.

domingo, 11 de julho de 2010

A prova máxima da bondade de Deus

Provai, e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.
Salmos 34:8
A Bíblia é clara em declarar que nosso Deus é bom. O próprio Jesus declarou que só Deus é bom, ninguém mais (Mateus 19:17). Mas esta certeza não é compartilhada por todos.

Eu, particularmente, já há um bom tempo que não tenho dúvidas da bondade de Deus. Mas hoje pela manhã, ao fazer meus estudos diários, fui inspirado a responder esta questão que muitos fazem: se Deus é onipotente, porque ele permite o mal? Ele permitindo o Mal ele continua sendo bom? Seria Deus uma força acima do bem e o mal, uma força da natureza?

Por mais estranho que pareça, muitas pessoas pensam assim ou, no mínimo, passa na mente de muita gente pensamentos semelhantes a estes.

Não quero dar uma explicação muito complexa sobre estas questões, vou mais é repetir o que o salmo acima diz, ou seja, como provar que o nosso Deus, o Bíblico, é bom.

Bem, de onde tirei a resposta. De Paulo em 2 Coríntios 3:1-3:
Porventura começamos outra vez a louvar-nos a nós mesmos? Ou necessitamos, como alguns, de cartas de recomendação para vós, ou de recomendação de vós?
Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens.
Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.
Assim como Paulo considerava sua autoridade sobre a verdade nos crentes transformados, estes mesmos crentes são as testemunhas do amor e bondade de Deus. Nós somos a prova máxima de que Deus é bom, pois mesmos sendo maus, vamos sendo transformados em pessoas que amam e conhecem o bem. Está certeza é dada pelo Espírito de Deus, na caminhada Cristã, e é sentida pelos demais em volta.
Vós sois as minhas testemunhas, diz o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.
Isaías 43:10
O que nós praticamos, mais até do que falamos, é o que confirma em nós e nos que nos vêem que Deus é bom. É em nós que muitos virão conhecer a Deus:
Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.
João 13:35
Nós somos as cartas vivas de Cristo para os que ainda não crêem. O Espírito Santo agindo em nós e nos transformando dia a dia é a prova pessoal de que Deus é bom. O fato de que cada dia queremos ser mais parecidos com Cristo é a prova máxima em nós de que Deus é bom, pois se ele fosse mal, nos inspiraria o mal, não o bem.

Sim é simples assim.

Qualquer dia posto a respeito do mal e a bondade de Deus.

Maranata.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Êxodo 20:5-6, parte 2: Bem X Mal

O teu coração não inveje os pecadores; antes permanece no temor do SENHOR todo dia.
Porque certamente acabará bem; não será malograda a tua esperança.
Provérbios 23:17 e 18
Não é difícil acharmos tentadora a ideia de que o mal é mais forte que o bem. Com certeza todos nós já vimos o malvado sair triunfante de uma adversidade. Maior exemplo disso é no esporte. Aquele que simulou um penalti, fez um gol de mão, acertou covardemente um adversário e saiu impune, etc.

Mas não é só no esporte que temos essa sensação. No meio acadêmico, profissional e até nos relacionamentos, muitas pessoas só conseguiram adquirir o almejado através de trapaças e mentiras.

Tudo isto acaba fazendo que por vezes nós desejemos praticar o mal. Parece que todos que escolhem usar suas ferramentas tornam-se soberanos e que os que praticam o bem sempre são as vítimas.

Mas, segundo a Bíblia, o mal não é soberano sobre o bem. Uma das provas disto é o texto base destas segunda parte desta reflexão: Êxodo 20:5 e 6.

Na 1ª parte vimos uma visão comum dos teólogos a respeito do texto, mas agora gostaria de levá-los a um pensamento que há algumas semanas que me surgiu.

Uma das claras oposições do verso é entre a iniquidade e a obediência. Iniquidade, que é o viver sem equidade, ou seja, desobedecendo a lei (veja mais aqui) e a guarda de suas leis. Uma luta entre bem e mal.

Nestes versos, vemos que a palavra geração é utilizada como marco de tempo para em que Deus perseguiria o mal. Ou seja, o mal não duraria para sempre. Já em oposição a isto, o tempo de proteção é vasto.

Só uma pequena conta para entendermos esta imagem bíblica. O tempo de uma geração atualmente é muito variado, por isso mostrarei direto o tempo que muitos aplicam a uma geração bíblica, segundo o texto de Números 32:13, é de 40 anos.

Se consideramos este número de anos (40), iremos esperar que Deus perseguiria o mal nos filhos das pessoas por cerca de 160 anos. Contrapondo esta ação, Deus protege o bem feito por 40.000 anos. Imenso, não?

Só para se ter ideia, os textos bíblicos não permitem uma interpetação maior que 10.000 anos para a idade da Terra, segundo alguns escritores. Vejam que o bem seria protegido até nossa existência nos Céus.

Claro que isto é só um calculo para termos noção do que Deus quer nos dizer, afinal, não creio que a contagem seja literal destas gerações. Aonde quero chegar com este raciocínio? O Bem pode parecer mais fraco, mas ele dura para sempre:
Por que te glorias na maldade, ó homem poderoso? Pois a bondade de Deus dura para sempre.
Salmo 52:1
Lembrando que toda bondade é bondade de Deus (Efésios 4:8 e 9; Filipenses 2:13; Gálatas 5:22 e 23).

Ainda não entendeu o que há de novo? Olhe... o Bem é eterno. O bem que fazemos, o verdadeiro bem, que fazemos com o coração verdadeiramente motivado por bons motivos, este é eterno.

Mesmo que eu ou você não nos salvemos (isto só acontecerá se não aceitarmos o sacrifício de Cristo), o bem que fizemos até hoje permanecerá na memória das pessoas que ajudamos.

Um salvo nunca vai esquecer o rosto de quem lhe deu estudo bíblico, ou que lhe deu comida num momento de fome, ou lhe vestiu no frio, deu carinho na carência, amor na amargura...

O Bem dura para sempre, ele é mais poderoso que o mal. Suas obras são eternas. Já o mal, esse se findará (Apocalipse 20:14; 21:4 e 8).
Por isso a insistência de Paulo para que procuremos o Bem. Finalizo com estes versos:
O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.
Romanos 12:9, 17 e 21

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Êxodo 20:5-6, parte 1: A herança genética

porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
Êxodo 20:5 e 6
Há um grande consenso entre exegetas de diversas religiões ao interpretarem estes versos visando a hereditariedade humana.

Eles costumam dizer que Deus persegue os traços maus herdados de nossos ascendentes, inclusive doenças e erros de caráter. Mas os bons bons também seriam consideradas geneticamente, como visto no verso, e por muito mais tempo.

Interessante que este não é o único verso bíblico que trata sobre a descendência, ou seja, dos filhos e da certeza de sucesso dos mesmos.

Mas qual seria a importância dos filhos nos diversos contextos de nossa história humana?

Bem, desde sempre o homem reconhece nos filhos os seus traços e de sua parceira, e vice-versa. Essa herança genética traz o conforto de perpetuar seu próprio ser na história da humanidade. Isto fica nítido ao passarmos pelas bênçãos e maldições proferidas na Bíblia, sempre envolvendo a genealogia futura dos homens.

Ao meu ver, esta promessa nos alivia por diversos motivos. Um deles é o próprio desejo de mantermo-nos eternos de algum modo. Outro seria o de ver seus erros serem concertados nos filhos. Até hoje queremos que nossos filhos sejam melhores do que fomos e façam o que não conseguimos fazer, não é mesmo?

Mas o mais maravilhoso é o saber que meu filho, fruto do amor entre eu e minha amada, trará o melhor de nós dois. Imaginem o que é amar um ser, caso eu me ame e ame minha esposa. Seria um amor inigualável, não é mesmo? Ao menos deveria ser assim.

Mas não é só no positivo que os filhos puxam os pais. Veja o final triunfal de Brás Cubas, na obra tão conhecida de Machado de Assis:
E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: -- Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Infelizmente, notamos que muitas pessoas pensam exatamente assim sobre a sua descendência. Mas, mais que claro fica que essa noção de descendência é uma forma de perpetuidade dada a um pedacinho de nossos genes.

Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Eclesiastes 3:11 (ARA)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

[Dn 9] A oração de Daniel

No primeiro ano do seu reinado[Dario começou a reinar em 521 a.C.], eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.
E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.
E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse:[...]Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;
E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.
Daniel 9: 2-6
Quantas vezes não ouvi que Daniel é a única personalidade bíblica que não se tem relatado seus pecados. Há ainda José, mas sua arrogância perante os irmãos pode ser considerada uma falha de caráter. Já Daniel não se fala de seus erros, mas não era esta a visão que o mesmo tinha perante Deus.

Os versos acima demonstram sua confissão. Ele assumia seus erros e os erros da seus irmãos também. Sabia que o cativeiro em que vivia não era porque culpa de Deus, mas pela desobediência de seu povo, sem se excluir do mesmo.

Sua oração é uma das mais belas da Bíblia. Mostra que seu povo mesmo em cativeiro não o procura, levando-o a crer que a promessa de sair do cativeiro em 70 anos poderia ser frustrada pelas falhas que seu povo teimava em cometer.

Mas Daniel conhecia seu Deus e sabia de sua misericórdia. Por isso se humilhou, confessando sua falta de méritos neste pedido e intercedeu pelo seu povo, para que ele voltasse e reconstruísse a Jerusalém (v. 18 e 19). Mais uma lição para nós. Todos somos imerecedores das bênçãos de Deus. Mas ele, por sua bondade, a dá, principalmente quando entendemos nossa situação e pedimos sinceramente a ele. O papel de intercessor também é valorizado nestes versos. Também deveríamos interceder para que outros alcançassem a salvação, pois todos somos imerecedores perante Deus e nossa oração faz diferença na vida dos demais.

Mais incrível do que a humildade de Daniel foi a resposta de Deus. Antes mesmo de Daniel acabar a oração já chegara um anjo para dar a resposta a Daniel. O anjo diz que no "início de suas súplicas" ele tinha sido enviado a dar as benditas notícias a Daniel. Aqui vemos a onisciência de Deus em ação e o voo poderoso de um anjo, que sai do trono de Deus e chega a Terra na velocidade de uma oração.

Mas a palavra que deve ter deixado Daniel mais feliz é "pois tu és mui amado" (v. 23). Esse carinho que Deus demonstra por nós. Daniel tinha um coração esclarecido no que concerne a realidade dele para com Deus, e isso o fazia se aproximar da devida maneira na presença de Deus. Fora que vemos o poder da oração de um justo (Tiago 5:16-18).

Em breve veremos como as notícias trazidas pelo anjo responderam esta oração de Daniel.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Como Jesus discutia (Mateus 22)

Então os fariseus foram reunir-se para tramar como apanhá-lo por alguma palavra.
Mateus 22:15
As más intenções dos líderes religiosos da época para com Jesus estão claramente expostas pelos evangelistas. Neste capítulo de Mateus, do verso 15 ao seu término, o evangelista demonstra a sabedoria de Jesus ao escapar das ciladas dos fariseus e saduceus.

Do verso 16 ao 22 é mostrado um ardil muito inteligente. Na presença de herodianos (partidários que defendiam a autoridade romana) os fariseus elogiaram Jesus e sua doutrina, caso inédito, e fingem procurar um conselho sábio de Jesus a respeito dos impostos, se deviam ou não ser pagos aos romanos. Jesus percebeu a arapuca e sabiamente apontou que cada coisa deveria ser devolvida a seu dono. A nota da Bíblia de Jerusalém (p. 1743, nota "d") vê nas palavras de Jesus uma maneira justa dos mesmos, que supervalorizavam as riquezas romanas, prestarem tributo aos mesmos, sem se esquecer de suas obrigações para com Deus. Desta forma, Jesus ficou inescusável perante os herodianos e os observadores da lei divina.

Já dos versos 23 à 33 o turno é passado aos saduceus. Estes, como só criam na lei escrita, não na tradição oral, não viam na Torá (pentateuco) qualquer alusão a respeito da ressurreição final. Para justificarem-se, usaram do mesmo argumento para desfazer os argumentos farisaícos: a lei do levirato. Diferente dos fariseus, usaram a Torá em vez da lógica e esperteza humana. Mas Jesus respondeu com uma revelação "serão como os anjos do Céu na ressurreição". Essa revelação deixa claro que não haverá mais casamentos no Céu.

Mas quanto a questão da ressurreição? Jesus responde com as próprias escrituras, mostrando que Deus é Deus de vivos, não de mortos. A exegese tirada de Êxodo 3:6 prova aos descrentes que até na Torá há alusão à ressurreição. A sua sabedoria calou os saduceus (v. 34).

Retomando o turno, os fariseus perguntaram uma pergunta que possivelmente não teria uma resposta favorável em meio a multidão. Mas Jesus, que muitas vezes respondia com outra perguntas ou até mesmo por ilustrações, respondeu sem pestanejar, citando mais uma vez as escrituras: o amor é o maior mandamento. Tanto o amor ao Pai quanto ao próximo (v. 34 à 39). Ainda conclui:
Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
v. 40
Quando os mesmos ainda se reuniam para o próximo ataque, Jesus resolveu tomar a iniciativa perguntado sobre a filiação do Cristo. Eles sem pestanejar responderam "de Davi". Mas Jesus expõe aqui a profundidade e as sutilizas da Palavra de Deus demonstrando que o próprio Davi colocava o Messias como seu Senhor. Mateus concluí o capítulo dizendo:
E ninguém podia responder-lhe uma palavra; nem desde aquele dia ousou mais alguém interrogá-lo.
v. 46
Jesus era incrível. Ele fazia sua defesa usando a lógica humana, lendo seus corações mal intencionados, através de citações diretas da palavra de Deus e de exegeses bíblicas de profundo grau.

Penso que só com o Espírito de Cristo que podemos mostrar profundamente os ensinamentos celestiais e, claro, sem Ele jamais aprenderemos qualquer coisa relacionada com Sua Palavra.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A Idade da Razão

A Idade da Razão é um romance filosófico de Jean Sartre onde seu clímax é alcançado ao fim da obra onde o personagem principal se encontra na "idade da razão".

O que seria esta "idade da razão"? Segundo a obra, seria exatamente o momento que o homem descobre sua nulidade. Exatamente! O momento em que o homem entende que ele não é nada e que todos os seus sentimentos, desejos e aspirações são temporárias e condicionais. É um momento que entendemos que nada somos e para lugar nenhum iremos. É uma noção triste e pessimista sobre a realidade humana, mas para o ser que está passando pela idade da razão é visto como apenas "realidade".

Para Sartre, esse conceito é um conceito motivador das verdadeiras obras. Depois de aceitar sua verdadeira realidade nulificada é que encontramos real motivação para viver e construir propósitos e lutas. Sartre era um filósofo ativista ateu e acredito que seus pressupostos saíram de experiências pessoais, pois não entendo muito bem de onde ele concluí isto ou como o saber do nada, em seus conceitos, poderiam motivar alguém. Talvez não entenda por não ler as duas obras seguintes, as quais continuam a trilogia "Os caminhos da liberdade".

Já um amigo e rival tem uma opinião um pouco mais semelhante a minha a respeito da "idade da razão". Albert Camus, em seu livro A Queda, descreve a vida de um homem boêmio que amava seu estilo de vida e a intensidade em que vivia. Ao se deparar com a "idade da razão" ele perde todo o sentido de sua vida. Ao descobrir que suas atitudes não tem real valor, que sua vida é vazia e falta significado ele entra num estado de desespero amplo, não encontrando caminho para onde ir.

Chegando ainda ao cúmulo desta noção, temos a obra O Estrangeiro do mesmo autor, onde a personagem principal mostra sua indiferença enquanto a todos os aspectos de sua vida. Ele é um personagem extremamente neutro em todas as situações em que vive, se preocupando exclusivamente com os sentimentos imediatos de seu ser, não se importando com seu futuro. Sua nulidade é tão grande que não teme a pena pelo assassinato que cometera. Nem a promessa de um Céu poderiam lhe motivar uma defesa ou confissão de pecados para ter alguma esperança futura de vida. Com este exemplo horrendo sobre a "idade da razão", Camus tenta deixar claro sua filosofia a respeito da idade da razão e de sua negatividade para a sobrevivência e motivação humana.

Mas estes sentimentos de vazio tão existentes no existencialismo nascido no século XIX e que encontrou sua expressão máxima na primeira metade do século XX não é tão recente na história da humanidade. O livro hebraico chamado na Bíblia cristã de Eclesiastes já continha estas noções de vazio e nulidade. A resposta a este vazio estava contida no prazer expresso nas pequenas coisas do viver diário e na obediência a Deus, preparando o ser para o encontro com O próprio no juízo vindouro.

Claro que este pessimismo não é comum a bíblia hebraica, mas a noção do vazio humano e de sua total dependência de Deus é notória por todas as páginas antigotestamentárias.

Este vazio é reafirmado e intensificado nas páginas de Paulo em sua carta aos romanos:
Pois quê? Somos nós mais excelentes? De maneira nenhuma, pois já dantes demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;
Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer.
Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.
Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.
A sua garganta é um sepulcro aberto; Com as suas línguas tratam enganosamente; Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;
Cuja boca está cheia de maldição e amargura.
Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
Em seus caminhos há destruição e miséria;
E não conheceram o caminho da paz.
Não há temor de Deus diante de seus olhos.
Romanos 3:9-18
Este é o conhecimento que todo cristão deve ter de si e de sua situação perante Deus. Sim, é a "idade da razão" sartreana. Mas Deus também vê como Camus via. Idade da razão sem esperança é morte. Por isso a solução Cristã para este autoconhecimento da realidade é não depender de si mesmo, mas dos méritos e poder de outro ser:

Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.
João 15:5
Ter consciência de nossa inconstância e contradições diárias nos faz entrar na "idade da razão", mas a Bíblia apresenta Alguém que é maior que nossas falhas e mais misericordioso também. Que possamos ter esperança no amanhã, pois nossa vida tem propósito ao lado de Cristo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

O Código Da Vinci

Nenhum livro da atualidade causou tanto reboliço na mente das pessoas a respeito das verdades ou integridade do cânone bíblico quanto O Código da Vinci de Dan Brown.

Apesar do livro ter sido declarado como um obra de ficção, os leitores são enfeitiçados pela bela lógica do romance. O que seduz ainda mais são as descrições e interpretações de lugares e objetos reais, encadeados de forma a criar verossimilhança aos leitores menos informados.

Ainda se tornou maior o fascínio quando toda a mídia começou a produzir respostas e afirmativas da possível descendência de Jesus Cristo com Maria Madalena na terra. Tanto as afirmações como as contrafações foram muito bem compensadas financeiramente pelo mundo.

O próprio Dan Brown afirma acreditar nos argumentos expostos no livro, dando maior credibilidade ou no mínimo criando uma dúvida a respeito dos escritos bíblicos.

Essa teoria conspiratória tem como seu alvo suplemo a Igreja Católica Apostólica Romana. Interessante como o nome "cristianimo" é mais associado as práticas cristãs católicas do que as próprias práticas do cristianismo canônico descrito no Novo Testamento. Mas, digressões a parte, não fora apenas a igreja romana que fora atingida, mas a própria fidedignidade dos discípulos de Jesus.

A mistura de um único apócrifo com uma interpretação de uma citação "lacunar" aponta, segundo a obra, Jesus como marido de Maria Madalena e especulações sobre a ordem templária de cavaleiros cruzados levam a um João feminilizado a virar Maria Madalena (sumindo, com isso, com um dos discípulos) num dos quadros mais famosos de Da Vinci. Parece pouco, mostrando assim, mas o encantamento com a obra e a nossa paixão por teorias conspiratórias cuidam do resto.

A verdade e que tanto o History, Discovery e National Geografic Chanels ainda trabalham com essa polêmica tão rentável, desde seu surgimento em 2003, propagando está especulação, já desmentida por heruditos, que está minando a fé de tantos nas palavras que mais tem transformado vidas na história da humanidade.