Mostrando postagens com marcador História Bíblica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador História Bíblica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de março de 2017

Revolução nos estudos sobre alimentação

... você terá que alimentar-se das plantas do campo.
Gênesis 3:18
Assisti vários documentários sobre alimentação nos últimos dias, todos no Netflix. Desde os anos 90 sou interessado no assunto, por ligar nossa saúde física e mental à alimentação natural.

Dos vários que existem no Netflix, os que assisti foram: Fat, sick and nearly dead, onde Joe Cross mostra sua experiência com um jejum de suco de vegetais que usou durante sessenta dias para se recuperar de uma doença rara sem o auxílio de remédios. Ele também dirigiu o Fat, sick and nearly dead 2, onde mostra a continuação de sua vida e a importância de manter os vegetais como a maior fonte de alimentos para o corpo, e The kids menu, que mostra algumas soluções para envolver e promover a alimentação natural para as crianças.

Foodmatters é o que mais gostei, por achar equilibrado e ter tantos especialistas falando a respeito da necessidade de uma dieta a base de plantas. Já Cowspiracy traz evidências de que o impacto negativo que nós temos na  natureza vem especialmente por causa da criação de gado para o abate, inclusive a poluição do ar.

A alimentação cárnea não é a original do homem criado por Deus, como vemos no texto introdutório. Assim que o homem peca, a alimentação muda. Em Gênesis 2:16 e 17, o homem recebe como alimentação os produtos das árvores, mas após o pecado há uma pequeno acréscimo: as plantas do campo.

A alimentação cárnea é indicada por Deus somente após o dilúvio, nos levando a crer que a falta de vegetais levou essa permissão (Gênesis 9:1-4). Veja que o dilúvio ocorreu por causa do pecado generalizado (Gênesis 6:3). Interessante que após o dilúvio, o tempo de vida das pessoas descritas no texto sagrado vivem bem menos. Bem mesmo. Os antediluvianos como Matusalém, o qual morreu bem próximo do fechamento da arca, chegaram a viver 969 anos (Gênesis 5:21-27).

Mas não se iluda com o texto de Gênesis 9:4, pois não era toda a carne que se podia comer. Só ás limpas eram para consumo humano. Você pode ver que se comesse dos animais que só tinham um casal, a raça se extinguiria para sempre, mas na arca entraram um casal dos animais impuros e sete casais dos limpos (Gênesis 7:2 e 3). Qual você acha que Noé e sua família se alimentaram? Essas restrições ficam mais claras ainda depois do sinai, onde Deus dá uma lista dos animais que se pode e não se pode comer (Levítico 11). Além dessa descrição temos a proibição de comer essas carnes com sangue e as partes da carne.

Arqueologicamente vemos que as pessoas comuns dos povos de todos os tempos comiam pouca carne, pois não tinham como se alimentar sempre dela. O gado é posse. Os modos de conservação não eram bons como os temos hoje também. Os reis, faraós e outras pessoas que poderiam se servir com maior abundancia de carne, acabavam sofrendo de doenças cardiovasculares e de obesidade. Na verdade, só no século XVIII e XIX de nossa era que a carne se torna tão consumida em nossa sociedade, mas nada igual o que existe hoje.

No século XIX, houve uma grande revolução na ciência médica e de cuidado da saúde. Grandes estudos, experimentos e teorias foram feitos e, em meio a esse ambiente, nasceu uma igreja que acaba se envolvendo na área da saúde de forma impressionante, criando sanatórios, produtos alimentares a base de plantas e estilo de vida que melhoram a qualidade de vida e curam doenças através de tratamentos naturais. Essa é a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Segundo os escritos de Ellen G. White, a qual os adventistas acreditam ser uma profeta de Deus, cumprindo em parte o que diz em Joel 2:28, Deus deu uma mensagem para esse povo viver e pregar, segundo sua missão dada na terceira mensagem angélica de Apocalipse 14:9-12.
Aqui está a perseverança dos santos que obedecem aos mandamentos de Deus e permanecem fiéis a Jesus.
Apocalipse 14:12
Obedecer os mandamentos de Deus envolve as leis de saúde, ou seja, ar regras importantes de se seguir para termos boa saúde. Essa visão fez com que essa igreja se importasse em criar clínicas e hospitais que funcionam até hoje, além de escreverem muita literatura para ensinar a todos como viver mais próximo ao plano original de Deus quanto ao que comer e como viver, mesmo nesse mundo de pecado.

Depois de um estudo com os adventistas de Loma Linda (Califórnia) (veja um pouco nesse link e pesquisando sobre o programa SBT realidade e Loma Linda), o estilo de vida que eles pregam e vivem dá uma melhoria de vida muito grande aos que o adotam.

Esses estudos e pesquisas sobre alimentação mostram que Deus sempre soube o melhor para nós. Alguns cristãos atentos ao texto bíblico já perceberam que é importante rever o excesso de consumo cárneo (principalmente depois da operação "carne fraca") e a importância de cuidar de nosso corpo, por ele ser um templo onde queremos que o Espírito Santo habite da melhor forma possível (1 Coríntios 3:16 e 6:19).
Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo lhe corra bem, assim como vai bem a sua alma.
3 João 1:2

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Por que Deus não nos protege de todo o mal?

"...mas livra-nos do mal...." Mateus 6:13
Acredito que ainda éramos adolescentes, quando um dos meus melhores amigos, o qual desde sempre mostrou interesse em discutir e pensar sobre Deus e as questões da fé, abordou-me com o seguinte pensamento, depois de explicá-lo sobre algumas questões sobre Deus permitir o sofrimento humano:

"Eu tenho um filho. Eu o protejo de todos os males, inclusive com minha própria vida. Por quê, então, Deus que é nosso pai não nos protege também?"

Lembro-me que sua expressão de dor era tão verdadeira que não respondi nada. Se respondi, acho que era algo que talvez nem me convenceria. Ele estava sendo sincero. Sua necessidade de Deus era real, assim como a indagação que ele fizera.

Normalmente respondemos essa questão com o livre arbítrio, a eterna liberdade que temos entre escolher o mal e o bem, mas não vejo que é exatamente esse ponto que está em discussão aqui.

Nessa discussão acaba passando ainda pela origem do mal, o porquê dos bons sofrerem, da onipotência e bondade divina se contradizerem e assim vai.

Um livro inteiro da Bíblia nos ajuda a refletir sobre essas questões: o livro de Jó.

Mas antes vamos tentar responder a questão inquietante de meu amigo, o qual não respondi a contento ao mesmo até hoje. Espero que agora possa fazê-lo.

O quanto protegemos nossos filhos? Totalmente? Inclusive sobre perigos de cair, tropeçar, sujar-se, gripar-se, e assim por diante?

Hoje sabemos das desvantagens de cercar demais nossos filhos dos perigos que rondam eles. Isso os torna inseguros, dependentes e não enxergarem problemas para evitar e quando em problemas, terem uma maior dificuldade de lidar com eles. A famosa frase "seu filho precisa ganhar anticorpos" é bastante repetida aos pais hiperprotetores.

Claro que não proteger o filho de nada é outro extremo que deve ser evitado. O sábio é realmente observar os riscos que o filho corre e ponderar sobre se deve ou não passar por ele.

Riscos de cair num barranco, ser atropelado, ficar com alguém suspeito, crianças pequenas sozinhas em casa são obviamente coisas que não devemos permitir nunca. Deste modo, um pai que ama o filho dá certa liberdade para ocorrer algum mal com o filho, sempre controlando para que o dano não seja irreparável, cortando qualquer coisa que estiver em seu poder para prejudicar seu filho permanentemente.

Talvez seja nessa parte do dano permanente que meu amigo quis falar sobre como protegia o filho. Nós, que temos muito pouco controle do que pode acontecer com nossos filhos, ainda assim temos que agir desse modo para o melhor desenvolvimento deles, imagine Deus, que tem poder para reparar qualquer dano físico ou psicológico feito por qualquer inimigo aos Seus filhos preciosos, deveria agir!

Deus tem o controle de tudo, inclusive a morte. É essa a mensagem que ele deixa para Jó no final de seu livro (Jó 38-41).

Veja o enredo de Jó. Jó é um homem integro, temente a Deus e se desvia do mal e por isso é alvo de Satanás ao ver o Supremo Criador elogiando este tão inspirador servo. Veja que Satanás não quer destruir somente os bens, família e saúde de Jó, mas sim a vida (Jó 2:3). Deus permite Jó perder tudo, mas limita a ação de Satanás, protegendo o que ele mais queria tirar, a vida de Jó. Depois de perder tudo, e ser tentado pela mulher a desistir de Deus e morrer (assim como Satanás queria), Jó encontra os amigos e mostra sinais claríssimos de depressão.

Seus amigos tentam consolá-lo e mostrar o caminho, mas acabam acusando a Jó de cometer um terrível pecado, apresentando a ele que só isso explicaria tamanhos males em sua vida. Jó se defende, e no processo acaba falando algumas barbáries sobre Deus. No fim, Deus aparece para Jó e mostra a Jó que ele não é capaz de entender todo o plano divino. Jó não pode nem entender a criação, muito menos entenderia o Criador. Jó reconhece que não conhecia a Deus como agora o conhece. Repare, esse conhecer veio do fato de ele se reconhecer como incapaz de perscrutar todos os motivos divinos para o seu sofrimento. Deus repreende os amigos de Jó e pede para Jó interceder por eles. A sorte de Jó é restaurada. Seus bens são dobrados e mais dez filhos lhe nascem.

Veja: Deus limita o dano, mas permite o mal. Os seus filhos passam por sofrimento, crescem e tem a sorte restaurada. Agora comparem a esses textos:
também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Romanos 5:3-5
Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações;Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
Tiago 1:2-4
Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações,Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso;Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
1 Pedro 1:6-9
Infelizmente não estamos mais no paraíso criado por Deus e seja lá qual for a criatura que nascer nesse planeta mal, ela sofrerá. Sofrer faz parte da vida. Depende de nós se sofreremos por nada ou para crescermos em graça perante Deus e os homens.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A questão do mal



Roteiro
Muitos conhecem a história de um anjo perfeito que, em meio a um ambiente perfeito, criou um sentimento maligno em seu ser.

Não são poucos que ridicularizam essa ideia dos teólogos. Dizem que seria impossível surgir o mal assim, como se ele fosse um germe que surge do nada num ambiente esterilizado.

Mas, há pouco tempo atrás, aprendi com Agostinho que o mal não é uma coisa, um vírus ou qualquer outra ideia material que possam dar a ele, por mais que seja completamente compreensível pensarmos assim.

O mal nada mais é do que uma atitude de desarmonia para com Deus.

Todo o ser livre criado por Deus tem capacidade de pensar por si mesmo, evoluir, crescer e desenvolver-se de diversas maneiras. Dúvidas comuns sobre como as coisas funcionariam e curiosidade são próprios dessas criaturas.

Claro que isso não significa que foram criados para desarmonia, mas que haveria um desenvolvimento pessoal gradativo. Entretanto, tudo isso explica como isso torna possível a existência do mal, principalmente num universo que não o conhecia.

Duvidar e indagar são coisas normais num universo perfeito. Escolha também.

Mas e se essa escolha causar mal aos outros? Foi exatamente esse tipo de escolha que Lúcifer fez, levando o mal ao conhecimento do universo.

Veja que, segundo os textos bíblicos, Lúcifer progrediu em seu comércio, palavra hebraica que também tem o sentido de fofoca ou calunia, mas isso não fez com que ele fosse expulso. Trazer guerra sim.

O pecado, quando consumado que produz morte, apesar que os mais sábios já viam podiam sentir a morte por trás das palavras do anjo de luz.

O mal existe por que podemos pensar e escolher por nós mesmos. A possibilidade de ficarmos contrários a Deus é a possibilidade de existir o mal.

Não há uma trava para não podermos ser contrários a Deus e seu reino. Só assim o mal poderia nunca vir a existir.

Isso me faz lembrar do filme Laranja Mecânica. A principal discussão era se era correto ou não impedirmos o livre arbítrio de uma pessoa.

E por que Deus ainda não acabou com o mal? Por que ele permite que ainda soframos? Ou pior, por que os bons sofrem? Não poderia ele proteger esses e deixar ao léu os maus?

Deus trata o mal de maneira diferente da que tratamos. Ele não evita que algo aconteça só porque aquilo pode dar errado, mas resolve a questão quando ela aparece.

Ele não deixa de ter um filho, mesmo com a possibilidade de ele se rebelar, mas ama-o por mais que sua vida seja finita. Apesar desse ser um sentimento raro nos seres humanos, ainda vejo algumas pessoas que tem essas características em comum com Deus.

Quem é mau, pode vir a ser bom, segundo a visão bíblica. Deus não dá uma ou duas chances. Ele dá todas. Mas até “todas” é um limite. Tem um momento que as chances acabam.

E por que os bons sofrem? Por que vivem num universo onde há atitudes más.

Onde existe desarmonia, existe sofrimento. Quem é bom sofre até mesmo pela dor do outro. Então, enquanto houver o mal, o bom sofrerá.

Também é necessário passarmos pelo mal para sabermos o que ele é, e nunca mais querermos que ele ressurja.

Por isso, quando o mal for extinto, será de uma vez por todas, sem precisar cauterizar o cérebro ou apagar a mente de ninguém, pois todos terão visto o que ele causa ao universo.

Mesmo quando novas criaturas inteligentes forem criadas, o testemunho dos salvos e dos não caídos darão convicção sobre a sabedoria de viver em harmonia com o universo e seu Deus.
____________________

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A mulher trazendo salvação e perdição ao homem



Roteiro
Para alguns leitores da Bíblia, ela é um livro bem machista.
Mas será que é assim mesmo ou existe um exagero nessa interpretação?

Prosseguindo! Nos seis primeiros versos desse capítulo temos
dois personagens interagindo. A serpente e a mulher. No novo testamento, a
serpente é tida como o próprio Satanás.

A serpente engana a mulher, contradizendo as palavras duras
de Deus a respeito do que aconteceria ao se comer o fruto, além de seduzi-la
com a ideia de ser igual a Deus.

Perceba que em Gênesis 1:27, tanto o homem quanto a mulher
foram criados a imagem e semelhança divina. Por isso, é certo que o que a
serpente está insinuando não é que eles se tornassem como eles já eram, mas
algo além. Ela deveria se tornar uma igual em hierarquia com Deus. Mas, Deus só
há um. Poderia haver outro ou outros iguais em sabedoria e poder?

A hierarquia é algo valorizado na Bíblia. Até os anjos tem
um líder, o arcanjo (principal dos anjos). O homem foi criado para ser o líder
do planeta recém organizado. Líder, não tirano. Mesmo num mundo perfeito,
segundo a Bíblia, há hierarquia.

Voltando ao texto, note que o homem é apático nesse texto.
Não há discussão, nem briga. Não há nada. Ele só aceita a liderança da mulher.
Mas, no verso 9, Deus chama o homem, pois ele é o responsável. Mas o mesmo se
desvia de sua responsabilidade jogando a culpa em Deus e em sua esposa.

Veja que caos nos relacionamentos aqui. Vamos voltar para a
criação um instante. O mundo era caótico e Deus começa a organizá-lo; do barro
deste mundo é feito o homem e da costela desse homem é feita a mulher, pondo
assim fim na criação do planeta Terra.

Agora Satanás/a serpente leva a mulher a pecar, a qual leva
o homem, que, por seu erro, amaldiçoa a terra, transformando toda essa harmonia
criada por Deus em puro caos. Inclusive rompendo o relacionamento harmonioso
entre esses e Deus.

Veja que biblicamente não é só o ato de agir contrário à
ecologia que contamina/destrói a Terra. O pecado também o faz, como vemos no
verso 17.

Ao Deus voltar-se para a mulher em Seu inquérito, essa
mostra que foi enganada pela serpente. Deus amaldiçoa a serpente e profere a
primeira profecia da Bíblia:
“porei inimizade entre ti e a mulher,” verso 15, “entre a
tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás
o calcanhar.”

Na primeira profecia já temos a promessa do Messias. Judeus
e cristãos reconhecem isso. Esse prometido desfaria a amizade que Eva criou com
a serpente e a humanidade assume desde então. O descendente morreria por
influencia da serpente, mas a mesma seria morta por ele. Aqui é descrito um
conflito que levaria gerações para se findar. Uma luta entre servos de Deus e
da serpente.

Veja que quem vai por “a inimizade” é Deus através do
descendente, que nascerá da mulher. Onde está Adão nessa história. Ficou
totalmente oculto no processo messiânico, assim como ele ocultou sua
responsabilidade do pecado. É como se Deus quisesse dizer para Adão que já que
ele não teve culpa, ele também não vai participar da solução.

O Novo Testamento é a literatura que melhor se refere a essa
interpretação sobre o nascimento do Messias, pois mostra um messias gerado por
uma mulher e pela divindade. Não há sêmen de homem algum, mas Maria e o
Espírito Santo geraram um homem o qual retomaria a liderança do planeta,
perdida desde que o homem pecou. Essa liderança passou a Satanás.

Deus está restaurando o que acabara de ser destruído. A
primeira coisa foi tornar a mulher digna novamente, pois dela viria o salvador.
A segunda, a mesma deveria voltar a seguir a liderança do homem (verso 16).
Lembrando que é liderança e não tirania, como durante séculos muitos tem interpretado
erroneamente. Terceiro, a liderança da terra viria somente com “o descendente”.

E o relacionamento entre o homem e a mulher? O que indica
que o mal estar causado pelo homem, ao acusar sua mulher, foi superado? Vamos
para o verso 20:

“E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser mãe de
todos os seres humanos”.

O termo “seres humanos” não é a melhor tradução do hebraico.
A Bíblia de Jerusalém e a Tradução Brasileira traduzem esse termo como
“viventes”, o que é mais correto e relaciona melhor essa palavra com “Eva”, que
quer dizer “vida”.

O que Adão quer dizer aqui e por que só agora parece que ele
dá esse nome para sua esposa? Isto é um “amém” para a promessa divina. Adão
está mostrando que acredita firmemente que Deus salvaria o mundo (preste
atenção! O mundo, e não apenas a humanidade) através da criança que viria da
mulher. Ou seja, ela seria mãe do salvador do mundo e, por isso, seria
considerada a mãe de todos.

Veja que Deus mostrou solução para tudo, perdoou tudo. Mas o
pecado traria suas consequências. O casal não poderia voltar para o paraíso até
que Deus cumprisse todas suas promessas. A partir daí o homem teria que viver
da fé nessas promessas.

E aí? O que você está achando sobre o Deus descrito em
Gênesis 3? Ele é tão machista e misógino como dizem?

Até a próxima!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

4- Carta de Divórcio: A Discussão é levada a Jesus

Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite.
Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.

Mateus 5:31 e 32
Já no Sermão da Montanha Jesus falou do tema do divórcio e foi categórico em sua afirmação. Tão categórico que talvez isto tivesse inspirado os inimigos a um novo embate.

São quatro os textos que tratam do divórcio nos evangelhos: Mateus 5:31 e 32, como visto acima; Mateus 19:1-12; Marcos 10:1-12; e Lucas 16:18.

O texto acima afirma, assim como em Deuteronômio 24:1-4 (veja aqui), que o homem que repudia sua mulher a expõe ao adultério (verifique na ARA). Neste sentido, a tradução da NTLH é muito esclarecedora:
Mas eu lhes digo: todo homem que mandar a sua esposa embora, a não ser em caso de adultério, será culpado de fazer com que ela se torne adúltera, se ela casar de novo.
Essa declaração com certeza mexia com o coração de muitas pessoas, assim como mexe até hoje.

Sabendo do posicionamento de Jesus, os fariseus foram até Jesus com um plano em mãos. Este relato está tanto em Mateus 19 quanto em Marcos 10. Estudaremos mais a fundo o texto de Mateus:
Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
v. 3
Vejam que a pergunta dos fariseus já nos propõe saber qual é o posicionamento deles a respeito do assunto. Eles acreditavam no posicionamento ensinado pela escola de Hillel (veja mais aqui), ou seja, pode-se dar a carta até para a esposa que queimasse a comida.
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. v. 4-6
A resposta de Jesus, remetida a Gênesis, como já estudamos aqui,  confirma o plano divino para a sexualidade humana.

Nessa resposta, Jesus está claramente dizendo aos fariseus e a plateia presente: Não, não é lícito. Divorciar-se não é a vontade de Deus. Isto era tão claro e nítido, que o era esperado pelos fariseus, por isso eles atacaram com a seguinte pergunta:
Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? v. 7
Ui! Eles jogaram a isca e Jesus mordeu. Como a autoridade de Jesus poderia se suster perante a própria palavra de Deus? Agora suas palavras teriam que ser desfeitas ou Ele deveria se mostrar contrário a palavra de Deus. Veja agora a resposta do Mestre judeu:
Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.

v. 8 e 9
Não foi uma ordem orquestrada por Deus, mas uma solução em meio a dureza do coração do homem. E do homem, não no sentido de humanidade, mas do macho da espécie mesmo, pois só o homem podia escolher se separar ou não. Mas Jesus estava agora esclarecendo que queria o ideal divino, e não o remendo.

O verso 9 nos traz novamente que o novo casamento é um ato de adultério. Sim, não é um novo mandamento de Jesus, como se ouve por aí, mas uma exegese profunda do texto de Deuteronômio, sem esquecer os demais textos da Bíblia.

Isto realmente foi impressionante! Ao invés de mostrar que sua autoridade vinha dEle mesmo, Ele mostrou que suas palavras, que pareciam novas a uma plateia que nunca tinha ouvido, estavam totalmente de acordo com o texto bíblico.

A conhecida cláusula de exceção, a "fornicação", vem da palavra grega porneia, que quer dizer "relações sexuais ilícitas", não deve ser vista como um bom motivo para o divórcio e novo casamento por não haver adultério, afinal, quando nos casamos de novo, mesmo que fomos traídos no casamento anterior, ainda estamos entrando em adultério, mas não nos é atribuído culpa por isso.

Uma união com uma nova pessoa enquanto outra que nós copulamos é adultério. Inclusive, se uma pessoa é virgem e se une a uma que já se uniu a outra também, a virgem também comete adultério (Marcos 10:11 e 12 e Lucas 16:18). Destes textos, pode-se concluir que poligamia também se enquadra em adultério.

Mas, assim como vimos em Deuteronômio 24:1-4, Deus permite que a parte que foi exposta ao adultério não se sinta culpada.

Veja que Jesus não discute punição, mas interpretação bíblica e culpa, pois ele não está dizendo que o adultero deve ser morto, pelo contrário, há perdão para o mesmo como veremos na parte 6 desta série de estudos.
_________________
Postagem anterior: 3- A Lei do Divórcio, um estudo de Deuteronômio 24:1-4
_________________
Próxima Postagem: 5- Se é assim, é melhor não casar!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Isaque

Lembro-me até hoje a inconformidade de minha professora de conceitos bíblicos ao refletir na história de Isaque. Não a culpo, pois o texto Bíblico cuida da história de Isaque de maneira muito diferente dos outros homens que compõem a tríade patriarcal (Abraão, Isaque e Jacó/Israel).

Enquanto Abraão e Jacó ocupam grande parte da suas respectivas narrativas como personagens principais [personagem é o modo que a crítica bíblica literária trata cada ser descrito no livro sagrado], Isaque parece só ocupar lugares secundários na narrativa. A única exceção é o capítulo 25 de Gênesis, o qual não tem nenhuma obra suprema (aos nossos olhos) como a vitória sobre vários reis (Gênesis 14) ou lutar contra o próprio Deus (Gênesis 32:22-32).

Mas vamos a história do patriarca, para tentarmos entender o porquê dele fazer parte da tríade. Será que seria apenas por ser o intermediário entre Abraão é Jacó?

Desde seu nascimento (Gênesis 21) Isaque é perseguido por ser o filho preterido para a bênção, por ser filho do casamento legítimo. Isso acontece muito na Bíblia. Vemos que as preferências por um causam ciúmes e perseguições de outros. Podemos citar Raquel, José, Ana, Jesus, etc.

Antes de sua fase adulta, Isaque foi entregue como sacrifício por seu pai Abraão, mas o mais impressionante é que o texto bíblico dá a entender que ele consentiu com isso:
Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.
Gênesis 22:7 e 8
Veja que Isaque confiou plenamente em seu pai e que Deus proveria o verdadeiro sacrifício. Ele decidiu caminhar ao lado do pai, crendo nisto.

Alguns dizem que Isaque já era jovem, provavelmente até mais forte que o velho Abraão, já com mais de 100 anos. Dizem isso baseados na maioridade atingida apenas aos vinte anos segundo as leis descritas na Torá (Números 1:3 é só um dos exemplos). Desta forma, o caso poderia ter ocorrido com Isaque podendo ter até 19 anos.

Isaque também fora submisso no casamento. Ele aceitou a esposa escolhida por Deus a ele (Gênesis 24) e a amou sinceramente.

Na morte de seu pai, uniu-se a seu irmão Ismael que o tinha perturbado tanto na infância (Gênesis 25:9). Também fora um homem de oração, conhecendo suas limitações. Ele orou por 20 anos para que Deus lhes concedesse um filho de sua esposa estéril (Gênesis 25:21, 22 e 26).

Mas a Bíblia também não escondeu suas falhas. Em Gênesis 26, vemos que, assim como seu pai, ele se acovardou pelo medo da morte, mentindo sobre a relação que tinha com Rebeca, sua esposa. Mesmo assim, Deus foi fiel e usou Abimeleque para protegê-lo (Gênesis 26:7-11).

Tentou enganar, mas agora fora enganado pelo seu próprio filho, o qual roubara a bênção que estava destinada ao seu preterido, Esaú (Gênesis 27). Mesmo sendo enganado, Isaque mostrou amor ao abençoar também Esaú, o qual de início se irou ainda mais com seu irmão Jacó, pois a bênção o punha como seu servo (v. 39-41).

Mesmo uma sendo dada através do engano e a outra causar mais ira do que servidão, Hebreus 11:20 mostra claramente que a fé de Isaque obrou na vida de seus filhos:
Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras.
Pela fé, Isaque defendeu seu filho que o enganara, mandando-o para uma terra distante, tendo a certeza que as bênçãos se cumpririam nele. Pela fé, ele soube que a bênção de seu filho mais velho se tornaria real, por mais que ele demonstrasse um coração irado ao invés de um servil. E foi pela sua fé que ele pode viver para ver a reconciliação de seus filhos antes de sua morte.

Isaque morreu com 180 anos (Gênesis 35:27-29), vendo todos os netos da parte de Jacó, ou seja, vira a continuação de sua família... o futuro povo de Israel. Ele pode contemplar os resultados de sua fidelidade para com Deus e o amor para com sua família.

Por isso seu nome é citado 109 vezes no antigo testamento e 18 no novo. Quem dera todos se entregassem a Deus assim como Isaque se entregou, a ponto de confiar não só sua vida, mas a de toda sua família ao mesmo.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Jeremias: uma lição sobre fazer a vontade de Deus

Jeremias é conhecido por muitos como o profeta chorão por causas dos diversos lamentos feitos por ele no livro bíblico que leva seu nome.

Na verdade, este livro, literariamente falando, é um compilado de vários oráculos atribuídos a esse profeta, dando uma ideia de colcha de retalhos (um dia falarei mais sobre isto) de profecias e relatos históricos do mesmo.

Jeremias não era diferente de nenhum judeu de sua época em relação a vontade de viver livre. Ele apela a Deus para que sua nação consiga a paz tão prometida pela maioria dos profetas de sua época. Mas, apesar dos desejos serem os mesmos, sua disposição para ouvir a vontade de Deus é diferente da maioria.

Além de ter o desejo de liberdade negado, ele ainda se torna mensageiro da verdadeira mensagem de Deus. Deus traria paz, mas não da maneira almejada por todos. Eles deveriam se entregar ao domínio Babilônico. Dessa forma o povo sobreviveria, sendo que de outra, eles sofreriam coisas piores.

Jeremias sofreu ao dar essa mensagem ao povo. Uma mensagem que ninguém queria ouvir, principalmente a casta religiosa, a primeira a rejeitá-la. Foram eles que perseguiram Jeremias, transformando-o num símbolo do futuro sofrimento do messias prometido. Mas houve quem o ouvisse. Príncipes e anciãos da nação o defenderam dos que o queriam matar.

Ele também colocou um jugo (canga) por ordem de Deus como símbolo do cativeiro babilônico, o qual foi despedaçado pelo profeta Hananias dizendo que em dois anos Jerusalém estaria livre do jugo babilônio. Mas Deus mandou que Jeremias colocasse um jugo de ferro, pois seria certo que eles ainda continuariam na Babilônia.

E Deus? Bem, Deus sabe o que é melhor para nós. Claro que ele conhecia a história dos hebreus, de todos os sofrimentos que a escravidão do Egito havia causado a eles. Mas ele também sabia dos pecados e da religião formalista que eles praticavam. Por isso ele preferiu manter seu povo cativo ao invés de conseder-lhes a liberdade. Veja a seguinte fala de Deus:
Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os do cativeiro, os quais fiz transportar de Jerusalém para Babilônia:
Edificai casas e habitai-as; e plantai jardins, e comei o seu fruto.
Tomai mulheres e gerai filhos e filhas, e tomai mulheres para vossos filhos, e dai vossas filhas a maridos, para que tenham filhos e filhas; e multiplicai-vos ali, e não vos diminuais.
E procurai a paz da cidade, para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao SENHOR; porque na sua paz vós tereis paz.
Porque assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não vos enganem os vossos profetas que estão no meio de vós, nem os vossos adivinhos, nem deis ouvidos aos vossos sonhos, que sonhais;
Porque eles vos profetizam falsamente em meu nome; não os enviei, diz o SENHOR.
Porque assim diz o SENHOR: Certamente que passados setenta anos em Babilônia, vos visitarei, e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando a trazer-vos a este lugar.
Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.
Então me invocareis, e ireis, e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.
E serei achado de vós, diz o SENHOR, e farei voltar os vossos cativos e congregar-vos-ei de todas as nações, e de todos os lugares para onde vos lancei, diz o SENHOR, e tornarei a trazer-vos ao lugar de onde vos transportei.
Jeremias 29:4-14
Reflexão: Desde que me formei na faculdade estou desempregado. Antes de minha formação acreditei que seria fácil conseguir emprego, ainda mais com meu diploma. Mas não foi assim, por diversos motivos - a maioria só Deus sabe.

O emprego é fundamental a todos nós e de forma alguma isto é um mal pedido para se fazer a Deus. Mas sinto que Deus está querendo que eu aproveite estes instantes para aprender a ter maior dependência dEle. Assim como os Judeus do tempo de Jeremias queriam uma vida liberta, esta vida liberta não seria aproveitada na presença de Deus. Sei que sou um pouco assim. Sei que tenho uma grande tendência de depender só de minhas forças, esquecendo-me de Deus e, principalmente, do meu próximo. Este tempo de desemprego está sendo uma lição de humildade para mim.

Assim como Jeremias se humilhou perante a vontade divina; assim como a nação, para sofrer menos, teve que esquecer de seu espírito guerreiro; assim como eu estou tendo que me lembrar a cada instante de como sou dependente de Deus e da misericórdia alheia; você também deve olhar para os Céus e se entregar à vontade divina e esperar pelo seu tempo de libertação.

Lembre-se: Deus tem pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais.

Que seja feita a vontade de Deus em nossa vida.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Contrato particular

Ontem, ao voltar de uma prova no metrô, estava refletindo na possibilidade de uma pessoa estar enganando outra para aumentar seus rendimentos através de uma mentira. Coisa de dizer que vai fazer tal coisa como dinheiro, mas na realidade só quer mais dinheiro.

Pensei na desonestidade disto, mas meus pensamentos não ficaram só aí. Eles chegaram até a adentrar nos pensamentos da outra pessoa e assumir que essa pessoa poderia considerar que estaria simplesmente estar reivindicando um direito seu de uma maneira mais amena.

No momento em que começou a passar por minha mente o fato de eu também poder reivindicar esse direito, fazendo com que disfrutassemos dos mesmos direitos, veio a mim seguinte resposta de Jesus para Pedro: "Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu." João 21:22; acompanhado também da parábola dos trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16).

Ahn?!? Mas o que tam a ver?

Bem, o contexto do texto de João é incrível. João foi o único discípulo que não abandonou Jesus no momento mais crucial (literalmente) da história da humanidade. Mesmo o intrépido Pedro o negou em voz alta. Neste capítulo, logo após Pedro receber o perdão e estimulo do Mestre, Pedro começa a se questionar: "Se eu que o neguei fui posto para cuidar das ovelhas amadas do meu Mestre, o que será de João, que esteve com Ele nos momentos mais difíceis?" Neste contexto que vem a resposta de Jesus:
Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

Do mesmo modo os trabalhadores da vinha que questionaram seu empregador, pois haviam começado o trabalho mais cedo e receberiam o mesmo salário, receberam uma resposta similar:
Amigo, não te faço agravo; não ajustaste tu comigo um dinheiro? Toma o que é teu, e retira-te; eu quero dar a este derradeiro tanto como a ti. Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?
Deus tem um contrato especial com cada um. Ele sabe das nossas dificuldades e fraquezas pessoais. Ele sabe que muitas vezes caímos e nos dá força para ser reerguidos. Ele sabe que muitas vezes somos tentados a seguir os maus exemplos de pecados que estão ao nosso redor, mas Ele repete "olhe para mim, não para o pecador! Eu sou seu Mestre! É comigo que você tem que se acertar, não com seu irmão".

Se nosso irmão pecou e foi perdoado, glória a Deus porque lhe concedeu misericórdia. Se nós permanecemos fiéis, glória a Deus pois é Ele que nos sustém.

Cada um de nós temos um contrato particular com Cristo. Nós fizemos promessas particulares e compromissos que muitas outras pessoas não fizeram. Por isso não devemos reinvindicar para nós direitos de outros. Jesus nós prometeu diversas coisas. Devemos confiar nas suas dádivas e deixar que Ele cuide dos compromissos que Ele fez com os nossos outros irmãos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

A História de Jó

A história de Jó sempre me facinou. Claro que não só a mim, mas a meu pai, meus amigos e até os que amam a boa literatura.

Para os que não conhecem alguns pormenores de sua história, Jó foi um homem tão integro que Deus chegou a perguntar a Satã se ao caminhar pela terra ele teria visto o Seu servo Jó.

Satanás, usando de uma lógica nada estranha para nós, indica que sua lealdade a Deus é por puro interesse, e clama a Deus que vá contra ele. Deus não o faz, mas permiti que o seu adversário o faça.

Jó perde seus filhos e bens e, como para Satanás não era pouco, o mesmo toca sua saúde. Sua esposa se volta para com ele e depois de sentir-se abandonado pelos seus irmãos, que não dão sinal de vida, ele começa a clamar por causa do seu sofrimento.

Mas seu clamor não é voltado apenas ao Deus todo poderoso (tradução comum, mas não unanime do termo shaddai). Seus amigos, fiéis companheiros que passaram sete dias em silêncio junto com seu malogrado companheiro, estavam ali e ouviram suas lástimas.

Deste ponto que começa a disputa teológica entre Jó e seus três amigos (Elifaz, Baldad e Sofar). Nesta discussão há tanto ofensa como pensamentos dogmáticos a respeito do Divino e como sua justiça é aplicada ao homem. Enquanto os companheiros de Jó defendem um Deus que só permite sofrimento aos maus, Jó reclama de um Deus que pode tudo, mas falta com misericórdia para com Ele. Todos ignoram o fato de Satã (Satanás em algumas traduções) também está envolvido no sofrimento.

Jó clama que Deus faz o que quer, e ninguém pode dissuadí-lo a fazer o que o mesmo definiu, sendo está a visão de um Deus intransigente, que não permite diálogo. Apesar disso, ele quer uma conferência com Deus, para que ele possa saber os motivos do seu sofrimento e o porquê de ter se tornado um adversário de Deus. Jó também clama ao mesmo Deus, sabendo que ele é o único que pode redimí-lo (19:25 e 26). Só nele ele espera para ser justificado (13:15).

Há muitos detalhes incríveis nesse livro que, infelizmente, não poderei pormenorizar.

Os três amigos se calam depois de Jó declarar suas obras para com os homens. Gostaria até conhecer quem não se calaria, mas o próprio livro mostra quem não se calou, indignado com os quatro interlocutores: Eliu.

Depois da demonstração de Eliu, quem entra em cena não é ninguém menos do que o próprio Ser em debate. Deus começa repreendendo exaustivamente Jó por falar do que não entende. Deus mostra a Jó que ele não é capaz de entender nem o que está em frente a seus olhos, imagine toda a trama que ocorre como sofrimento humano. Jó ainda não tem conhecimento que Satanás também é responsável pelo sofrimento, mas compreendeu muito bem a lição de Deus, declarando:

Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido. Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia. Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te vêem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.
Jó 42:2-6


Em seguida Deus repreende aos três amigos de Jó por não terem falado o que era reto de Deus e os três tiveram que pedir perdão a Deus com a intercessão de Jó. Interessante que os mesmos poderiam ter intercedido por Jó quando o mesmo estava em dificuldades, mas os mesmos preferiram acusá-lo de pecados que eles mesmos desconheciam.

Por fim, Jó é lembrado por seus irmãos, tendo suas riquezas restabelecidas, e dez novos filhos.

Esse é um apelitivo da incrível história de Jó. Não deixe de ler este livro, pois muitos argumentos a respeito da justiça de Deus são meras repetições do que se encontram no livro mais respeitado pelos não literados na Bíblia Hebraica.