segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Por que Jesus teve que morrer na cruz?

Se me perguntassem sobre o que a Bíblia trata eu responderia que ela trata de reconciliação e perdão. Estas são as chaves do amor incondicional de Deus. São por estes ensinos que os cristãos são inspirados e até cobrados ao redor de todo o mundo.

Aprendemos que o perdão é deixar para traz as ofensas que foram cometidas contra nós, tendo como próprio exemplo nosso Deus que lança nas profundezas do mar os nossos pecados (Miquéias 7:19).

Sabemos também que o processo interior da conversão é reconhecer seu pecado, arrepender-se e mudar de vida (Jeremias 3:13; Oséias 5:15; Atos 3:19; 8:22; II Coríntios 7:11). Se este é o necessário, por que foi necessária a cruz? Por que Jesus teria que ter passado pela morte? Deus não poderia ter mudado a lei? Salvado a raça caída sem usar seu amado filho? Não poderia ter sido tudo mais fácil?

Com certeza estas perguntas são instigantes, aparentando serem até mesmo blasfemas. Mas acredito que elas sejam necessárias para entendermos melhor o porquê da cruz.

O relativismo moral não é algo criado depois da teoria da relatividade de Einstein, como alguns podem chegar a pensar. Ele já existia a muito tempo. O exemplo mais claro que me vem a mente é o de Pilatos com sua famosa pergunta "que é a verdade?" (João 18:38).

Até hoje lembro-me das dificuldades que tive para explicar os problemas causados por um certo tipo de comportamento para um adolescente, tentando mostrar pacientemente a ele todas as dores e dificuldades que seu comportamento causaria. Sua resposta para mim foi um simples "e daí?". Um erro que era tão claro para mim não era visto como erro para ele. Simplesmente não o incomodava machucar outras pessoas. Talvez ele pensasse que simplesmente fazia parte da vida, e não valia a pena nenhum esforço para mudar esta situação.

E a lei existe exatamente para isto. Para proteger-nos da dor, pois ela nos diz o que é errado e o que é certo. Mas nem todos compreenderão ou se importaram com essa proteção. Isto não faz com que a lei seja má, mas faz com que os que não se importam com ela continuem a se machucar e machucar a outros.

Mas todos nós erramos (Romanos 3:9-20). Beleza, nós reconhecemos isto e paramos de errar, certo? Quem dera fosse tão simples. Nossos processos mentais sempre vão em busca de desculpas para voltarmos a cometermos erros, principalmente os que mais gostamos. Fora que em pouco tempo esqueceríamos por completo a importância daquela lei que nos mantinha fazendo o que é certo, pois não visualizaríamos a importância dessa lei.

E para nós é importante visualizar, pois é a contemplação que nos transforma (Números 21:8; João 3:14; II Coríntios 3:18), pois não lemos os corações. Ver pessoas que cometeram os mesmos pecados terem condenações diferentes mostraria a todos que seja lá qual for o critério adotado para salvar uns e condenar outros a lei não importa, pois a condenação não chegou a eles apesar deles terem quebrado-a por inteiro.

Se a lei perder seu significado, obedecê-la também perderá. Se as pessoas não enxergarem as grotescas consequências do pecado ela nem perceberá que ele existe e está nos destruindo. Deus tinha que deixar clara as consequências da quebra de suas ordens. Por isso veio Jesus:
Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado.
João 15:22
Foi em Jesus que o pecado ficou claro. Ele morreu porque a lei é importante. Mostrou isso obedecendo-a (Mateus 5:17) e morrendo para mostrar que ela não é relativa. O pecado exige morte do pecador (Romanos 6:23; Hebreus 9:22). O perdão só pode ser concedido através da substituição, pois se não houver pagamento, a lei não importa. Poderíamos transgredí-la e continuar dizendo "não pega nada".

Este é o valor da lei: a morte do filho de Deus. Desta forma Jesus exalta a lei, mostrando sua real importância. E ele fez isso por nós. Ficou estendido na cruz para que todos vissem que o pecado existe e causa dor. Com a cruz, o relativismo morre.

O perdão e a reconciliação foram alcançados e chegam até nós gratuitamente, mas isto não foi barato para quem pagou a fiança (Deus).

Mas... ele tinha que sofrer tanto?

Bem, Jesus se entregou a morte (João 10:17 e 18), e Satanás aproveitou este momento para impugir o máximo de dor ao filho de Deus. Deus sabia disso, e mesmo assim não recuou.

Bendito seja o nome de Deus.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Oposição de católicos a infabilidade da Igreja quanto à Inquisição

"A "Santa" Inquisição na Espanha e em Portugal apoiou-se no mito que divulgou sobre sua própria infabilidade. Os teólogos e membros da Igreja católica que se opuseram à sua mensagem, a seus dogmas foram banidos da sociedade, mas os seus processos ficaram e nos servem como testemunhos. Um exemplo de coragem na defesa de ideias que diferiam das impostas pela Igreja foi a do brasileiro padre Manoel Lopes de Carvalho, nascido na Bahia e queimado pela Inquisição de Lisboa em 1726, aos 45 anos de idade. De certa forma podemos dizer que o Brasil teve nele o seu Giordano Bruno. Até o último momento antes de sua execução, o padre Lopes de Carvalho não colaborou com os inquisidores, que ardorosamente queriam convencê-lo de seus erros. E antes de ser queimado, depois de passar anos na prisão e sofrer a tortura nos cárceres do Santo Ofício, expressou nas suas últimas palavras, seu desengano com a Igreja católica: "Quando aqui entrei eu tinha dúvidas, hoje tenho certezas"."

NOVINSKY, Anita. A inquisição. São Paulo: Brasiliense, 2007
(coleção tudo é história; 49).

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Para haver harmonia entre o estudo da Bíblia e o estudo da natureza, não se pode ouvir apenas uma delas (Galileu)

"[...] Não é, pois, meu pensamento lançar mãos a uma empresa tão superior a minhas forças, se bem que não se deva também deixar de confiar a Benignidade divina às vezes se digne inspirar algum raio de sua imensa sabedoria em intelectos humildes e notadamente quando, ao menos, estão adornados de sincero e santo zelo. Além do que, quando se harmonizar passagens sagradas com doutrinas novas e nada comuns sobre a Natureza, é necessário ter inteiro conhecimento de tais doutrinas, não se podendo harmonizar duas cordas conjuntamente, ouvindo apenas uma delas. Se eu soubesse que poderia prometer alguma coisa da debilidade do meu engenho, me permitiria ousar dizer que encontro entre algumas passagens das Sagradas Letras e desta  constituição do mundo muitas harmonias que não me parece que sejam tão bem consonantes na filosofia comumente admitida."
Carta a Monsenhor Piero Dini IN: GALILEU Galilei. Ciência e fé: Cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia. São Paulo: Editora UNESP, 2009.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Pedro foi o primeiro papa?

Pedro é, sem dúvida, o discípulo que mais chama a atenção dos leitores dos evangelhos canônicos. Suas ações emotivas e impetuosas causaram tanto elogios quanto críticas dos lábios de nosso doce Mestre.

Mas para a maior igreja cristã do planeta Pedro foi muito mais que um líder cristão. Ele foi o maior líder cristão. O pontífice. O substituto do filho de Deus, conhecido mais pelo título supremo da hierarquia católica como papa.

Apesar de atualmente a igreja católica não depender da Bíblia para estabelecer seus dogmas, a crença num pontífice da igreja, abaixo apenas de Cristo, é inspirada em um verso bíblico. Isso, mesmo, um verso bíblico.
Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;
E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.

Mateus 16:18
 Sim, sim. É desse verso que saiu o imaginário de São Pedro no portão do Céu aceitando ou recusando as pessoas de lá. Mas deixando isto de lado, é fácil de entender o porquê dos católicos dizem que Pedro foi o primeiro papa.

Veja que Pedro significa rocha/pedra em Grego, uma forma do aramaico cefas (João 1:42). Mas, será que Pedro seria a pedra fundamental da igreja cristã? Vejamos o que o restante da Bíblia tem a nos dizer:
Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.
Efésios 2:20
Esse texto não só põe Jesus Cristo como a pedra principal mas iguala a função dos demais apóstolos e profetas como pedras de fundamento. Veja que o próprio Pedro declara que Cristo é a pedra viva e principal de esquina (I Pedro 2:6), mas mostra que não é somente ele que é considerado como pedra, mas todo o corpo de crentes são pedras vivas (v. 5) do edifício que é a igreja de Deus.

Até a declaração das ligações/uniões que fossem feitas na Terra seriam reconhecidas no Céu não são exclusivas para este discípulo (veja Mateus 18:18). Além de não ser exclusiva, não é uma declaração de autoridade, mas de responsabilidade. Se fizermos algo que desligue alguém da comunhão cristã, isto terá consequências eternas.

Apesar da clara liderança demonstrada por esse discípulo, Deus não dá nenhuma responsabilidade exclusiva para ele que não o passe para seus outros discípulos, incluindo os cristãos de hoje. A pedra principal é só uma, e os apóstolos e profetas, ou seja, a Bíblia, são nossos fundamentos para uma vida em Cristo. Este fundamento, juntamente com as demais pedras, que são os servos de Deus espalhados pelo mundo, formam a igreja de Deus aqui na Terra.

E se ainda resta alguma dúvida, medite nesta última declaração de Pedro que posto aqui, a qual foi feita num discurso inspirado que converteu cerca de 3.000 pessoas:
Ele [Jesus] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina.
E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.

Atos 4:11 e 12

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Duas verdades não podem se contradizer (Galileu)

"[...] a Sagrada Escritura não pode nunca mentir ou errar, mas serem os seus decretos de absoluta e inviolável verdade. Só teria acrescentado que, se bem a Escritura não pode errar, não menos poderia às vezes errar algum dos seus intérpretes e expositores, de vários modos. Entre estes, um seria muitíssimo grave e frequentemente; quando quisesse deter-se sempre no puro significado das palavras; porque, assim, apareceriam aí não apenas diversas contradições, mas graves heresias e mesmo blasfêmias. Posto que seria necessário dar a Deus pés, mãos e olhos e não menos afecções corporais e humanas como ira, de arrependimento, de ódio e mesmo, às vezes, de esquecimento das coisas passadas e de ignorância das futuras. Donde, assim como na Escritura encontram-se muitas proposições, as quais, quanto ao sentido nu das palavras, têm aparência diversa do verdadeiro, mas foram apresentadas deste modo para acomodar-se à incapacidade do vulgo, assim, para aqueles poucos que merecem ser separados da plebe, é necessário que os sábios expositores mostrem os sentidos verdadeiros e acrescentem-lhes as razões particulares por que foram proferidos sob tais palavras.
[...]
"Assentado isto e sendo ademais manifesto que duas verdades não podem nunca contradizer-se, é ofício dos sábios expositores afadigar-se para encontrar os sentidos verdadeiros das passagens sagradas concordantes com aquelas conclusões naturais, das quais, primeiro o sentido manifesto ou as demonstrações necessárias nos tiver tornado certos e seguros".

Carta a Dom Benedetto Castelli IN: GALILEU Galilei. Ciência e fé: Cartas de Galileu sobre o acordo do sistema copernicano com a Bíblia. São Paulo: Editora UNESP, 2009, p. 18 e 20.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A morte de crianças

Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos.
I Samuel 15:3
 A morte de crianças sempre comove o coração humano. A própria Bíblia deixa claro isto ao mostrar que as crianças israelitas masculinas eram lançadas no rio para que sua população não crescesse mais (Êxodo 1:22). Ninguém se esquece do assassinato das crianças no nascimento de Jesus, ordenado por Herodes, para que o recém-nascido rei dos judeus fosse eliminado ainda bebê (Mateus 2:16).

Quantas mães não ficam com o coração apertado quando ouvem a declaração de Salomão "Dividi em duas partes o menino vivo; e dai metade a uma, e metade a outra"? Com certeza muitas. Quantos pais não ficam revoltados com a tolice de Jefté (Juízes 11:30-31 e 34-35) ao oferecer um sacrifício que Deus não exigia, sendo obrigado por sua consciência a sacrificar a própria filha? Quantas pessoas ainda não compreendem como Abraão pode entregar seu filho ao sacrifício (veja mais em Isaque)?

Apesar desses textos serem dolorosos e usados por muitos descrentes para desmerecerem a Palavra de Deus, todos são bem explicados ao se contextualizá-los.

Casos mais difíceis de se explicar são os extermínios divinos, aonde tanto adultos como crianças eram exterminados. Casos clássicos sobre isso são o do dilúvio e a destruição de Sodoma e Gomorra. Mas por que crianças inocentes eram destruídas juntamente com seus pais ímpios?

A Bíblia declara claramente que o justo não cairá na mesma condenação que o ímpio (Gênesis 18:23-33; Êxodo 23:7; Deuteronômio 24:16), todos morreram pelo seu próprio pecado. Mas teria uma criança de colo algum pecado? Infelizmente sim. Salmos 51:5, Davi declara que "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe". Também vemos em Romanos 3:10 e 11 que "não há um justo, nem um sequer".

Nós nascemos pecadores. Nascer não nos torna dignos da eternidade. Mas Deus é conhecido como Deus da misericórdia, então, por que Ele não agiu misericordiosamente com essas crianças? A misericórdia é aplicada referente ao arrependimento. Mas que arrependimento uma criança pode ter? Claro que ela não tem a mesma noção de arrependimento que os adultos, mas ela pode aprender e aceitar o amor de Deus através do amor dos pais e desde o ventre.

Isto mesmo, o amor dos pais já ensina as crianças desde pequenas sobre o amor de Deus para conosco. Infelizmente, quando não há quem pregue este amor, ou seja, os pais só ensinam o mal, não há como a criança aprender sobre o amor de Deus, que é o maior mandamento que temos a obdecer:
Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue?
Romanos 10:14
Desta forma, o destino dos filhos está vinculado com o dos pais assim como o da Terra estava vinculado com o do homem. É um vínculo genético e de ensinamento. Se os dois falharem, claramente a salvação estará longe da criança.

Para que Deus enviasse um castigo tão grande que tivesse que destruir o mundo, cidades e nações inteiras, incluindo crianças de colo e ainda em gestação, era porque a iniquidade no local atingira tais níveis que não haveria salvação nem para essas crianças.
E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
Gênesis 6:5
A verdade é que este julgamento só pertence a Deus, e eu creio em sua justiça. Tais aplicações só pertencem a Ele, o qual sabe o fim desde o início. Repito, só a Ele. Veja o texto abaixo:
Tu, pois, levanta-te, e vai para tua casa; entrando os teus pés na cidade, o menino morrerá.
E todo o Israel o pranteará, e o sepultará; porque de Jeroboão só este entrará em sepultura, porquanto se achou nele coisa boa para com o SENHOR Deus de Israel em casa de Jeroboão.

I Reis 14:12 e 13
Veja que uma criança, e apenas uma, não todas, Deus encontrou algo de bom. Ela teve um tratamento diferenciado por isso. Outra lição importante que aprendemos desse texto é que Deus não trata a morte como nós tratamos. Até em meio a morte a respeito e os tipos de morte contam. Motivos para se morrer também. Mas isto é assunto para outra postagem.

Por agora fiquemos com a pergunta: será que encontraremos o filho de Jeroboão, um rei infiel de Israel, quando Jesus vier nos buscar?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Os animais vão para o Céu?

Eita, questão difícil, não é mesmo? Há muita discussão entre os teólogos sobre o que acontece com os animais depois que eles morrem, mas esta questão, em particular, é fácil de responder:
Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais, e lhes sucede a mesma coisa; como morre um, assim morre o outro; e todos têm o mesmo fôlego, e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade.
Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos voltarão ao pó.
Eclesiastes 3:19 e 20
A Bíblia é clara em declarar que o que acontece com o homem também acontecerá com os animais, e vice-versa (veja mais em alma, espírito e espírito do homem e espírito de Deus). Mas só saber que os animais vão para o pó assim como o homem não satisfaz nossas inquietações.

As perguntas que ainda restam seriam: Haverá animais no Céu? Os nossos mascotes participarão da ressurreição? Teria algum tipo de redenção para os animais? Essas são perguntas que perturbam os amantes dos animais.

A Bíblia não declara em nenhum momento que os animais estarão na atual morada de Deus, mas claramente demonstra que os mesmos estarão na Terra restaurada e Novo Céu, mas com o comportamento completamente melhorado (Leia Isaías 11:6-9).

Apesar de termos a certeza de termos animais na Nova Terra e Novo Céu (isto porque a Terra será renovada e agora será o trono de Deus, ou seja, Nova Terra e Novo Céu são o mesmo lugar) não sabemos se serão os mesmos animais que nos fizeram companhia um dia. Mas uma certeza temos, Deus ama cada ser de sua criação muito mais do que nós os amamos.

Lembrem-se dos animais da arca, os quais Deus guardou da destruição eminente. A obediente jumenta de Balaão, a qual recebeu de Deus o dom de falar para que se defendesse de seu amo. Lembrem-se também das palavras de Jesus, ao falar que o Pai do Céu alimenta as aves (Mateus 6:26). Deus ama todas as suas criaturas, inclusive a Terra:
E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.
Apocalipse 11:18
A terra foi amaldiçoada por causa do pecado humano (Gênesis 3:17). Ela tem sofrido, juntamente com os animais, os efeitos da maldade humana. Se a mesma irá ser renovada, é bem possível que os animais que sofreram inocentemente também voltem a viver. Melhor ainda, se a Terra irá ser exaltada como Novo Céu, e nós, tristes pecadores, reinaremos juntos com Cristo, os animais que deram sua vida por causa da maldade humana também podem ser renovados e melhorados, não é mesmo?

Acredito que isso seja possível. Acredito que a Bíblia não fala mais claramente sobre isto pois seu maior objetivo é nossa salvação. Talvez Jesus fale para nós quando tratamos desse assunto assim como ele falou com Pedro a respeito de João:
Por que te importa o que farei com estes animais? Segue-me tu. Não confias em mim? Não são eles minhas criaturas? Será que você daria melhor destino a eles do que Eu posso dar? Segue-me tu.
João 21:22 [parafraseado para a situação]

terça-feira, 12 de outubro de 2010

As parábolas do rico insensato, do administrador infiel e do rico e de Lázaro

Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?
Lucas 12:20
 Desde a Torá, passando pelos profetas e chegando a boca de Jesus a Bíblia vem anunciando o erro dos filhos de Deus referentes a cobiça e acomulo de dinheiro. Não foi a toa que a igreja católica por tanto tempo foi contra o capitalismo.

Vemos que o apego ao dinheiro não é um mal que ocorre só aos que são apegados ao mundo secular, mas também entre os que crêem em Cristo. A história do jovem rico, registrada em todos os evangelhos sinóticos (Mateus 19:16-30; Marcos 10:17-31 e Lucas 18:18-30), mostra muito bem como um homem que acredita guardar todas as leis está falhando no amor para com o próximo, deixando-o em falta.

Em Lucas 12:13 à 21, Jesus conta a parábola do administrador insensato para um homem que lhe pede para convencer seu irmão a dividir a herança com ele. Jesus deixa claro para ele que lutar por mais e mais bens não é o fundamento desta vida, principalmente quando isto lhe tira as riquezas celestes.
Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.
v. 15

Já em Lucas 16 encontramos uma estrutura argumentativa semelhante a de Lucas 15, mas com um novo tema. Enquanto Lucas 15 ( veja mais aqui) trata da importância do homem para Deus, Lucas 16 mostra como o homem falta em amor para com seus semalhantes e como isso deveria mudar.

A parábola do administrador infiel, também nomeada "do administrador astuto" [NVI], choca a primeira vista, pois parece um elógio as práticas infiéis do administrador. Longe disso, a intenção clara do texto é mostrar como um homem comum, sabendo das suas limitações e dificuldades de sobrevivência (veja o v. 3), encontra, na utilização dos recursos que ainda tem em mãos, um meio de conquistar amigos para o consolarem no tempo de miséria.

Esse tipo de pensamento tão comum é posto em contraste com o sentimento de acúmulo tão presente na plateia de Jesus.
E eu vos digo: Granjeai amigos com as riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.
v. 9
 Agora Jesus fala claramente a seu público que eles que receberam a luz deveriam ser mais sábios e já que consquistaram tantas riquezas em cima de injustiças, eles deveriam gastar as mesmas para conquistarem amigos para que quando chegarem aos seus eles tenham quem os recebe em suas casas.

Perceberam que estas pessoas parecem não terem abrigos no Céu. Tabernáculos, notem o plural, aqui se refere as tendas, habitações, não ao santo templo que inicialmente era em tenda. Esses homens não conseguirão sequer uma posse material no Céu, pois não acumulam tesouros valiosos a Deus.

Na continuação do capítulo 16, vemos que Jesus deixa claro que não dá para se viver para as riquezas e para Deus ao mesmo tempo. Ou vive-se com o acumulo egoísta ou se pratica a misericórdia para com os mais necessitados.

Nos versos 14 e 15 é mostrado a fúria dos fariseus ao se referir daquela forma a eles e a suas riquezas. Jesus respondeu a eles mostrando que a forma que eles pensavam era oposta a que Deus desejava para os homens. Dos versos 16 à 18, Jesus demonstra que até João fora pregado os ensinamentos do Antigo Testamento e que o reino de Deus chegou, ou seja, Jesus, o Messias, prometido como rei, havia chegado, para começar a reinar em nossos corações até ser entronizado. Também deixou claro que isto não tira o valor de tudo que foi escrito, pois nada seria mudado. No último verso ainda dá uma cutucada no mal costume do homem de se divórciar, mostrando tanto a mulher quanto o homem estariam em adultério caso contraíssem um novo casamento, contrariando a prática do momento.

Ao citar a Lei e os profetas, Jesus também remetiu-se ao que fora pregado até então sobre o amor ao próximo demonstrado na Torá (Levítico 19:18) e os diversos apelos para a ajuda de pobres e viúvas (Isaías 58:7).

Jesus conclui o discurso com a parábola do rico e do Lázaro. Infelizmente, algumas pessoas vêem este conto de Jesus como uma história real e não uma parábola, forma citada claramente por algumas traduções (NTLH, ARA e Bíblia de Jerusalém). A Bíblia de Jerusalém chega a citar em sua nota:
História-parábola, sem qualquer nexo histórico.
p. 1818, nota e)
E está é a verdade, pois a parábola não se encaixa nem com a doutrina bíblica da morte, ressureição e vinda de Cristo, nem com a crença do inferno grego-latino, mas demonstra ser um misto dos dois. Não tem valor doutrinário, mas a criação desta quimera nos ensina grandes lições sobre a Bíblia e o dinheiro.

O rico, acomodado com a situação do pobre Lázaro, não contribui para aliviar a dor do mesmo, tendo sua sorte trocada quando morrera. Ao invocar sua descencia abraamica para o próprio profeta ele mostra claramente que é impossível se fazer qualquer coisa para que sua situação atual mude. Isto nos ensina que o nosso destino celeste se define nesta vida.

Ao ver a dureza de seu castigo e a chance de seus irmãos serem avisados para que eles não viessem para este lugar de sofrimento, ele pede para ir avisá-los ou que outra pessoa o vá. Em sua mente, Deus não fora claro o suficiente com ele e, se o fosse, ele não estaria onde ele está no momento.

Mas Abraão demonstra que isto não é verdade. A Bíblia sempre mostrou que devemos cuidar dos mais necessitados e que Deus não teria piedade dos que ignorassem seus filhos menos abastados. Ainda mostrou que nenhum milagre, inclusive a ressurreição de mortos, poderia converter alguém que ouve os apelos do Espírito Santo ao ler a Bíblia.

A parábola conclui a ideia que estava sendo discutida por todo o capítulo. Nós não temos amado como Jesus vem nos amando. O pior de tudo isto é que os apelos de Jesus não foram doces, como esperado da pessoa dele, mas ríspidos, pois suas histórias apelavam para o egoísmo humana para que este ajudasse o próximo. Ele quis mostrar que mesmo se seguisse a lógica egoísta da vida deles eles deveriam parar de acumular riquezas e ajudar o próximo.

Eu só desejo que eu e você não precisemos de receber um apelo ao nosso próprio egoísmo para fazermos o bem, mas o façamos guiado pelo Espírito bondoso de Deus.

domingo, 10 de outubro de 2010

6- Conclusões, como aplicar estes estudos na igreja hoje?

Você já ficou preocupado com se divorciar e nunca mais poder casar?

Descobriu que Jesus não gosta de divórcio e largou a esposa atual para voltar a primeira?

Está tristemente só porque não pode se casar porque foi abandonado e o cônjuge fugiu de casa?

Teme estar num pecado eterno porque se casou novamente e está constantemente em pecado?

Já viu alguém se separar e ficar esperando o cônjuge se relacionar para que este tenha o nome removido dos membros ativos da igreja? Ou teve um namoro secreto pelos mesmos motivos?

Já foi proibido de se rebatizar por estar no segundo casamento?

As tentativas de manter o entendimento tradicional das palavras de Jesus preocupam as religiões cristãs, fazendo com que elas criem regras para cumprir as palavras de seu salvador, acrescentando, infelizmente por muitas vezes, mais sofrimento ao que por si só já é doloroso.

Desde a primeira vez que me deparei com os versos de Jesus sobre o divórcio senti muita dor pelo que o texto a primeira vista me dizia .

Algumas igrejas proíbem terminantemente o divórcio com novo casamento, mesmo em caso de adultério. Outras permitem que a parte inocente se casa de novo, mas excomunga a parte culpada para sempre do rol de membros.

A dificuldade é tanta ao lidar com esses versos que alguns chegam a crer que este adultério praticado com o segundo casamento é um pecado pior que o assassinato, já que a única maneira de parar de pecar é se separando do novo (a) esposo (a).

Acredito que o estudo de Deuteronômio 24:1-4 (veja aqui) já deixou claro que o adultério praticado ao se casar novamente depois do divórcio não tem o mesmo peso que nos demais casos de adultério.

Ao vermos todo o contexto bíblico, também notamos que Deus sempre age com misericórdia, inclusive, só há salvação por haver misericórdia. Por isso que acredito que deveríamos ser mais compassivos e misericordiosos ao julgarmos esses casos.

Jesus queria que nós vivêssemos segundo seus mandamentos, mas o amor sempre foi sua maior pregação. O perdão é a maior pregação do evangelho. Perdão pelos pecados é o que a cruz significa. Perdão pelo pecador é o que temos que pregar e viver.

Davi pecou com a mulher de Urias e Deus o perdoou. A mulher adúltera também fora perdoada tanto por seus acusadores, ao pensarem em seus próprios pecados, quanto por Jesus, o qual nunca pecou.

A samaritana no poço de Jacó já tinha sido repudiada (divorciada) cinco vezes, fazendo com que nem se importasse mais em realizar novo casamento para se entregar ao sexto homem. Foi essa mulher que Jesus lhe deu as novas e a mesma tornou-se a maior evangelista samaritana que temos notícia.

Observe o texto de Oseias, o qual havia se casado com uma prostituta (talvez o casamento seja só simbólico) por ordem de Deus, para mimetizar a relação de Deus com Israel. Mesmo depois de casados, sua mulher o abandona para prostituir-se novamente. Oseias, mesmo sendo a parte inocente da história, vai atrás de sua amada, dizendo:
Eu te desposarei a mim para sempre,
Eu te desposarei a mim na justiça e no direito,
no amor e na ternura.

Oseias 2:21
Por toda a Bíblia, este verso só é expresso ao se referir a uma virgem que iria ser desposada, e é aplicado a uma prostituta que já tivera dois filhos. O que podemos aprender disto? Que o amor nos purifica novamente. Não o corpo (por enquanto), mas a dignidade.

Dessa forma, gostaria que os líderes religiosos pensassem em tudo que foi dito nos seguintes termos:

a) ensinar as pessoas o ideal divino, desde a infância para inspirá-las a terem uma vida mais próxima de Deus e menos danosa a si mesmo e ao próximo;

b) estabelecer normas segundo o princípio demonstrado na Bíblia a respeito do divórcio e segundo casamento, lembrando que o princípio divino do perdão não permite remover para sempre nenhum membro, não importa o nível do pecado praticado.

Desafio grande, mas necessário para diminuirmos um pouco o excesso de sofrimento que vemos em nossas igrejas.
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Postagem anterior: 5- Se é assim, é melhor não casar!
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Todas as Postagens estão em: Divórcio, o tema proibido

5- Se é assim, é melhor não casar!

Até aqui, em nossa exegese, vimos que o adultério é mais abrangente do que muitos religiosos pensam. Vai desde o ato mais sórdido, passando para a pluralidade de companheiros até o pensamento das pessoas.

Dentro dessa gama de impurezas sexuais, segundo a Bíblia, o segundo casamento entra no mesmo.

Jesus, em suas declarações encontradas em Mateus 19 (veja aqui), esclarece que o divórcio expõe ambos ao adultério, quando o mesmo já não foi cometido.

Como só o homem poderia dar carta de divórcio até então, era dele a responsabilidade da mulher se contaminar com outro parceiro depois do divórcio.

Essa declaração era tão contrária aos costumes da época (mas não dos de Deus, como já visto) que os discípulos soltaram a seguinte pérola:
Se assim é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.
Mateus 19:10
Incrível, né? A sociedade da época estava tão acostumada com a desigualdade de direitos entre homens e mulheres que quando Jesus iguala um pouco o placar, eles gritam: Maldição! Não vale a pena casar.

Esta frase dita pelas pessoas mais próximas de Jesus só vem confirmar o que o próprio Jesus disse a respeito da carta de divórcio: que ela foi dada pela "dureza dos corações".

Assim é hoje! Não queremos aprender a amar e a perdoar. Queremos que as coisas saiam do jeito que queremos, senão cada um pro seu lado. Nem nos esforçarmos mais para mantermos nossos relacionamentos, principalmente o casamento, pois "se não der certo separa", não é mesmo?

A dureza do coração humano está fazendo com que a maioria da sociedade se torne intolerante e, infelizmente, infelizmente mesmo, entre os discípulos de Cristo, hoje chamado cristãos, não é nada diferente, quando não é pior do que entre os descrentes.

Além da dureza, havia uma lógica nas palavras dos discípulos que eu ouvi muito em minha vida: "Aquele que ainda não começou uma vida sexual consegue viver sem mulher, mas aquele que já se casou, não consegue viver sem". Por isso não devemos casar. Veja a resposta do Mestre:
Ele, porém, lhes disse: Nem todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
Porque há eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto, receba-o.
(Mateus 19:11 e 12)
Apesar da revolta demonstrada pela resposta dos discípulos, Jesus tentou acordá-los com a realidade. Tem pessoas que poderiam seguir as palavras dos discípulos, já outras não. Jesus reconhece aqui que há pessoas que não conseguiriam ter uma vida equilibrada sem uma esposa, outros sim. Cada caso é um caso.
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