segunda-feira, 5 de julho de 2010

Espírito do homem e Espírito de Deus


Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.
I Coríntios 2:11
Esse texto é um dos que mais dá "pano pra manga" para as pessoas que creem na dualidade do ser humano (um ser humano corpóreo e um espírito/fantasma) e dos anti-trinitarianos (os que creem que Deus é uma pessoa ou duas, mas jamais três). No caso do primeiro, vemos que a Bíblia deixa claro o que é a vida humana e os usos da palavra "espírito" e "alma" (veja respectivamente aqui e aqui). Em breve, pretendo falar sobre o estado dos mortos.

Mas... e esse texto (I Co 2:11, logo acima)? Quais são suas mais comuns interpretações? Seria o espírito do homem algo mais que o próprio homem? Ou seria o Espírito de Deus apenas o mesmo Deus e não uma terceira pessoa? Questionamentos sérios, não?

A palavra tão usada pelos exegetas contemporâneos que ilumina o caminho à resposta é "contexto". O contexto direto de 1 Corintios 1 e 2 já nos deixa claro que a argumentação de Paulo está opondo ciência do homem e ciência de Deus; pensamentos próprios do homem e pensamentos próprios de Deus; pensamentos do mundo carnal e pensamentos do mundo espiritual; etc. Já nesse contraste já descartamos a ideia da interpretação do ser humano dual. Não é disso que o texto trata.

Então os anti-tri estão certos? Se o espírito do homem são os pensamentos dele, o Espírito de Deus são os pensamentos de Deus, não é? Calma lá, amigo. Veja que o texto não diz que o espírito do homem é o pensamento particular de um ser humano, mas uma generalização, significando o pensamento de toda a humanidade, um pensamento construído pelo homem/humanidade. Acredito que isto fica claro ao ler o texto com está noção de ciência do mundo, sabedoria, etc.

Claro que pelo contexto bíblico (de toda a bíblia) é descartada a vida durante a morte (em breve falarei mais sobre isto), mas poderíamos dizer o mesmo do Espírito de Deus? Seria Ele só o pensamento, ou a ciência/sabedoria divina? Acredito que não (acompanhe os estudos desse marcador: Trindade).

Então como fica o texto? Claramente Paulo faz um jogo de palavras, aproveitando o termo espírito do homem, que demonstra o que o move, seus os pensamentos em comum, ou seja, o que é próprio do pensamento humano. Toda esta significação acaba atraindo a argumentação para que a palavra "Espírito de Deus" expressa-se tudo isto a respeito de Deus, mas sem perder sua significação bíblica.

Ou seja, o termo espírito do homem é claramente remetido ao pensamento construído pela humanidade, enquanto o Espírito de Deus é ambíguo, mostrando não só que o Espírito entende a si mesmo como ao Pai e ao Filho, e que por isso nos ensina o que é próprio de Deus.

É uma progressão de significados até fácil de entender para os que estão acostumados a poesia.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

[Dn 9] A profecia (parte 4)


...e selar a visão e a profecia... (v. 24)
Como já explicado aqui, a visão refere-se a do capítulo 8 de Daniel e a profecia é esta que estamos estudando.

A confirmação dos acontecimentos a seguir dariam garantia que tudo seria fiel e fidedigno. É uma prova que Deus está no comando.

Prossigamos:
...e para ungir o Santíssimo. (fim do verso 24)
Ungir o Santíssimo se refere à unção do santuário para o início do ministério. Esta ministração no santuário terrestre está descrita em Levítico 8:10 e 11. Deste momento em diante os santuários terrestres tiveram o seu início. Agora há um outro santuário que precisaria ser ungido, pois seu serviço não seria começado antes de seu sumo sacerdote ser ungido, e o mesmo ungir este santuário. O santuário celestial:
Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade,
Ministro do santuário, e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem.
Hebreus 8:1 e 2
O livro de Hebreus mostra claramente que Jesus é este sumo sacerdote ungido (veja Lucas 4:18 e 19; Hebreus 1:9 e João 5:25 e 26) para iniciar seu trabalho no santuário celestial, superior ao nosso.

Suma de Daniel 9:24

Gabriel deixa claro que no tempo dado para seu povo, Cristo, o prometido, viria e se confirmaria nele as promessas indicadas acima. É um verso cristocêntrico. Nestas setenta semanas tudo isto se realizaria como o novo testamento testifica que já aconteceu.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

[Dn 9] A profecia (parte 3)

... e trazer a justiça eterna (v. 24)
Acredito que a Bíblia também esclarece a si própria neste aspecto. Quando teria vindo a justiça eterna?
Então veio Jesus da Galiléia ter com João, junto do Jordão, para ser batizado por ele.
Mas João opunha-se-lhe, dizendo: Eu careço de ser batizado por ti, e vens tu a mim?
Jesus, porém, respondendo, disse-lhe: Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda a justiça. Então ele o permitiu.
Mateus 3:13-15

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.
Romanos 1:16 e 17

Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;
Romanos 3:21

Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
Romanos 5:17-21

Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.
Romanos 10:4

Mas vós sois dele, em Jesus Cristo, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção.
I Coríntios 1:30

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
Isaías 9:6

Assim também Cristo não se glorificou a si mesmo, para se fazer sumo sacerdote, mas aquele que lhe disse: Tu és meu Filho, Hoje te gerei.
Como também diz, noutro lugar: Tu és sacerdote eternamente, Segundo a ordem de Melquisedeque.
O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia.
Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu.
E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;
Chamado por Deus sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque.
Hebreus 5:5-10

Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou;
A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz;
Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre.
Hebreus 7:1-3
Acredito que ficou claro quem é a justiça eterna, né?

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Êxodo 20:5-6, parte 2: Bem X Mal

O teu coração não inveje os pecadores; antes permanece no temor do SENHOR todo dia.
Porque certamente acabará bem; não será malograda a tua esperança.
Provérbios 23:17 e 18
Não é difícil acharmos tentadora a ideia de que o mal é mais forte que o bem. Com certeza todos nós já vimos o malvado sair triunfante de uma adversidade. Maior exemplo disso é no esporte. Aquele que simulou um penalti, fez um gol de mão, acertou covardemente um adversário e saiu impune, etc.

Mas não é só no esporte que temos essa sensação. No meio acadêmico, profissional e até nos relacionamentos, muitas pessoas só conseguiram adquirir o almejado através de trapaças e mentiras.

Tudo isto acaba fazendo que por vezes nós desejemos praticar o mal. Parece que todos que escolhem usar suas ferramentas tornam-se soberanos e que os que praticam o bem sempre são as vítimas.

Mas, segundo a Bíblia, o mal não é soberano sobre o bem. Uma das provas disto é o texto base destas segunda parte desta reflexão: Êxodo 20:5 e 6.

Na 1ª parte vimos uma visão comum dos teólogos a respeito do texto, mas agora gostaria de levá-los a um pensamento que há algumas semanas que me surgiu.

Uma das claras oposições do verso é entre a iniquidade e a obediência. Iniquidade, que é o viver sem equidade, ou seja, desobedecendo a lei (veja mais aqui) e a guarda de suas leis. Uma luta entre bem e mal.

Nestes versos, vemos que a palavra geração é utilizada como marco de tempo para em que Deus perseguiria o mal. Ou seja, o mal não duraria para sempre. Já em oposição a isto, o tempo de proteção é vasto.

Só uma pequena conta para entendermos esta imagem bíblica. O tempo de uma geração atualmente é muito variado, por isso mostrarei direto o tempo que muitos aplicam a uma geração bíblica, segundo o texto de Números 32:13, é de 40 anos.

Se consideramos este número de anos (40), iremos esperar que Deus perseguiria o mal nos filhos das pessoas por cerca de 160 anos. Contrapondo esta ação, Deus protege o bem feito por 40.000 anos. Imenso, não?

Só para se ter ideia, os textos bíblicos não permitem uma interpetação maior que 10.000 anos para a idade da Terra, segundo alguns escritores. Vejam que o bem seria protegido até nossa existência nos Céus.

Claro que isto é só um calculo para termos noção do que Deus quer nos dizer, afinal, não creio que a contagem seja literal destas gerações. Aonde quero chegar com este raciocínio? O Bem pode parecer mais fraco, mas ele dura para sempre:
Por que te glorias na maldade, ó homem poderoso? Pois a bondade de Deus dura para sempre.
Salmo 52:1
Lembrando que toda bondade é bondade de Deus (Efésios 4:8 e 9; Filipenses 2:13; Gálatas 5:22 e 23).

Ainda não entendeu o que há de novo? Olhe... o Bem é eterno. O bem que fazemos, o verdadeiro bem, que fazemos com o coração verdadeiramente motivado por bons motivos, este é eterno.

Mesmo que eu ou você não nos salvemos (isto só acontecerá se não aceitarmos o sacrifício de Cristo), o bem que fizemos até hoje permanecerá na memória das pessoas que ajudamos.

Um salvo nunca vai esquecer o rosto de quem lhe deu estudo bíblico, ou que lhe deu comida num momento de fome, ou lhe vestiu no frio, deu carinho na carência, amor na amargura...

O Bem dura para sempre, ele é mais poderoso que o mal. Suas obras são eternas. Já o mal, esse se findará (Apocalipse 20:14; 21:4 e 8).
Por isso a insistência de Paulo para que procuremos o Bem. Finalizo com estes versos:
O amor seja não fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem.
A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas, perante todos os homens.
Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.
Romanos 12:9, 17 e 21

sexta-feira, 11 de junho de 2010

[Dn 9] A profecia (parte 2)

Para parte 1, clique aqui.
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Continuação do verso 24:
para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade...
Antes de entendermos estes versos é bom sabermos que transgressão, pecado e iniquidade (o último vem do grego anomia) são sinônimos, afinal, todas estas palavras significam a quebra/desobediência perante a lei. Veja que I João 3:4 já deixa as palavras "iniquidade" e "pecado" como sinônimas.

Muitas pessoas aplicam a interpretação destes versos para o extermínio final do mal (Apocalipse 20), onde não haveria mais possibilidade para o mal, segundo esses. Mas a Bíblia não sustenta esse pensamento. Vejamos alguns textos neotestamentários que indicam a mais claramente o cumprimento destes versos:
Ora, pois, já que Cristo padeceu por nós na carne, armai-vos também vós com este pensamento, que aquele que padeceu na carnecessou do pecado;
Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus.
I Pedro 4:1 e 2

Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo.

Hebreus 9:26

O qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras.
Tito 2:14

Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo...
Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus,
Daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés.
Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
Hebreus 2:17 e 10:12-14

Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.
I Pedro 2:24
Fica claro o cumprimento desta profecia sendo prescrito em Cristo. Os textos em vermelho sangue mostram a intenção do cumprimento da profecia em Cristo. Os negritados mostram as palavras chaves da profecia e os em preto mostram que a profecia já se cumpriu em Cristo (verbos no passado). Estes são só alguns textos trazidos na intenção de esclarecer, mas a diversos outros. Uma pesquisa com as palavras chaves da profecia confirmará isto.

Qualquer dúvida deixe um comentário e procurarei tirá-la.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Êxodo 20:5-6, parte 1: A herança genética

porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.
E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.
Êxodo 20:5 e 6
Há um grande consenso entre exegetas de diversas religiões ao interpretarem estes versos visando a hereditariedade humana.

Eles costumam dizer que Deus persegue os traços maus herdados de nossos ascendentes, inclusive doenças e erros de caráter. Mas os bons bons também seriam consideradas geneticamente, como visto no verso, e por muito mais tempo.

Interessante que este não é o único verso bíblico que trata sobre a descendência, ou seja, dos filhos e da certeza de sucesso dos mesmos.

Mas qual seria a importância dos filhos nos diversos contextos de nossa história humana?

Bem, desde sempre o homem reconhece nos filhos os seus traços e de sua parceira, e vice-versa. Essa herança genética traz o conforto de perpetuar seu próprio ser na história da humanidade. Isto fica nítido ao passarmos pelas bênçãos e maldições proferidas na Bíblia, sempre envolvendo a genealogia futura dos homens.

Ao meu ver, esta promessa nos alivia por diversos motivos. Um deles é o próprio desejo de mantermo-nos eternos de algum modo. Outro seria o de ver seus erros serem concertados nos filhos. Até hoje queremos que nossos filhos sejam melhores do que fomos e façam o que não conseguimos fazer, não é mesmo?

Mas o mais maravilhoso é o saber que meu filho, fruto do amor entre eu e minha amada, trará o melhor de nós dois. Imaginem o que é amar um ser, caso eu me ame e ame minha esposa. Seria um amor inigualável, não é mesmo? Ao menos deveria ser assim.

Mas não é só no positivo que os filhos puxam os pais. Veja o final triunfal de Brás Cubas, na obra tão conhecida de Machado de Assis:
E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: -- Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.
Infelizmente, notamos que muitas pessoas pensam exatamente assim sobre a sua descendência. Mas, mais que claro fica que essa noção de descendência é uma forma de perpetuidade dada a um pedacinho de nossos genes.

Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
Eclesiastes 3:11 (ARA)

[Dn 9] A profecia

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo.
Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.
E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações.
E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador.
Daniel 9: 24-27
Como já ficou claro (veja as outras partes aqui, aqui e aqui), o anjo Gabriel veio para responder a oração, dar o entendimento da visão e trazer a profecia. Nestes versos descritos acima está a profecia que responderia a oração de Daniel a respeito de seu povo e iniciaria a contagem da visão de Daniel 8. Vamos começar sua interpretação:

v. 24
Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade
Aqui está a resposta a oração de Daniel. Seu povo retornaria a sua cidade, realizando assim seu desejo. Ele teria setenta semanas para trabalhar com seu povo. Mas seriam estas semanas literais?

Segundo a linguagem profética, um dia é igual a um ano (veja Números 14:34 e Ezequiel 4:6). O próprio Daniel havia calculado isto neste mesmo capítulo 9 de seu livro, pois fora através deste cálculo que perceberá a possibilidade de seu povo sair do cativeiro.

Mas, como já visto, a continuação dos pecados de seu povo continuará, por isso a insistência na oração. Daí a resposta "setenta semanas estão determinadas sobre teu povo...".

No cálculo, as 70 semanas dão exatamente 490 dias. Passando isto para a linguagem profética seriam exatos 490 anos que o povo de Daniel teria para se preparar para... Bem, já já descobriremos.

Outro ponto importante que gostaria de destacar antes de irmos para a próxima parte é sobre a palavra "determinada". No original a palavra é neḥtak, que pode significar cortado, amputado, decretado, estipulado, determinado, decidido, regulamentado, dilacerado, ferido, etc.

Vê-se claramente a questão do ser posto a parte, ou até mesmo retirado de algum lugar. De onde seria cortado ou separado? Da profecia anterior, ou melhor, do tempo descrito na profecia anterior. Qual tempo? No verso 14 de Daniel 8 lemos sobre às 2.300 tardes e manhãs, que segundo Gênesis, uma tarde e manhã corresponde à um dia, e um dia em profecia corresponde a um ano. Portanto, não é difícil imaginar 490 anos serem tirados de 2.300, não é mesmo?

Mais uma clara ligação de Daniel 8 com o capítulo 9.

terça-feira, 25 de maio de 2010

[Dn 9] Gabriel

Já no verso 20, Daniel deixa claro que o homem que ele estava vendo era o mesmo que ele viu na visão que tinha tido anteriormente (veja Daniel 8:16). Lá também dá o nome do mesmo: Gabriel.

Gabriel significa "Deus é meu forte herói" ou "Deus é meu homem forte" (veja aqui). Mas alguns chegam a traduzir, como ocorreu na wikipédia brasileira, como "homem forte de Deus". Já John D. Davis traduz simplesmente como "homem de Deus". Pelos meus conhecimentos sobre hebraico, todas as traduções acima são possíveis, apesar de tender para a primeira.

Este nome reaparece mais duas vezes no novo testamento, agora sendo identificado como "anjo". Na aparição a Zacarias (Lucas 1:19) ele declara "assistir diante de Deus". Estar na presença de Deus o poria como o mais alto anjo, ou um dos mais altos. O único outro anjo identificado na Bíblia também é Miguel (aquele que é como Deus), mas este é posto como o próprio Jesus, o arcanjo (mais elevado dos anjos) de Deus. Segundo este pensamento, Gabriel estaria abaixo apenas de Jesus.

Mas, quais são as palavras de Gabriel para Daniel?
Ele me instruiu, e falou comigo, dizendo: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido.
v. 22
Sentido? Sentido de quê? Do que Gabriel está falando se Daniel não tinha feito nenhuma pergunta? Ele só tinha pedido misericórdia para seu povo e a cidade santa. Não tinha pedido nenhuma explicação.

A resposta para estas indagações estão ligadas ao capítulo anterior de Daniel. Em Daniel 8:16 vemos que Gabriel fora enviado para dar a interpretação da visão que Daniel havia visto. Mas não fora ela por todo entendida:
E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse.
Daniel 8:27
Isto ainda é confirmado pelos versos do capítulo que ligam as duas aparições de Gabriel. Vejam o esquema abaixo feito a partir dos versos de Daniel 9:
verso 21 ... o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio...
verso 22 ... Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido.
verso 23 ... entende a visão.
verso 24 ... e selar a visão e a profecia...
Veja que é inegável a relação entre a visão e esta profecia. Mas o que faltara na visão de Daniel 8? O próprio anjo Gabriel falara na ocasião que a visão sobre as tardes e manhãs era verdadeira e ele pararia por aí a interpretação (v. 26). Portanto, o que faltara era a data de início dessa contagem de tempo. Mas isto veremos em outro momento.

Nas próximas postagens com esse tema, nos aprofundaremos mais na profecia de Daniel 9.

Shalom!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

[Dn 9] A oração de Daniel

No primeiro ano do seu reinado[Dario começou a reinar em 521 a.C.], eu, Daniel, entendi pelos livros que o número dos anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de cumprir-se as desolações de Jerusalém, era de setenta anos.
E eu dirigi o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar com oração e súplicas, com jejum, e saco e cinza.
E orei ao SENHOR meu Deus, e confessei, e disse:[...]Pecamos, e cometemos iniquidades, e procedemos impiamente, e fomos rebeldes, apartando-nos dos teus mandamentos e dos teus juízos;
E não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que em teu nome falaram aos nossos reis, aos nossos príncipes, e a nossos pais, como também a todo o povo da terra.
Daniel 9: 2-6
Quantas vezes não ouvi que Daniel é a única personalidade bíblica que não se tem relatado seus pecados. Há ainda José, mas sua arrogância perante os irmãos pode ser considerada uma falha de caráter. Já Daniel não se fala de seus erros, mas não era esta a visão que o mesmo tinha perante Deus.

Os versos acima demonstram sua confissão. Ele assumia seus erros e os erros da seus irmãos também. Sabia que o cativeiro em que vivia não era porque culpa de Deus, mas pela desobediência de seu povo, sem se excluir do mesmo.

Sua oração é uma das mais belas da Bíblia. Mostra que seu povo mesmo em cativeiro não o procura, levando-o a crer que a promessa de sair do cativeiro em 70 anos poderia ser frustrada pelas falhas que seu povo teimava em cometer.

Mas Daniel conhecia seu Deus e sabia de sua misericórdia. Por isso se humilhou, confessando sua falta de méritos neste pedido e intercedeu pelo seu povo, para que ele voltasse e reconstruísse a Jerusalém (v. 18 e 19). Mais uma lição para nós. Todos somos imerecedores das bênçãos de Deus. Mas ele, por sua bondade, a dá, principalmente quando entendemos nossa situação e pedimos sinceramente a ele. O papel de intercessor também é valorizado nestes versos. Também deveríamos interceder para que outros alcançassem a salvação, pois todos somos imerecedores perante Deus e nossa oração faz diferença na vida dos demais.

Mais incrível do que a humildade de Daniel foi a resposta de Deus. Antes mesmo de Daniel acabar a oração já chegara um anjo para dar a resposta a Daniel. O anjo diz que no "início de suas súplicas" ele tinha sido enviado a dar as benditas notícias a Daniel. Aqui vemos a onisciência de Deus em ação e o voo poderoso de um anjo, que sai do trono de Deus e chega a Terra na velocidade de uma oração.

Mas a palavra que deve ter deixado Daniel mais feliz é "pois tu és mui amado" (v. 23). Esse carinho que Deus demonstra por nós. Daniel tinha um coração esclarecido no que concerne a realidade dele para com Deus, e isso o fazia se aproximar da devida maneira na presença de Deus. Fora que vemos o poder da oração de um justo (Tiago 5:16-18).

Em breve veremos como as notícias trazidas pelo anjo responderam esta oração de Daniel.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Daniel 9 - A profecia mais impressionante de todos os tempos.

A partir desta postagem estarei trabalhando com a profecia de Daniel capítulo 9, a qual é, ao meu ver, a que teve o cumprimento mais impressionante e fidedigno da história da humanidade.

Toda a postagem relacionada com Daniel 9 estará identificada com [Dn 9] no título e com o marcador "Daniel 9". Hoje também estreio o marcador "profecia".

Pesquise por conta este tema e você descobrirá muitas maravilhas. Veja os links abaixo:

1. A oração de Daniel
2. Gabriel
3. A profecia
4. A profecia (parte 2)
5. A profecia  (parte 3)
6. A profecia  (parte 4)
7. A profecia  (parte 5)
8. A profecia  (parte 6)
9. Conclusões


Obs.: O estudo desta profecia já converteu diversos ateus e tocou milhares de vidas pelo poder e cuidado demonstrado por nosso grandioso Deus.
Não havendo profecia, o povo perece; porém o que guarda a lei, esse é bem-aventurado.
Provérbios 29:18