terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que vem com a Morte?


Deveras todas estas coisas considerei no meu coração, para declarar tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus, e também o homem não conhece nem o amor nem o ódio; tudo passa perante ele.Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento. Este é o mal que há entre tudo quanto se faz debaixo do sol; a todos sucede o mesmo; e que também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e que há desvarios no seu coração enquanto vivem, e depois se vão aos mortos. Ora, para aquele que está entre os vivos há esperança (porque melhor é o cão vivo do que o leão morto). Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento. Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.
Eclesiastes 9:1-6
Na madrugada dessa terça-feira o Brasil foi impactado com a notícia da morte de 71 pessoas no acidente aéreo na Colômbia com a delegação do time brasileiro de futebol Chapecoense. Na verdade, não só o Brasil se comoveu, mas o mundo inteiro prestou suas condolências ao saberem dessa fatalidade.

Os clubes brasileiros estão tomando atitudes de solidariedade ao clube e o governo de vários países tentam ajudar nesse momento de dificuldade para os familiares, amigos e a cidade de chapeco, por serem os mais afetados pela tragédia.

Mas o que mais me chamou a atenção é o que ocorreu poucas horas depois da tragédia ser anunciada. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou a final da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético mineiro e toda a última rodada do Campeonato Brasileiro, atitude totalmente diferente do que aconteceu 22 anos atrás quando um herói nacional morria num acidente de fórmula um: o piloto Ayrton Senna.

No dia 1º de Maio de 1994 morreu o que talvez foi o maior piloto de fórmula 1 que o mundo já conheceu. Foi no prêmio de Imola na Itália que aconteceu, mas ele não foi o único piloto a se acidentar nesse prêmio e, infelizmente, não foi o único a morrer. No treino classificatório já havia morrido o piloto Roland Ratzenberger e vários outros acidentes sérios tinham ocorrido. Todos os pilotos estavam abalados e, inclusive o brasileiro. Ele ainda pediu para não correr, mas, como dizem nos show business "o show tem que continuar". Mas há coisas mais importantes que o intertainment.

Se a atitude dos dirigentes da fórmula 1 fosse igual ao dos do futebol da CBF e da Comebol, provavelmente teríamos por mais tempo nosso píloto mais estimado.

A morte, segundo a Bíblia, é o último inimigo a ser vencido (1 Coríntios 15;26). Mesmo assim a morte trás algo importante: a reflexão do valor da vida. Em meio a morte olhamos para a vida, o que há de bom, e isso traz o que há de melhor em nós.

O jogador Alan Ruschel pediu para que guardasse sua aliança, outros jogadores que chegaram vivos perguntaram sobre a família nos levando a ver que pessoas acostumados a agradar multidões ainda precisam do mesmo fundamento base que todos nós precisamos, a família (Veja Eclesiastes 9:9).

Em meio à morte, nos voltamos mais fortemente a vida, procurando o que ela há de melhor. Procuramos o mais importante na vida e isso nos faz aprender o que realmente é viver, e viver com abundância. Esse é o motivo de Salomão (o mais aceito autor de Eclesiastes) dizer "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque naquela está o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração" (Eclesiastes 7:2).

O texto que escolhi não o fiz por querer defender uma doutrina ou para ser dramático, mas para mostrar a real essência do livro de Eclesiastes: como devemos viver a vida. O que realmente importa? Viver em abundância e o livro dá várias dicas disso. Como a música dos titãs diz, devemos "saber viver", e isso no livro de Eclesiastes, é viver com sabedoria. A Sabedoria é melhor que armas de guerra (veja Eclesiastes 9:14-18).

A morte é muito forte, mas sua força pode nos trazer cada vez mais vida. Só depende de nós, pois Deus nos indica esse caminho. A vida, afinal, é muito mais forte, e por isso ela vale muito mais ser apreciada do que a morte. A morte só serve para enaltecer a vida. Lembrar que ela é o primeiro presente de Deus e o único que faz com que aproveitemos os outros.

No filme "Um Sonho de Liberdade", Red indaga Andy sobre como não deveríamos fantasiar com sonhos inúteis, pois os dois tinham sido sentenciados a prisão eterna e jamais sairiam da prisão. Sonhar com uma vida fora era inútil. Andy respondi que só restava duas opções então: ocupar-se com a vida ou com a morte. Andy escolheu a vida, "porque melhor é o cão vivo do que o leão morto" (Eclesiastes 9:4).

A vida é boa, e devemos procurar a sabedoria divina para vivermos ela bem e ensinar outros a vivê-la bem. Aceita esse desafio?

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Por que Deus não nos protege de todo o mal?

"...mas livra-nos do mal...." Mateus 6:13
Acredito que ainda éramos adolescentes, quando um dos meus melhores amigos, o qual desde sempre mostrou interesse em discutir e pensar sobre Deus e as questões da fé, abordou-me com o seguinte pensamento, depois de explicá-lo sobre algumas questões sobre Deus permitir o sofrimento humano:

"Eu tenho um filho. Eu o protejo de todos os males, inclusive com minha própria vida. Por quê, então, Deus que é nosso pai não nos protege também?"

Lembro-me que sua expressão de dor era tão verdadeira que não respondi nada. Se respondi, acho que era algo que talvez nem me convenceria. Ele estava sendo sincero. Sua necessidade de Deus era real, assim como a indagação que ele fizera.

Normalmente respondemos essa questão com o livre arbítrio, a eterna liberdade que temos entre escolher o mal e o bem, mas não vejo que é exatamente esse ponto que está em discussão aqui.

Nessa discussão acaba passando ainda pela origem do mal, o porquê dos bons sofrerem, da onipotência e bondade divina se contradizerem e assim vai.

Um livro inteiro da Bíblia nos ajuda a refletir sobre essas questões: o livro de Jó.

Mas antes vamos tentar responder a questão inquietante de meu amigo, o qual não respondi a contento ao mesmo até hoje. Espero que agora possa fazê-lo.

O quanto protegemos nossos filhos? Totalmente? Inclusive sobre perigos de cair, tropeçar, sujar-se, gripar-se, e assim por diante?

Hoje sabemos das desvantagens de cercar demais nossos filhos dos perigos que rondam eles. Isso os torna inseguros, dependentes e não enxergarem problemas para evitar e quando em problemas, terem uma maior dificuldade de lidar com eles. A famosa frase "seu filho precisa ganhar anticorpos" é bastante repetida aos pais hiperprotetores.

Claro que não proteger o filho de nada é outro extremo que deve ser evitado. O sábio é realmente observar os riscos que o filho corre e ponderar sobre se deve ou não passar por ele.

Riscos de cair num barranco, ser atropelado, ficar com alguém suspeito, crianças pequenas sozinhas em casa são obviamente coisas que não devemos permitir nunca. Deste modo, um pai que ama o filho dá certa liberdade para ocorrer algum mal com o filho, sempre controlando para que o dano não seja irreparável, cortando qualquer coisa que estiver em seu poder para prejudicar seu filho permanentemente.

Talvez seja nessa parte do dano permanente que meu amigo quis falar sobre como protegia o filho. Nós, que temos muito pouco controle do que pode acontecer com nossos filhos, ainda assim temos que agir desse modo para o melhor desenvolvimento deles, imagine Deus, que tem poder para reparar qualquer dano físico ou psicológico feito por qualquer inimigo aos Seus filhos preciosos, deveria agir!

Deus tem o controle de tudo, inclusive a morte. É essa a mensagem que ele deixa para Jó no final de seu livro (Jó 38-41).

Veja o enredo de Jó. Jó é um homem integro, temente a Deus e se desvia do mal e por isso é alvo de Satanás ao ver o Supremo Criador elogiando este tão inspirador servo. Veja que Satanás não quer destruir somente os bens, família e saúde de Jó, mas sim a vida (Jó 2:3). Deus permite Jó perder tudo, mas limita a ação de Satanás, protegendo o que ele mais queria tirar, a vida de Jó. Depois de perder tudo, e ser tentado pela mulher a desistir de Deus e morrer (assim como Satanás queria), Jó encontra os amigos e mostra sinais claríssimos de depressão.

Seus amigos tentam consolá-lo e mostrar o caminho, mas acabam acusando a Jó de cometer um terrível pecado, apresentando a ele que só isso explicaria tamanhos males em sua vida. Jó se defende, e no processo acaba falando algumas barbáries sobre Deus. No fim, Deus aparece para Jó e mostra a Jó que ele não é capaz de entender todo o plano divino. Jó não pode nem entender a criação, muito menos entenderia o Criador. Jó reconhece que não conhecia a Deus como agora o conhece. Repare, esse conhecer veio do fato de ele se reconhecer como incapaz de perscrutar todos os motivos divinos para o seu sofrimento. Deus repreende os amigos de Jó e pede para Jó interceder por eles. A sorte de Jó é restaurada. Seus bens são dobrados e mais dez filhos lhe nascem.

Veja: Deus limita o dano, mas permite o mal. Os seus filhos passam por sofrimento, crescem e tem a sorte restaurada. Agora comparem a esses textos:
também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência,E a paciência a experiência, e a experiência a esperança.E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
Romanos 5:3-5
Meus irmãos, tende grande gozo quando cairdes em várias tentações;Sabendo que a prova da vossa fé opera a paciência.Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.
Tiago 1:2-4
Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações,Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;Ao qual, não o havendo visto, amais; no qual, não o vendo agora, mas crendo, vos alegrais com gozo inefável e glorioso;Alcançando o fim da vossa fé, a salvação das vossas almas.
1 Pedro 1:6-9
Infelizmente não estamos mais no paraíso criado por Deus e seja lá qual for a criatura que nascer nesse planeta mal, ela sofrerá. Sofrer faz parte da vida. Depende de nós se sofreremos por nada ou para crescermos em graça perante Deus e os homens.

sábado, 10 de janeiro de 2015

é isto um homem? de Primo Levi

Este livro é o relato do próprio autor, judeu italiano, a respeito dos horrores que viveu no campo de concentração de Auschwits, e de como o funcionamento do campo desumanizava tanto judeus quanto soldados.

Em meio a rotina dura do campo, Primo Levi relata o efeito que a ajuda simples de um homem tinha em seu ser:
"... Não sei se tem sentido identificar as causas pelas quais a minha vida, só a minha entre milhares de vidas equivalentes, pôde resistir à prova; em todo caso, creio que devo justamente a Lourenço o fato de estar vivo hoje. E não é só por ajuda material, mas por ter-me ele lembrado constantemente (com a sua presença, com esse seu jeito tão simples de ser bom) que ainda existia um mundo justo, fora do nosso; algo, alguém, ainda puro e íntegro, não corrupto nem selvagem, alheio ao ódio e ao medo; algo difícil de definir, uma remota possibilidade de bem pela qual valia a pena conservar-se."
Esse texto lindo é minha parte favorita no livro. Não tem a ver diretamente com religião, pois o próprio autor não consegue conceber Deus depois dos horrores que viveu, mas tem a  ver com um efeito que muitos religiosos causam nos outros.

Pureza, bondade, integridade e honra dão vida. Pedro dizia que não se separaria de Cristo porque encontrava nEle palavras de vida (João 6:68). Acredito que é isso que podemos fazer pelo outro. Ser bons para darmos vida a eles, não importando se cremos ou não em Deus. Mas, claro, não são todos que estão dispostos a isso.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

A questão do mal



Roteiro
Muitos conhecem a história de um anjo perfeito que, em meio a um ambiente perfeito, criou um sentimento maligno em seu ser.

Não são poucos que ridicularizam essa ideia dos teólogos. Dizem que seria impossível surgir o mal assim, como se ele fosse um germe que surge do nada num ambiente esterilizado.

Mas, há pouco tempo atrás, aprendi com Agostinho que o mal não é uma coisa, um vírus ou qualquer outra ideia material que possam dar a ele, por mais que seja completamente compreensível pensarmos assim.

O mal nada mais é do que uma atitude de desarmonia para com Deus.

Todo o ser livre criado por Deus tem capacidade de pensar por si mesmo, evoluir, crescer e desenvolver-se de diversas maneiras. Dúvidas comuns sobre como as coisas funcionariam e curiosidade são próprios dessas criaturas.

Claro que isso não significa que foram criados para desarmonia, mas que haveria um desenvolvimento pessoal gradativo. Entretanto, tudo isso explica como isso torna possível a existência do mal, principalmente num universo que não o conhecia.

Duvidar e indagar são coisas normais num universo perfeito. Escolha também.

Mas e se essa escolha causar mal aos outros? Foi exatamente esse tipo de escolha que Lúcifer fez, levando o mal ao conhecimento do universo.

Veja que, segundo os textos bíblicos, Lúcifer progrediu em seu comércio, palavra hebraica que também tem o sentido de fofoca ou calunia, mas isso não fez com que ele fosse expulso. Trazer guerra sim.

O pecado, quando consumado que produz morte, apesar que os mais sábios já viam podiam sentir a morte por trás das palavras do anjo de luz.

O mal existe por que podemos pensar e escolher por nós mesmos. A possibilidade de ficarmos contrários a Deus é a possibilidade de existir o mal.

Não há uma trava para não podermos ser contrários a Deus e seu reino. Só assim o mal poderia nunca vir a existir.

Isso me faz lembrar do filme Laranja Mecânica. A principal discussão era se era correto ou não impedirmos o livre arbítrio de uma pessoa.

E por que Deus ainda não acabou com o mal? Por que ele permite que ainda soframos? Ou pior, por que os bons sofrem? Não poderia ele proteger esses e deixar ao léu os maus?

Deus trata o mal de maneira diferente da que tratamos. Ele não evita que algo aconteça só porque aquilo pode dar errado, mas resolve a questão quando ela aparece.

Ele não deixa de ter um filho, mesmo com a possibilidade de ele se rebelar, mas ama-o por mais que sua vida seja finita. Apesar desse ser um sentimento raro nos seres humanos, ainda vejo algumas pessoas que tem essas características em comum com Deus.

Quem é mau, pode vir a ser bom, segundo a visão bíblica. Deus não dá uma ou duas chances. Ele dá todas. Mas até “todas” é um limite. Tem um momento que as chances acabam.

E por que os bons sofrem? Por que vivem num universo onde há atitudes más.

Onde existe desarmonia, existe sofrimento. Quem é bom sofre até mesmo pela dor do outro. Então, enquanto houver o mal, o bom sofrerá.

Também é necessário passarmos pelo mal para sabermos o que ele é, e nunca mais querermos que ele ressurja.

Por isso, quando o mal for extinto, será de uma vez por todas, sem precisar cauterizar o cérebro ou apagar a mente de ninguém, pois todos terão visto o que ele causa ao universo.

Mesmo quando novas criaturas inteligentes forem criadas, o testemunho dos salvos e dos não caídos darão convicção sobre a sabedoria de viver em harmonia com o universo e seu Deus.
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Quem é a noiva?

Então, veio um dos sete anjos que têm as sete taças cheias dos últimos sete flagelos e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a noiva, a esposa do Cordeiro;
Apocalipse 21:9

Segundo Paulo em sua analogia, Cristo é o marido e a mulher é a igreja (Efésios 5:22 e 23). Se compararmos com Jeremias 2:32 podemos chegar a conclusão que a noiva é o povo de Deus não é?

Bem, muitos pensam assim e aplicam isso, o que não é de todo errado. Mas há outra referência clara e que, em alguns textos, é a única possibilidade lógica.

Na parábola das dez virgens, por exemplo. Não tem como o povo de Deus ser as dez virgens e a noiva ao mesmo tempo. Vamos ver a resposta que encontramos no seguimento do texto acima:
e me transportou, em espírito, até a uma grande e elevada montanha e me mostrou a santa cidade, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus.
Apocalipse 21:10 e 11
Mas... como pode uma cidade ser a noiva? Leia o texto de Isaías 62:1-5:
Por amor de Sião, me não calarei e, por amor de Jerusalém, não me aquietarei, até que saia a sua justiça como um resplendor, e a sua salvação, como uma tocha acesa. As nações verão a tua justiça, e todos os reis, a tua glória; e serás chamada por um nome novo, que a boca do SENHOR designará. Serás uma coroa de glória na mão do SENHOR, um diadema real na mão do teu Deus. Nunca mais te chamarão Desamparada, nem a tua terra se denominará jamais Desolada; mas chamar-te-ão Minha-Delícia; e à tua terra, Desposada; porque o SENHOR se delicia em ti; e a tua terra se desposará. Porque, como o jovem desposa a donzela, assim teus filhos te desposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.
Veja que como estes textos misturam simbologias diferentes e magnificas juntas. Veja como a conquista da terra de Jerusalém para Deus tem o mesmo significado da conquista da noiva. Tem esse significado pois a palavra hebraica vem da mesma raiz. A conquista de uma terra se iguala a conquista de uma esposa. E a expressão "diadema real" traz um aspecto de realeza. Oras, não é próprio de um rei conquistar sua rainha pelo dote e sua terra pela força?

Essa simbologia é usada por Jesus em outras duas parábolas onde ele se remete exatamente a isto.
Sede vós semelhantes a homens que esperam pelo seu senhor, ao voltar ele das festas de casamento; para que, quando vier e bater à porta, logo lha abram. (Lucas 12:36)
Então, disse: Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar.(Lucas 19:2)
Perceberam que há uma espera dos servos até que se cumpra a missão do seu senhor? Em ambas as parábolas vemos Jesus mostrando como seria enquanto ele estivesse longe e prestes a voltar. Mas o que não notamos é que ele dá dicas do porque estará longe.

Ele vai tomar posse da noiva e da terra e depois voltará. Isso se evidencia em Daniel 7:9, 10,13 e 14. Lá vemos que em meio a um tribunal, o filho do homem vem receber poder, glória e reino neste momento, ou seja, era lhe dado o que ele tinha se despojado para viver conosco e novamente ele se dirige ao Pai para receber de volta. Por isso que ao voltar a terra ele vai voltar "com poder e grande glória" (Mateus 24:30).

Lembra quando acontecia a festa (a ceia) das bodas nos casamentos da época de Jesus? Veja neste link se não. Era logo depois do casamento ser consumado. Do esposo tomar posse da esposa (termo hebraico que remetia tanto a dominar a terra quanto desposar a amada). Agora leia Apocalipse 19:7-9:
Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe a glória, porque são chegadas as bodas do Cordeiro, cuja esposa a si mesma já se ataviou, pois lhe foi dado vestir-se de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de justiça dos santos. Então, me falou o anjo: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. E acrescentou: São estas as verdadeiras palavras de Deus.
Lembra quando ceiáremos de novo com o Senhor? (Mateus 26:26-29).

 E o que Ele foi fazer mesmo? (João 14:2 e 3).

Como eu amo essas associações que a Bíblia nos proporciona. Literatura de alto nível, além de manual de fé para muitos.
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Veja também: As parábolas de Mateus 25 e A parábola das dez virgens.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Nossos deuses são super-heróis

Calma! Calma! Não entre em pânico.

Sei que a capa causa um espanto nos cristãos por satirizar a santa ceia de Leonardo da Vinci, mas a obra é bem coerente no que ela se dispõe. Não a destrua só pelo olhar inicial.

Por muito tempo escondi meu lado geek (nerd), mas para ser verdadeiro tenho que assumi-lo. Apesar de nerd, não sou dos melhores também [vergonha].

O texto conta a história das hqs, claro, focando-se mais sua origem norte-americana. O diferencial de outros livros históricos sobre o tema é que ele mostra como esses quadrinhos estão cobertos de ideias religiosas de todos os tipos.

Mas o que mais me chamou a atenção neste livro foi como a psique humana tem necessidade de heróis. Alguns preferem heróis que se identifiquem com nós, passem pelas mesmas dificuldades e crises existenciais. Outros preferem salvadores poderosos e incorruptíveis como deuses que dão exemplo de moral ou no mínimo tem poder para resolver nossos problemas.

A solidão de jovens que não sentem nas religiões o que é necessário para encarar a vida e conseguem um pouco mais de consolo nessas figuras tão diversas também fica clara no texto.

A necessidade de sermos heróis também é citada. Refletir nisso me fez pensar no maior diferencial que o judaísmo do antigo testamento tem em comparação ao cristianismo judeu do primeiro século: o ideal proselitista.

Esse ideal de missão diferenciou os dois momentos de maneira incrível, dando uma possibilidade de contribuir com Deus na salvação de outros simplesmente ao mostrar a esses o que Deus fez por eles ao entregar seu filho a morte para que o universo fosse re-harmonizado  com Ele.

Em suma: precisamos de um herói. Todos nós, nem que para isso, nós mesmos sejamos esse herói.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

A mulher trazendo salvação e perdição ao homem



Roteiro
Para alguns leitores da Bíblia, ela é um livro bem machista.
Mas será que é assim mesmo ou existe um exagero nessa interpretação?

Prosseguindo! Nos seis primeiros versos desse capítulo temos
dois personagens interagindo. A serpente e a mulher. No novo testamento, a
serpente é tida como o próprio Satanás.

A serpente engana a mulher, contradizendo as palavras duras
de Deus a respeito do que aconteceria ao se comer o fruto, além de seduzi-la
com a ideia de ser igual a Deus.

Perceba que em Gênesis 1:27, tanto o homem quanto a mulher
foram criados a imagem e semelhança divina. Por isso, é certo que o que a
serpente está insinuando não é que eles se tornassem como eles já eram, mas
algo além. Ela deveria se tornar uma igual em hierarquia com Deus. Mas, Deus só
há um. Poderia haver outro ou outros iguais em sabedoria e poder?

A hierarquia é algo valorizado na Bíblia. Até os anjos tem
um líder, o arcanjo (principal dos anjos). O homem foi criado para ser o líder
do planeta recém organizado. Líder, não tirano. Mesmo num mundo perfeito,
segundo a Bíblia, há hierarquia.

Voltando ao texto, note que o homem é apático nesse texto.
Não há discussão, nem briga. Não há nada. Ele só aceita a liderança da mulher.
Mas, no verso 9, Deus chama o homem, pois ele é o responsável. Mas o mesmo se
desvia de sua responsabilidade jogando a culpa em Deus e em sua esposa.

Veja que caos nos relacionamentos aqui. Vamos voltar para a
criação um instante. O mundo era caótico e Deus começa a organizá-lo; do barro
deste mundo é feito o homem e da costela desse homem é feita a mulher, pondo
assim fim na criação do planeta Terra.

Agora Satanás/a serpente leva a mulher a pecar, a qual leva
o homem, que, por seu erro, amaldiçoa a terra, transformando toda essa harmonia
criada por Deus em puro caos. Inclusive rompendo o relacionamento harmonioso
entre esses e Deus.

Veja que biblicamente não é só o ato de agir contrário à
ecologia que contamina/destrói a Terra. O pecado também o faz, como vemos no
verso 17.

Ao Deus voltar-se para a mulher em Seu inquérito, essa
mostra que foi enganada pela serpente. Deus amaldiçoa a serpente e profere a
primeira profecia da Bíblia:
“porei inimizade entre ti e a mulher,” verso 15, “entre a
tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás
o calcanhar.”

Na primeira profecia já temos a promessa do Messias. Judeus
e cristãos reconhecem isso. Esse prometido desfaria a amizade que Eva criou com
a serpente e a humanidade assume desde então. O descendente morreria por
influencia da serpente, mas a mesma seria morta por ele. Aqui é descrito um
conflito que levaria gerações para se findar. Uma luta entre servos de Deus e
da serpente.

Veja que quem vai por “a inimizade” é Deus através do
descendente, que nascerá da mulher. Onde está Adão nessa história. Ficou
totalmente oculto no processo messiânico, assim como ele ocultou sua
responsabilidade do pecado. É como se Deus quisesse dizer para Adão que já que
ele não teve culpa, ele também não vai participar da solução.

O Novo Testamento é a literatura que melhor se refere a essa
interpretação sobre o nascimento do Messias, pois mostra um messias gerado por
uma mulher e pela divindade. Não há sêmen de homem algum, mas Maria e o
Espírito Santo geraram um homem o qual retomaria a liderança do planeta,
perdida desde que o homem pecou. Essa liderança passou a Satanás.

Deus está restaurando o que acabara de ser destruído. A
primeira coisa foi tornar a mulher digna novamente, pois dela viria o salvador.
A segunda, a mesma deveria voltar a seguir a liderança do homem (verso 16).
Lembrando que é liderança e não tirania, como durante séculos muitos tem interpretado
erroneamente. Terceiro, a liderança da terra viria somente com “o descendente”.

E o relacionamento entre o homem e a mulher? O que indica
que o mal estar causado pelo homem, ao acusar sua mulher, foi superado? Vamos
para o verso 20:

“E deu o homem o nome de Eva a sua mulher, por ser mãe de
todos os seres humanos”.

O termo “seres humanos” não é a melhor tradução do hebraico.
A Bíblia de Jerusalém e a Tradução Brasileira traduzem esse termo como
“viventes”, o que é mais correto e relaciona melhor essa palavra com “Eva”, que
quer dizer “vida”.

O que Adão quer dizer aqui e por que só agora parece que ele
dá esse nome para sua esposa? Isto é um “amém” para a promessa divina. Adão
está mostrando que acredita firmemente que Deus salvaria o mundo (preste
atenção! O mundo, e não apenas a humanidade) através da criança que viria da
mulher. Ou seja, ela seria mãe do salvador do mundo e, por isso, seria
considerada a mãe de todos.

Veja que Deus mostrou solução para tudo, perdoou tudo. Mas o
pecado traria suas consequências. O casal não poderia voltar para o paraíso até
que Deus cumprisse todas suas promessas. A partir daí o homem teria que viver
da fé nessas promessas.

E aí? O que você está achando sobre o Deus descrito em
Gênesis 3? Ele é tão machista e misógino como dizem?

Até a próxima!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Provérbios

Há uma visão errada do que são os provérbios. Visão que era a minha e que foi desfeita ao estudar livros como Entendes o que lês? de Gordon Fee e Douglas Stuart, Hermenêutica Avançada de Henry Virkler e A interpretação Bíblica de Roy Zuck. Nesses textos, eu me dei conta dos erros de interpretação de provérbios tanto populares quanto bíblicos.

Mas em que se consistia os erros? Achava que "máxima' significava "verdade absoluta" ou "indiscutível" e (acho que é aqui que se consistia o grande erro) "sem contradições". Vamos analisar dois provérbios para entendermos melhor o que é não é um provérbio.
Dois bicudos não se beijam.

A ilustração mostra perfeitamente a grande verdade expressa pelo dito popular: duas pessoas brigadas não vão se reconciliar se mantiverem a mesma posição. É uma verdade óbvia, clara e que deve ser aplicada a esse tipo de situação. Entretanto, isso não quer literalmente dizer que duas pessoas exatamente iguais (que tem bicos, por exemplo) não podem se beijar (dar certo) como vemos na foto a seguir.

Os provérbios são diretos, curtos. São aplicados para situações específicas. São usados para mostrar claramente o que você pensa sobre o assunto. Usá-los é dizer, nesta situação, eu fico com as palavras desse ditado.

Eles economizam tempo para se explicar sua opinião sobre o que se discuti. Por exemplo, o que normalmente se fala querer evitar uma briga ou discussão que parece ser eminente? "Quem avisa amigo é".

Partindo dessa compreensão, podemos entender melhor os provérbios bíblicos, os quais, pelo seu caráter sagrado, acabam sendo mal interpretados. O exemplo que gostaria de dar é Provérbios 22:6, o qual já vi diversos pastores e irmãos de igreja tentarem mudar seu texto por interpretarem o texto como repreensão aos maus pais.

Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.
O texto não pretende acusar os pais por que seus filhos estão fora da igreja, pois se assim o fosse até o Pai eterno ficaria em maus lençóis ao lembrar que seus filhos se desviaram de seus ensinamentos.

Mas não é isso que o provérbio diz. O provérbio acima só quer ensinar que vale a pena ensinar boas coisas aos filhos. Não quer dizer que nossos filhos perderam o direito de escolher entre o caminho bom e o mau. Se assim fosse, não existiria liberdade de escolha e sim apenas condicionamento. Mas a liberdade de escolha está clara em diversos outros textos bíblicos de outra natureza [Deuteronômio 30:19; Josué 24:15; Isaías 7:15; Hebreus 11:24 e 25].

Em suma: tente entender a máxima que o provérbio quer aconselhar e use sem medo em seu sentido óbvio. Mas não se feche a força de sua palavra, pois a linguagem humana é falha. Entretanto, Deus a usa para cumprir seu papel [Isaías 55:11], pois a letra mata e o espírito vivifica [2 Coríntios 3:6].

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

A parábola das dez virgens

Essa é uma parábola contada por Jesus no contexto de sua segunda vinda. está claro que a parábola trata do povo cristão do tempo do fim, ou seja, que viverá próximo a sua vinda.

No passado tive muitas dúvidas sobre essa parábola, como o egoísmo das virgens com óleo para as lâmpadas e a ideia poligâmica do noivo ter dez virgens para se casar.

Por isso que para entender melhor a parábola é necessário saber como ocorria o noivado e casamento naquela época, o qual explicarei resumidamente. Veja mais em A vida diária nos tempos de Jesus de Henri Daniel-Rops ou demais textos sérios sobre o tema, como comentários, dicionários e enciclopédias bíblicas de renome.

Tudo começava com o noivado que era normalmente de um ano. No dia das bodas [casamento], que normalmente ocorria no período da noite, o noivo seguia a procissão preparada pelo seu melhor amigo [o best man dos casamentos americanos]. Esse formava uma procissão até a casa da noiva gritando por todo o percurso: Aí vem o noivo!

É nesse momento que as virgens, jovens donzelas que tinham o objetivo de iluminar os noivos durante a noite, se unem a procissão em direção a casa da noiva. Depois das bênçãos do pai dela, o cortejo vai para casa do pai do noivo, onde continuaria a cerimônia.

Chegando lá, os homens e mulheres se separam. Os homens ficam festejando e brincando, enquanto a noiva e as virgens se retiram até o momento da bênção do pai do noivo e a consumação do casamento.

A festa das bodas aconteceria depois do noivo consumar o casamento e durava de 7 a 14 dias (sim, estamos falando de um casamento de um homem rico, o qual encantava toda a cidade). Não é pra menos que o vinho tinha acabado no casamento que Jesus presenciou [João 2:1-11].

Interpretando:

Como já dito, as virgens são os cristãos dos últimos dias.

Mas por que Jesus falou que as cinco que não tinha óleo [azeite] extra eram tidas como néscias ou tolas? Uma lâmpada costumava ter a duração de 6 horas. Para que as virgens pudessem iluminar durante toda a noite elas precisariam levar o óleo para o restante da noite em uma vasilha extra, o que as prudentes, precavidas em cumprir seu papel, fizeram. Caso elas dividissem com as néscias, ninguém teria luz até o raiar do dia. Agora entendemos como as demais foram negligentes em seu papel.

O óleo é um claro símbolo do Espírito Santo de Deus [Zacarias 4:1-6, 12, 14; Lucas 4:18].

O que seria a lâmpada no imaginário hebreu? A resposta é claramente a palavra de Deus [Salmo 119:105]. A união dos dois, óleo e lâmpada, produzem luz, seja ela provindo da própria Bíblia, com o Espírito Divino atuando no leitor ou ouvinte, seja pelo instrumento humano [Mateus 5:14-16] quando esse vive a palavra ou a anuncia, sendo em ambos os casos usado pelo Espírito Santo.

O que Jesus quis nos dizer com essa parábola? Que próximo de seu retorno haveria pessoas estudariam a Bíblia com o Espírito Santo para lhes explicar seu significado por um tempo, mas, infelizmente, depois de um tempo, insensatamente não procurariam mais o Espírito Santo para interpretá-la, e sim sua própria sabedoria.

Veja que esse grupo, ao notar que não produziam luz, não irão recebê-la de outra fonte que não seja o próprio Deus. Outro aviso importante é que Deus não ficará "aberto" [para usar a expressão da própria parábola] para vender "sem preço" [Isaías 55:1] esse precioso óleo para sempre, pois a porta iria se fechar [Mateus 25:10].

Mais absurda do que é essa situação é o que ando vendo pelas igrejas onde passo. Há pessoas que procuram o Espírito Santo sim, mas deixam de lado o guia que o mesmo inspirou: a Bíblia Sagrada.

Vocês devem ter visto ou estudado sobre pessoas que dão primazia ao que chamam de Espírito divino, primazia essa que ignora o que o próprio Espírito ensinou nas escrituras, ignorando mandamentos diretos como adultério, roubo, adoração e diversos outros.

Enxergam o Espírito Santo como sinônimo de sentimento e poder, sendo tomados, na verdade, pelo poder de suas próprias emoções.

O objetivo dessa parábola é incentivar os cristãos a agirem como as virgens prudentes, as quais cumprem seu papel de iluminar/anunciar ao mundo a chegada do noivo e sair ao seu encontro prontos, independente de quão atrasado julguem que Ele esteja.
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veja também As parábolas de Mateus 25 e Quem é a noiva?